Pré-candidata do PT ao Senado por Minas Gerais, a ex-prefeita de Contagem Marília Campos manifesta preocupação com a indefinição do palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Estado.Segundo a costura que está sendo feita, o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB) disputaria o governo estadual com o apoio do petista. No entanto, o senador resiste e tem sinalizado a aliados que não pretende disputar o governo mineiro.Leia tambémAlckmin vê crescimento de Haddad em SP e duvida de nova indicação de Messias ao STFSegundo Alckmin, a diferença de Haddad para o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não é grandeLula empata com Flávio, Caiado e Zema no 2º turno, diz pesquisa RealTime Big DataLevantamento da RealTime Big Data mostra o petista com 43% contra 44% do senador no segundo turno, enquanto Ciro Gomes atinge os mesmos 43% de Lula em simulação inéditaDiante da hesitação do parlamentar, Marília tem cobrado publicamente de Pacheco que seja pré-candidato ao governo estadual.Em vídeo publicado em suas redes sociais neste domingo, 3, ela pressionou Pacheco por uma resposta e afirmou que a grave situação do Estado exige “que a gente tenha coragem, que a gente faça o que é preciso fazer, que é enfrentar o processo eleitoral e a gente se colocar como uma alternativa mediante um projeto que a gente defende em Minas Gerais e no Brasil”.Ao Estadão, ela argumenta ainda que essa definição é importante para “coletivizar” a estratégia eleitoral no Estado e construir um palanque forte para o petista.“Eu acho que o PSB, que é o partido a que o Rodrigo se filiou, tem que dar uma resposta para a gente, que é do PT e que costura uma aliança, sobre esse processo de construção. A gente não acha nome no laço. Você convida, se articula”, argumenta.Ela lembra que, se o ex-presidente do Senado decidir não disputar, o PT ainda poderia construir um palanque com o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), que pretende disputar o governo do Estado.“Não estou dizendo que a gente já precisa ter um candidato para começar a andar amanhã, mas nós temos que ter algumas certezas. A gente não pode ficar com essa indefinição total”, diz.Para a ex-prefeita de Contagem, era importante já costurar o nome para vice-governador e o dos suplentes. “Isso tudo ajuda nesse processo, porque eu estou fazendo uma campanha solitária, né?”, completa.Marília afirma ainda que Lula sai em vantagem na disputa eleitoral por “ter o que mostrar” em seu terceiro mandato, como a mudança no Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês, a reforma tributária, os números do mercado de trabalho e a estabilização da inflação.“Mas eu não acho que isso é o suficiente para ganhar uma eleição”, avalia. “Lula é um candidato que, além de mostrar o que fez, vai ter que ganhar confiança da população para desenvolver a expectativa de futuro.”Na avaliação da petista, o presidente capitalizou pouco suas ações neste terceiro mandato.“Ou porque não informou, ou porque os recursos, os investimentos públicos chegaram nos municípios e quem está lá comandando o município falou que foi ele que fez, não deu o crédito”, diz.Polarização e pós-LulaEla defende ainda que o governo evite a polarização em seu discurso, para não correr o risco de dialogar apenas para eleitores que já conquistou.“Ao despolarizar, você ganha públicos que estão indefinidos. Ou até mesmo que estão do lado de lá e passam para o lado de cá. E para a gente ser capaz disso, nós temos que disputar a expectativa de futuro”, diz.Marília acrescenta que não polarizar não significar manter uma postura neutra nas eleições, mas sim conseguir reconhecer que nem todos os desafios o governo conseguiu superar neste mandato.A pré-candidata ao Senado também propõe que, em um quarto mandato, haja uma revisão das políticas de amparo, contemplando custo-benefício, para qualificar o gasto público.“Acho que essa que deverá ser a linha do presidente Lula, um modelo de desenvolvimento que seja inclusivo, que o Estado brasileiro comporte e que a gente comece a migrar das políticas compensatórias para uma política onde as pessoas se sustentem através do emprego e da renda. Esse vai ser um grande desafio”, diz.Sobre um pós-Lula, Marília afirma que o PT tem quadros que poderiam ocupar o espaço do presidente, como o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad. “Mas a gente não pode negar que lideranças de outros partidos de centro também estão crescendo. E eu acho que a gente vai ter que abrir esse debate.”Para ela, é preciso ponderar fatores como continuidade de projetos democráticos e compromisso com a população. “Pode ser do PT, mas eu também abro possibilidades de que outras pessoas de partidos de centro possam também estar ocupando esse lugar”, afirma.Ela cita como nomes, além dela própria, o ex-prefeito de Recife João Campos (PSB), o ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD) e Manuela d’Ávila (PSOL), que deve disputar o Senado pelo Rio Grande do Sul.“O que eu defendo é que o PT tem que mostrar abertura e diálogo com os aliados. E para a gente mostrar abertura, a gente não pode impor realidade. A gente tem que conversar com eles. Quem é mais forte? É alguém do PT? Até hoje foi o Lula porque ele é o mais forte”, diz. “Pós-Lula, quem será o mais forte? Então, nós devemos trabalhar isso. Quem for o mais forte vai ser um candidatíssimo a dar continuidade ao projeto.”Marília também diz que líder igual ao petista só daqui a 100 anos. “Não tem, não tem. Com a capacidade que ele tem, com a autoridade que ele tem no Brasil e no mundo. Mas nós vamos ter que ajudar”, completa.The post Pré-candidata do PT ao Senado cobra definição sobre candidatura de Pacheco em MG appeared first on InfoMoney.
