Mapa de Risco: Lula perdeu o “charme eleitoral” de 2010, diz cientista político

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A eleição de 2026 tende a impor ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) um cenário muito diferente daquele que marcou o auge de sua popularidade ao fim do segundo mandato. Para analistas políticos, o petista chega à nova disputa sem a capacidade de atração eleitoral ampla que teve em 2010 e mais limitado pela polarização consolidada no país.“O Lula perdeu o charme eleitoral que ele tinha quando deixou a presidência da República lá em 2010”, afirmou o cientista político Cristiano Noronha, da Arko Advice, durante o Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, desta sexta-feira (8).Na avaliação dele, a combinação entre escândalos de corrupção, desgaste econômico e radicalização política alterou estruturalmente a relação do presidente com parte relevante do eleitorado.Em 2010, Lula encerrou o segundo mandato com índices de aprovação próximos de 80%, após um período marcado por crescimento econômico, expansão do consumo e fortalecimento de programas sociais.Hoje, o cenário é outro.Leia tambémAlcolumbre promulga lei da dosimetria após Lula deixar prazo expirarTexto será publicado em edição exta do Diário Oficial Lula deve amenizar críticas a Trump durante período de negociações após encontroEm entrevista coletiva após reunião na Casa Branca, presidente mencionou tarifas e minerais críticos entre os temas discutidos por mais de três horas e diz que relação entre os dois evoluiDo auge à rejeição consolidadaSegundo Noronha, a erosão da imagem do petista começou ainda durante os escândalos do mensalão e se aprofundou nos anos seguintes, especialmente após a Operação Lava Jato e a crise econômica do governo Dilma Rousseff.“O mensalão abalou um pouco, mas depois vieram petrolão, Lava Jato e a gestão Dilma, que deixou uma conta fiscal muito alta para o país”, afirmou.O resultado, segundo ele, é uma rejeição mais cristalizada e resistente a movimentos tradicionais de recuperação de popularidade.A leitura aparece num momento em que pesquisas mostram Lula mantendo competitividade eleitoral, mas sem conseguir reproduzir a vantagem confortável observada em ciclos anteriores.Polarização limita crescimentoPara Noronha, a principal diferença entre o Lula atual e o de 2010 é que o país passou a operar sob uma lógica de polarização permanente.“O Lula vai ter uma rejeição sempre beirando os 40%, que são justamente os eleitores dispostos a votar na direita”, disse.Na prática, isso significa que há menos espaço para crescimento orgânico de aprovação, mesmo em momentos de melhora econômica.O cientista avalia que tanto Lula quanto o bolsonarismo já concentram a maior parte do eleitorado, o que transforma a eleição numa disputa de margem.“Lula e Bolsonaro hoje concentram entre 75% e 80% do eleitorado”, afirmou.Nesse ambiente, campanhas passam a mirar pequenos deslocamentos eleitorais capazes de decidir uma disputa apertada.Pacote econômico busca reduzir desgasteA estratégia do governo para enfrentar esse cenário passa pela tentativa de recuperar apoio em segmentos específicos da população, principalmente na classe média baixa e entre eleitores afetados por endividamento e perda de renda.Medidas de crédito, expansão do Minha Casa Minha Vida, renegociação de dívidas e novas linhas para microempreendedores fazem parte dessa ofensiva.Noronha, porém, avalia que o efeito tende a ser limitado.“O governo está soltando uma bala de canhão para ver se atinge algumas mosquinhas”, afirmou.Segundo ele, o objetivo não é produzir uma grande virada de popularidade, mas conquistar os poucos pontos necessários para sobreviver numa eleição apertada.“Vai gastar rios de dinheiro para tentar ganhar 2 ou 3 pontos percentuais”, disse. Eleição mais difícil do PTMesmo mantendo força no Nordeste e competitividade em estados-chave, o governo enfrenta um eleitorado mais fragmentado e menos disposto a rever posições políticas.Para Noronha, isso ajuda a explicar por que a disputa de 2026 tende a ser mais complexa para o PT do que os ciclos anteriores.“Eu arrisco dizer que essa vai ser a eleição mais difícil não apenas do Lula, mas do PT em nível nacional”, afirmou.A avaliação é que o presidente ainda mantém uma base sólida e capacidade competitiva, mas já não opera com a mesma margem de confiança política e simbólica que marcou o fim de seus primeiros mandatos.O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 5h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.The post Mapa de Risco: Lula perdeu o “charme eleitoral” de 2010, diz cientista político appeared first on InfoMoney.

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