O Desenrola Brasil voltou a abrir espaço para renegociação de dívidas de consumidores negativados com renda mensal de até cinco salários mínimos. O programa abrange débitos contraídos até 31 de janeiro de 2026 e com atraso entre 90 dias e dois anos.
Na negociação, entram dívidas como cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal e até contratos ligados ao Fies, com descontos progressivos conforme o tempo de atraso. No rotativo do cartão e no cheque especial, por exemplo, os abatimentos começam em 40% para atrasos de até 120 dias e podem chegar a 90% em débitos com mais de um ano. Já no crédito pessoal, os descontos variam entre 30% e 80%.
O programa tenta aliviar um problema que cresce justamente nas linhas de crédito com juros mais altos. Mas especialistas alertam que apenas renegociar dívidas não encerra o ciclo do endividamento. Sem mudanças na forma de lidar com orçamento, crédito e consumo, o risco de voltar ao mesmo problema continua existindo.
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Quando a renegociação não muda a lógica da dívida
O InfoMoney conversou com o planejador financeiro Carlos Castro sobre o papel dos juros compostos tanto na construção de patrimônio quanto no crescimento das dívidas.
Segundo o especialista, o problema costuma começar quando linhas de crédito de curto prazo passam a fazer parte da rotina financeira.
“Cartão de crédito e cheque especial são dívidas de curto prazo, com juros altos, que devem ser usados por um período muito curto”, afirmou.
E se a pessoa demora muito para quitar o saldo, o peso dos juros começa a aumentar consideravelmente, e de forma rápida. Com isso, a dívida deixa de ser pontual e começa a disputar espaço com despesas básicas do orçamento.
“Quando os juros incidem sobre um saldo que não é liquidado, o valor cresce ao longo do tempo, ocupando espaço entre outras despesas. Sem uma visão clara do tamanho da dívida e do custo envolvido, o pagamento tende a se organizar apenas em torno da parcela”, explicou Castro.
Nesse cenário, renegociar a dívida reduz a pressão imediata, mas não necessariamente altera a dinâmica financeira que levou ao endividamento. Sem mudança de atitude, não há planejamento financeiro que funcione ou resista por muito tempo.
O que precisa mudar junto com o acordo
Para Castro, reorganizar a vida financeira exige entender exatamente o tamanho do problema antes mesmo de pensar nas parcelas.
“É preciso fazer um levantamento do saldo devedor, entender quais são as linhas de crédito usadas, quais são as taxas e quando essas dívidas terminam”, disse.
O planejador também defende priorizar dívidas com juros mais altos e, quando possível, substituir modalidades caras por linhas mais baratas.
Outro ponto que sustenta o ciclo de endividamento, segundo ele, está na perda de percepção dos gastos no cotidiano. Pagamentos digitais, crédito instantâneo e compras feitas sem acompanhamento acabam criando uma sensação de controle que nem sempre corresponde à realidade do orçamento.
Para tentar romper esse padrão, Castro orienta dividir as despesas entre gastos essenciais, sociais e de autorrealização. A separação ajuda a visualizar para onde o dinheiro está indo e abre espaço para formar uma reserva financeira.
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