Escritório abre sociedade sem régua formal e mira retenção de assessores

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Em um setor de assessoria de investimentos marcado por disputa intensa por profissionais e movimentos frequentes de fusões e aquisições, a Monte Bravo aposta em um programa de sociedade deliberadamente sem critérios rígidos para reter seus talentos. Não há tempo mínimo de casa, meta de ativos sob custódia ou volume de captação líquida que garantam a promoção. “Não há regras formais para a sociedade, pois não queremos engessar”, afirma Filipe Portella, presidente e cofundador da casa.A lógica, segundo o executivo, é preservar a flexibilidade para incorporar talentos sempre que surgirem entregas consistentes e perfil aderente à cultura da empresa. O modelo se diferencia da régua tradicional adotada por grandes players do setor, em que metas de captação costumam pautar a ascensão. Na Monte Bravo, segundo Portella, a avaliação é pautada na performance ao longo do tempo, sem privilégio para áreas específicas.Veja mais: Monte Bravo acelera transformação digital e reforça liderança em tecnologiaE também: Monte Bravo investe R$ 300 mi na formação de assessores alinhados ao “fee based”Os critérios, embora informais, se resumem a dois pilares na descrição do presidente: identificação cultural e geração de valor acima do padrão. “Nós não queremos ninguém que não se identifique com a cultura da empresa, quem dirá na sociedade”, afirma. A casa tem direcionamentos internos de desempenho, mas, para chegar à sociedade, é preciso superá-los.Entre as competências comportamentais que pesam na escolha, Portella cita trabalho em equipe, resiliência e capacidade de resolver problemas. Para ele, todas convergem em um mesmo ponto. “Dono de verdade não tem plano B. O plano B é fazer o plano A dar certo”, resume.Descubra o novo modelo de remuneração para assessores XPCompra de ações com trava e correção pelo CDIFinanceiramente, o ingresso na sociedade exige desembolso do novo sócio, que precisa comprar ações da empresa. Há período de carência para a aquisição gradual das cotas e trava para a venda durante a vigência do programa. Apesar do aporte, Portella afirma que não há risco financeiro relevante, porque o valor é corrigido pelo CDI ao longo do vesting (período em que o profissional vai conquistando o direito sobre as ações).A partir da formalização, o profissional passa a participar de todos os eventos societários, incluindo distribuição de dividendos e eventuais movimentos de liquidez, como uma fusão ou abertura de capital. O executivo defende que essa estrutura entrega algo que bônus agressivos e planos de carreira convencionais não conseguem replicar. “A capacidade de multiplicar patrimônio é muito maior do que dinheiro no curto prazo”, diz.Para o presidente, o ganho não é apenas financeiro, mas de alinhamento. O modelo, segundo ele, transforma a lógica individual em coletiva, fazendo com que o sucesso deixe de depender da performance isolada de cada profissional. “Não é mais somente se eu for bem, mas sim sobre se todos nós formos bem. Isso é transformador”, afirma.Sobre projeções de retorno em cinco ou dez anos, no entanto, Portella se recusa a fazer estimativas. “É uma ação de uma empresa em crescimento. Simulações seria algo temerário”, pondera. Para o executivo, o valor central do programa está em outro ponto, que é passar a deter um ativo cujo retorno depende do próprio trabalho.Leia tambémXP é eleita, pela 8ª vez consecutiva, Melhor Assessoria de Investimentos pela Folha“O Melhor de S. Paulo”, da Folha: Reconhecimento reforça a evolução do modelo de atendimento e a consolidação do planejamento financeiro na jornada do investidor Mentoria prévia e exigência de postura antes do títuloAntes da promoção, os candidatos passam por uma mentoria preparatória, que o presidente faz questão de descrever de maneira invertida em relação ao discurso comum no mercado. “Não é sobre o que a empresa pode oferecer aos sócios, e sim sobre como os sócios podem atuar com eficiência na empresa”, afirma. A formação técnica em gestão e governança, segundo ele, vem em segundo plano.No dia a dia, Portella afirma que pouco muda após a formalização da sociedade, em termos de acesso a comitês, decisões ou exposição ao resultado financeiro da operação.A explicação, segundo o executivo, está na própria filosofia do programa. “Para se tornar sócio, tem que agir como sócio antes mesmo do fato acontecer”, afirma.Esse desenho, na visão do presidente, funciona como filtro natural e ajuda a entender o turnover elevado do setor de assessoria. “O partnership não é para qualquer um. Tem pessoas que não entendem o que é ser sócio, pensam somente como acionistas. Tem que ter a mentalidade correta”, afirma. Para ele, parte da rotatividade vem da dificuldade de profissionais aguentarem ciclos mais difíceis, como o atual.A informalidade da régua, somada à exigência de postura prévia, faz com que o programa funcione mais como reconhecimento de uma trajetória do que como meta a ser perseguida. É essa lógica que a casa tenta implementar, cativando os profissionais que disputam com a concorrência, em um momento em que ofertas externas com bônus de transferência se tornaram comuns no mercado.Como a IA redesenhou a gestão de investimentos: “não é mais opção, é obrigação”Promovidos descrevem mudança de mentalidadeAo InfoMoney, dois assessores recém-promovidos a sócios reforçam o desenho descrito pelo presidente. Gustavo Oliveira, sócio e assessor de investimentos da casa, afirma que já operava com mentalidade de dono antes da formalização, mas reconhece um salto de consciência depois dela. “Você passa a enxergar cada decisão pelo impacto que ela gera no negócio como um todo”, diz.Para ele, a diferença prática entre os dois papéis é nítida. “O assessor, legitimamente, foca performance e crescimento. O sócio precisa equilibrar resultado de curto e médio prazo com construção de longo prazo”, resume. Crescimento sustentável, desenvolvimento de pessoas, cultura e reputação passaram a fazer parte de sua agenda diária após a promoção, segundo ele.Mariele Rebelo, também sócia e assessora de investimentos da casa, descreve uma transição parecida. “Quando eu atuava somente como assessora, minha entrega era muito conectada à performance da minha carteira. Ao virar sócia, passei a enxergar o negócio de forma mais estrutural e ampla”, afirma. Cultura, processos e retenção de talentos passaram a integrar suas responsabilidades.Os dois convergem ainda em uma recomendação aos colegas que miram o mesmo caminho, que é parar de olhar apenas para a própria carteira. “Crescimento comercial é importante, mas, para chegar ao nível societário, é fundamental demonstrar maturidade, responsabilidade e entendimento da operação como um todo”, afirma Rebelo. Oliveira sintetiza com frase que resume a lógica do programa da Monte Bravo: “Aja antes do título chegar. Em geral, a sociedade reconhece uma postura que já existe”.The post Escritório abre sociedade sem régua formal e mira retenção de assessores appeared first on InfoMoney.

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