Ibovespa se anima com possível acordo EUA-Irã, mas pode ter “efeitos paradoxais”

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Após oscilar entre 186 mil e 188 mil pontos ao longo da manhã desta quarta-feira (6), o Ibovespa seguiu em alta no período da tarde desta quarta-feira, ainda que longe das máximas, com a melhora do humor no exterior diante das expectativas de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã. As ações da maioria dos bancos e do setor varejista deram suporte adicional ao índice, enquanto as petroleiras, com grande participação no benchmark da Bolsa, limitam os ganhos. Às 13h50 (horário de Brasília), o Ibovespa subia 0,65%, aos 187.958 pontos.As bolsas de Nova York avançavam cerca de 1%, enquanto o petróleo cai pelo segundo dia consecutivo. O Brent recuava perto de 7,5%, ao redor de US$ 101 o barril, refletindo a percepção de avanço diplomático entre Washington e Teerã.O alívio ganhou força ainda pela manhã após a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmar que a travessia pelo Estreito de Ormuz poderá ser retomada de forma “segura e sustentável”, reforçando a percepção de distensão geopolítica.Além disso, relatos da imprensa americana indicam que a Casa Branca acredita estar próxima de um acordo com Teerã para encerrar as hostilidades e estruturar negociações nucleares mais amplas. Ainda assim, investidores seguem monitorando novas falas do presidente dos EUA, Donald Trump, e declarações de Israel sobre possível ampliação da ofensiva militar.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa sobe com otimismo global; PETR4 cai e VALE3 avançaBolsas dos EUA avançam 1% com possível acordo para fim da guerra no Oriente Médio Segundo Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, contudo, episódios de acomodação após notícias positivas tendem a ser naturais diante da fragilidade do cenário geopolítico.Conforme destaca Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, eventual acordo entre EUA e Irã tende a retirar o prêmio geopolítico do petróleo ao reduzir o risco de restrição de oferta, o que pressiona a commodity para baixo e, por consequência, afetaria negativamente as petroleiras listadas, que hoje capturam parte relevante desse prêmio no valuation.E mais à frente?Assim, para o Ibovespa, o efeito líquido é ambíguo. Isso porque, embora haja perda de suporte via energia, há compensação parcial via melhora de expectativas inflacionárias e alívio em custos para setores dependentes de combustível, como transporte, indústria e consumo, favorecendo uma rotação setorial em vez de uma direção única do índice.Na prática, o movimento tende a ser de correção nas empresas ligadas ao petróleo e redistribuição de fluxo para segmentos mais sensíveis a juros e inflação, sem mudança estrutural de tendência, já que o driver principal do mercado doméstico segue sendo a trajetória de política monetária e atividade local.Para André Matos, CEO da MA7 Negócios, um eventual acordo entre as partes teria efeitos paradoxais sobre a bolsa brasileira. Por um lado, o Ibovespa como índice tende a reagir positivamente, com o desfecho da geopolítica reduzindo o prêmio de risco global, fortalecendo o fluxo estrangeiro, que já acumula aproximadamente R$ 55 bilhões até o dia 4 de maio em entrada líquida em 2026, e abrindo espaço para que o Banco Central acelere o ciclo de cortes da Selic, hoje em 14,50%. Por outro lado, as ações que mais se beneficiaram do choque de petróleo, especialmente as petroleiras como Petrobras (PETR3;PETR4) e PRIO (PRIO3), tendem a perder o prêmio que vinham capturando com o Brent acima de US$ 100, em um movimento natural de realização.Já a Vale (VALE3), aponta Matos, entra como caso especial, porque o eventual recuo do dólar pode pressionar o resultado em reais, mas a volta da normalidade no comércio global tende a sustentar a demanda chinesa por minério. Leia tambémVale (VALE3): ações sobem mais de 3% com minério e revisões positivas de bancõesSessão é positiva para a mineradora brasileiraPRIO, Brava e Petrobras caem até 5% com petróleo após sinal de acordo EUA-IrãEUA acredita estar perto de um acordo preliminar de uma página com o Irã para encerrar a guerra“Os ganhadores diretos seriam os setores mais sensíveis a juros e consumo, como bancos, varejo, construção civil e empresas alavancadas, que voltariam a precificar uma trajetória mais benigna para a Selic, com o Focus indicando hoje 13,00% no fim de 2026 mas com possibilidade de revisão relevante caso o petróleo ceda”, avalia. Assim, aponta que a leitura central é que um acordo entre EUA e Irã rotaciona o portfólio brasileiro, tira protagonismo das petroleiras e devolve fôlego ao consumo doméstico, ao mesmo tempo em que reforça a tese de Brasil como porto seguro entre os emergentes. “Para o investidor, é um cenário em que estar bem posicionado em renda fixa faz mais sentido do que apostar na continuidade indefinida do prêmio geopolítico”, conclui. The post Ibovespa se anima com possível acordo EUA-Irã, mas pode ter “efeitos paradoxais” appeared first on InfoMoney.

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