As ações da BradSaúde (SAUD3), criada a partir da fusão de ativos de saúde do Bradesco e da Odontoprev, tiveram alta nesta terça-feira (5), em seu primeiro dia de negociação em Bolsa sob novo ticker. Os papéis da operadora de saúde subiram 6,06%, a R$ 15,93.Na véspera, a companhia reportou lucro líquido de R$ 1,308 bilhão no primeiro trimestre de 2026. A empresa não informou a variação em relação ao mesmo período do ano passado, uma vez que os ativos estavam dissociados. Quer transformar esses resultados em renda passiva? Acesse a Planilha Viva de Renda gratuitamenteApesar da divulgação de resultado ainda limitada em algumas linhas, o BTG Pactual avalia o desempenho como sólido, com lucro líquido de R$1,3 bilhão. “Embora não tenhamos publicado prévia formal, entendemos que o número veio acima do consenso, especialmente considerando a parcela relevante do resultado anual já capturada no trimestre”, comenta. Para o BTG, o trimestre reforça pontos-chave da tese, como melhora consistente na sinistralidade, expansão da base de beneficiários e contribuição inicial positiva da vertical hospitalar.Historicamente, a companhia gera aproximadamente 27% do lucro anual no 1T, mas o resultado atual representou cerca de 32% da estimativa para 2026 de R$4,1 bilhões, sugerindo viés positivo para revisões do consenso, especialmente à luz da melhora na sinistralidade. O retorno sobre patrimônio líquid anualizado (ROAE) atingiu 24,8% no 1T, frente a 23,7% no 4T. Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa sobe com exterior e balanços em focoBolsas dos EUA avançam com Oriente Médio em foco Ambev (ABEV3) salta mais de 10% após surpresa positiva no segmento cerveja no BrasilSegmento de cerveja no Brasil foi o principal destaque do trimestre, com desempenho sólido em termos relativos frente a pares e expectativas do mercadoOdontoprev O Goldman Sachs avalia que a Odontoprev apresentou um primeiro trimestre de 2026 com pressão de margem no negócio odontológico, com o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) ajustado recuando 4% na comparação anual e ficando 5% abaixo das estimativas da casa.Leia mais:Confira o calendário de resultados do 1º trimestre de 2026 da Bolsa brasileiraTemporada de balanços do 1T26 em destaque: veja ações e setores para ficar de olhoPor outro lado, o índice de sinistralidade odontológica (DLR) ficou em 32,7%, com melhora de 3,1 pontos percentuais em relação ao ano anterior e acima das projeções do banco, indicando reversão da tendência mais fraca observada no trimestre anterior. Ainda assim, despesas administrativas e gerais (SG&A) mais elevadas do que o esperado acabaram pressionando a margem EBITDA, possivelmente impactadas por itens não recorrentes ligados à operação com a BradSaúde.Na divisão de planos de saúde, o Goldman Sachs destaca a melhora relevante na sinistralidade (MLR), com avanço de 1,4 ponto percentual na comparação anual, além de adições líquidas sólidas de 52 mil clientes no trimestre, fatores que podem sustentar uma leitura mais positiva por parte dos investidores.A receita líquida da Odontoprev ficou levemente abaixo das estimativas do Goldman Sachs, impactada por crescimento de ticket médio mais fraco que o esperado. Por outro lado, as adições líquidas de beneficiários vieram acima das projeções, impulsionadas principalmente pelo segmento corporativo, que adicionou 138 mil clientes na comparação anual. No consolidado, o ticket médio permaneceu estável em R$ 22,5, abaixo da expectativa de leve alta. A receita líquida total cresceu 5% na base anual, para R$ 619 milhões, também ligeiramente abaixo das estimativas.A margem EBITDA ficou em 34,8%, cerca de 1,5 ponto percentual abaixo do esperado, pressionada por despesas administrativas mais altas, incluindo maiores gastos com pessoal e serviços de terceiros. A contração anual da margem também refletiu aumento em provisões para devedores duvidosos e despesas comerciais.O Morgan Stanley, por sua vez, ressalta o forte crescimento da base de beneficiários da Odontoprev, com adições líquidas de 141 mil no trimestre e avanço anual de 5,7%. Esse movimento, combinado à queda de preços médios, resultou em crescimento de 4,9% da receita. A sinistralidade (DLR) melhorou para 32,7%, embora o banco alerte que o indicador pode refletir maior rigor na aprovação de reembolsos. Apesar do avanço operacional, o lucro líquido recuou 9,6% na comparação anual, pressionado por maiores despesas administrativas e operacionais ligadas à reorganização da companhia.Bradesco SaúdeOs números da operação de saúde, ligada à Bradesco Saúde, foram considerados sólidos pelo Goldman Sachs, com prêmios líquidos avançando 8,6% na comparação anual, para R$ 13,2 bilhões, e melhora na sinistralidade para 79,1%. O lucro líquido da divisão cresceu 33,5%, para R$ 1,2 bilhão, representando cerca de 83% do resultado consolidado da BradSaúde.Já o Morgan Stanley avalia que o Bradesco Saúde mantém uma trajetória consistente de crescimento de lucros, sustentada pela evolução da receita, que avançou cerca de 8% na comparação anual no 1T26. Segundo o banco, o desempenho reflete a combinação de reajustes de preços, na casa de 3%, e expansão da base de beneficiários, que cresceu aproximadamente 5%. Acompanhar resultados é o primeiro passo. O segundo é este: Baixe grátis a Planilha Viva de RendaA instituição destaca que as adições líquidas de 52 mil vidas vieram robustas mesmo diante da sazonalidade negativa típica do início do ano, período geralmente marcado por maior desemprego. Esse movimento reforça a continuidade da recuperação da base iniciada em 2025 e indica fortalecimento comercial após um longo ciclo de ajustes, marcado por contratos menos rentáveis e revisões relevantes de preços. Na avaliação do banco, a companhia agora se beneficia de uma carteira mais equilibrada e de maior disciplina na precificação.Em relação à sinistralidade (MLR), o Morgan Stanley observa que o primeiro trimestre costuma ser favorecido por fatores sazonais, especialmente no caso de planos premium, cujo público tende a reduzir o uso de serviços no período. Ainda assim, a melhora registrada foi considerada relevante, com aumento limitado nos pedidos de reembolso por beneficiário, sugerindo ganhos estruturais na gestão de sinistros.O banco também aponta que o resultado final foi impulsionado por forte desempenho financeiro, que contribuiu para um lucro consolidado de cerca de R$ 1,22 bilhão no trimestre.AtlânticaNo segmento hospitalar, a análise do Morgan Stanley destaca a evolução da plataforma Atlântica, ligada à BradSaúde, com a adição de um ativo em Sorocaba, reforçando as perspectivas de expansão no médio prazo. Por outro lado, o banco vê de forma negativa o adiamento de projetos em São Paulo, que agora devem entrar em operação apenas no fim da década, postergando a geração de valor.Visões distintas para BradSaúdeEm termos de valuation, o Goldman Sachs mantém recomendação de venda, com preço-alvo de R$ 11,50 para a Odontoprev, com base em modelo de fluxo de caixa descontado, considerando custo médio ponderado de capital (WACC) de 12,6% e crescimento na perpetuidade de 3,4%.Já o BTG Pactual reitera recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 18, destacando o posicionamento estratégico da BradSaúde na cadeia de saúde privada, atuando como consolidadora via parcerias com players relevantes. A ação negocia a aproximadamente 12 vezes P/L (Preço sobre Lucro) 2026 e 11 vezes P/L 2027, com potencial de revisão positiva nas estimativas diante do momento operacional mais forte.O Morgan Stanley, por sua vez, reitera recomendação neutra e preço-alvo de R$ 16,50.The post BradSaúde (SAUD3) estreia na B3 em alta de 6% após divulgar 1º balanço consolidado appeared first on InfoMoney.
