Gastar mais é suficiente para melhorar sua saúde e prolongar sua vida?

Blog

Os seres humanos presumivelmente sempre aspiraram a viver mais e com mais saúde. Agora isso pode ser mais possível do que nunca — especialmente se você tiver dinheiro suficiente.Pense na Fonte da Juventude. Versões da promessa de uma fonte que dá vida remontam aos filósofos da Grécia Antiga, com variações ao longo dos séculos. Mas o conceito básico era: encontre a fonte, beba sua água e você volta a ser jovem e cheio de vigor.Leia também: Clonazepam: como atua o remédio que causou dependência em Bárbara EvansHoje, as pessoas parecem mais inclinadas do que nunca a acreditar que existe um caminho para melhor saúde, maior longevidade e uma expectativa de vida saudável mais ampla.Para atender a esse desejo, cresce a indústria da longevidade e do bem-estar.Do lado científico, além de médicos em práticas tradicionais, há um número crescente de clínicas médicas premium em todas as regiões dos EUA que oferecem uma ampla gama de serviços para quem pode pagar. Surgidas nos anos 1990 e em expansão desde então, elas dispensam o uso de planos de saúde em favor de anuidades que podem variar de US$ 4.000 (R$ 19,6 mil) a US$ 45.000 (R$ 221 mil) ou mais.Os médicos de clínica geral ou medicina de família que adotaram essas práticas não são necessariamente mais bem treinados do que aqueles que permaneceram no modelo tradicional baseado em planos de saúde. Mas optaram por atender menos pacientes, passar mais tempo com cada um e oferecer serviços internos — como exames de imagem, por exemplo — que, de outra forma, teriam de ser terceirizados.Segundo a Private Physicians Alliance, um grupo que reúne médicos dessas clínicas premium, existem hoje entre 7 mil e 22 mil desses consultórios nos Estados Unidos. Como comparação, há quase 400 mil consultórios médicos baseados em planos de saúde, de acordo com o Bureau of Health Workforce.Normalmente, um médico das clínicas premium atende cerca de 20% (ou menos) dos pacientes que um médico do modelo tradicional. Esse paciente tem o número de celular do médico e maior acesso ao seu tempo.A crescente indústria do bem-estar não tem critérios rígidos de entrada. Assim, além de médicos treinados, também há espaço para quem atua no lucrativo mercado de vitaminas e suplementos, que cresceu rapidamente com a promessa de melhorar a saúde e prolongar a vida. Em 2024, esse mercado foi avaliado em US$ 192 bilhões. Suplementos podem incluir comprimidos, cápsulas, pós e pastilhas mastigáveis.Medicamentos passam por rigorosa avaliação da Food and Drug Administration e são prescritos por médicos. Vitaminas como D, B-12 e ferro também podem ser receitadas para tratar deficiências específicas identificadas em exames de sangue. Já os suplementos — como colágeno, creatina e óleos de peixe — passam por testes menos rigorosos e geralmente são consumidos por iniciativa própria, e não por prescrição médica.A FDA atribui maior responsabilidade pela eficácia desses produtos aos fabricantes. A American Medical Association alertou as pessoas a não depositarem confiança excessiva em suplementos, que a FDA trata como alimentos, e não como medicamentos. Suplementos costumam ser vendidos em assinaturas mensais e frequentemente promovidos por podcasters e influenciadores famosos, que muitas vezes obtêm renda com essas vendas.Steve Mister, presidente e diretor-executivo do Council for Responsible Nutrition, uma associação do setor de suplementos, disse que a pessoa média gasta US$ 50 (R$ 246) por mês com suplementos e tende a focar nos mais tradicionais, com benefícios comprovados, como vitamina D, ômega 3 e cálcio.Embora se preocupe com influenciadores que fazem promessas sem respaldo científico, ele também rebate médicos que descartam suplementos menos conhecidos sem compreendê-los. “Eles desconfiam desses produtos porque não aprendem sobre eles na faculdade de medicina”, disse Mister.Combinar medicamentos convencionais e suplementos pode ser complicado — tanto para pacientes quanto para médicos.“Tive uma paciente que tomava estatina, mas decidiu adicionar arroz de levedura vermelha como suplemento para reduzir o colesterol LDL”, disse a Dra. Cari Dawson, que dirige o Colorado Center for Medical Excellence, uma clínica premium em Denver. “O problema foi que ela passou a tomar a estatina em dias alternados e tomou um suplemento cujo conteúdo não é totalmente conhecido. Ela escolheu o arroz de levedura vermelha em vez de uma estatina que estudamos há 30 anos.”Dawson afirmou que frequentemente desmentia informações que as pessoas viam online sobre estatinas e suplementos, argumentando que não tinham base científica.“Há muito barulho sobre estatinas na internet”, disse. “Sim, cerca de 5% das pessoas terão dores musculares com elas. Sabemos que isso é real. Mas 95% das pessoas se dão bem com esse medicamento. E há quem defenda que todos acima de 50 anos deveriam tomar estatina para reduzir o colesterol.” (Ela disse que, no fim, convenceu a paciente a manter a estatina.)“A FDA não permite que empresas de suplementos comercializem seus produtos como substitutos de medicamentos prescritos”, disse Mister. “Eu me preocupo com desinformação o tempo todo.”Dawson disse entender, porém, de onde vem essa busca. “Se alguém tem qualquer desconfiança do sistema médico, tende a procurar tratamentos alternativos”, afirmou.Anton Titov, fundador da Diagnostic Detectives Network, é contrário aos suplementos e sustenta que seus defensores são movidos por ganhos financeiros — além de explorarem a desconfiança das pessoas em instituições muito além da medicina.“Você pode vender bilhões em suplementos e vitaminas. Para prescrever estatinas, precisa atender pessoalmente o paciente. Não dá para ganhar dinheiro dizendo às pessoas para tomarem a dose máxima de estatinas para melhorar a saúde cardiovascular”, disse, sobre o negócio de suplementos. Sua prática encontra especialistas em áreas específicas para ajudar clientes a resolver problemas médicos frequentemente complexos. Ele afirmou cobrar uma taxa fixa em torno de US$ 6.000 (R$ 29 mil), que aumenta se mais especialistas forem necessários ou se houver maior necessidade de intermediar a conexão entre pacientes e médicos.Para navegar pelas diferentes abordagens de longevidade, uma pergunta-chave pode ser: qual é a melhor forma de investir dinheiro na minha saúde para viver bem nas próximas décadas?Jordan Shlain, fundador da Private Medical e considerado um dos primeiros médicos de clínicas premium, disse que o foco, independentemente da riqueza, é semelhante. Desconsiderando acidentes fatais, há quatro principais causas de morte: cardiovasculares, neurológicas, câncer e metabólicas, afirmou.“Sua genética é fundamental e responde por 50% a 70% da sua longevidade”, disse Shlain. “Depois vêm os pilares básicos: sono, exercício, alimentação e nutrição social. Sono e interações sociais são os aspectos mais importantes a priorizar.”Para gerenciar o cuidado por meio de práticas médicas não tradicionais, os pacientes devem esperar experiências diferentes conforme o nível de preço. Embora as clínicas premium geralmente tenham menos pacientes, os serviços podem se tornar ainda mais personalizados.Alguns médicos fazem parte de grupos. A MD2, que abriu sua primeira unidade em Seattle em 1996 e hoje tem escritórios em todo o país, limita seus médicos a 50 pacientes e cobra US$ 30.000 (R$ 147 mil) por ano. A Private Medical, fundada por Shlain, cobra US$ 45.000 (R$ 221 mil) anuais por paciente e atende apenas 1.500 famílias em seis unidades na Califórnia, Flórida e Nova York. O Atria Health and Research Institute custa US$ 60.000 (R$ 295 mil). Suas duas unidades, em Nova York e Palm Beach, contam com especialistas internos, incluindo cardiologia, neurologia e saúde da mulher.“O que diferencia nossa abordagem é o foco holístico na prevenção de doenças”, disse Alan Tisch, cofundador e CEO da Atria Health. “Temos atenção primária e mais 15 outras especialidades. Também atuamos em estilo de vida e psicologia. Integramos internamente as tecnologias mais avançadas, para não precisar encaminhar o paciente para fora. Estamos aqui para manter você saudável, mas também somos responsáveis por oferecer o melhor cuidado para você e sua família quando você adoece.”Enquanto isso, independentemente do tipo de prática médica escolhida, Titov disse que duas ações ajudam qualquer pessoa a promover a longevidade: cuidar da saúde cardíaca e do peso. “Os GLPs [medicamentos injetáveis não baratos para controle de peso] estão mostrando que várias outras doenças desaparecem quando as pessoas perdem peso. Portanto, alcance seu peso ideal e depois faça exercícios.”c.2026 The New York Times CompanyThe post Gastar mais é suficiente para melhorar sua saúde e prolongar sua vida? appeared first on InfoMoney.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *