Como um trader alcançou 47 pregões positivos seguidos no day trade

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A consistência no day trade segue como um dos maiores desafios para o investidor pessoa física, especialmente em um ambiente marcado por volatilidade, decisões rápidas e pressão emocional constante. Ainda assim, casos recentes começam a chamar atenção ao apresentar sequências fora da curva, sustentadas por método, gestão de risco e leitura objetiva do mercado.Diante deste cenário, André Moraes e Pako Moore concederam entrevista ao InfoMoney e detalharam não apenas os bastidores de uma sequência de resultados positivos, mas também a evolução das salas ao vivo e os pilares que sustentam a consistência no longo prazo.Consistência em focoO desempenho recente de Pako Moore chama atenção não apenas pelo resultado, mas principalmente pela regularidade. Desde o dia 27 de fevereiro de 2026, o trader acumula 47 pregões consecutivos fechando no positivo, sustentando uma sequência rara no day trade, apoiada em um modelo operacional focado em controle de risco e leitura objetiva do fluxo.Ao mesmo tempo, a transparência na divulgação dos resultados passou a ser parte central do processo. Segundo ele, a própria comunidade valida o desempenho diariamente, o que reforça a credibilidade da operação e aproxima o aluno da realidade do pregão. “A sala é auditada pelos meus próprios alunos”, afirma.Esse nível de consistência não surgiu de forma imediata. Pelo contrário, o histórico de perdas teve papel determinante na construção do modelo atual, evidenciando um processo de evolução baseado em tentativa, erro e adaptação contínua. “Eu comecei ali em 2012 e, como todo mundo perdendo muito dinheiro, 2012, 2016, eu me tornei consistente na perda, perdi mais de 400 mil reais, só que eu não desisti”, relembra.Conforme ele, a virada de chave ocorreu com o desenvolvimento de um método próprio, que combina leitura de preço com análise de fluxo, reduzindo a subjetividade e aumentando a previsibilidade das entradas. “Eu desenvolvi um método próprio, que é o método LPF, leitura de preço e fluxo”, explica.Leia tambémCarteira automatizada Bunker da XP supera Ibovespa e aposta em resiliênciaCarteira supera o Ibovespa desde 2021 e busca retorno com risco controlado em cenários de alta volatilidade Método e gestãoA base do modelo operacional de Pako Moore está diretamente ligada a três pilares centrais: gestão de risco, frequência de mercado e liquidez. Esses elementos, por sua vez, estruturam a tomada de decisão e ajudam a reduzir o impacto emocional ao longo do pregão.Na prática, a lógica do método passa por reduzir rapidamente o risco das operações, priorizando ganhos menores e recorrentes, enquanto mantém a possibilidade de capturar movimentos mais amplos quando o mercado oferece oportunidade. “Eu estou sempre tentando estopar o mais rápido possível, mais próximo do zero”, afirma.Consequentemente, a relação entre taxa de acerto e risco-retorno se torna um dos pontos-chave da estratégia. Em vez de focar apenas em operações com alto payoff, o modelo busca equilíbrio estatístico entre frequência de acerto e tamanho das perdas. “Eu consegui juntar no meu operacional exatamente isso, 70%, 80% de acerto com um risco ganho aí de 1 para 1, 1 para 1,5”, detalha.Segundo ele, essa leitura estatística permite comparar diferentes abordagens operacionais sob a mesma lógica de expectativa matemática, independentemente do estilo adotado pelo trader. Nesse sentido, o foco deixa de ser apenas o formato da operação e passa a ser o resultado consistente no longo prazo. “Isso é exatamente igual a quem faz o 3 para 1 com 37% de acerto”, ressalta.O trader afirma que essa estrutura contribui para maior previsibilidade emocional durante o pregão, fator frequentemente negligenciado por traders iniciantes, mas determinante para a longevidade no mercado. “Porque eu sei que a minha próxima operação, eu estou muito mais perto de um ganho do que de um prejuízo”, conclui.Início das salas: da solidão ao modeloEsse tipo de consistência, no entanto, não surge de forma isolada. Pelo contrário, ele está inserido em um ambiente que foi construído ao longo de anos, em um período no qual o trading ainda era uma atividade pouco difundida no Brasil, sem estrutura, conteúdo acessível ou comunidades organizadas.Na origem desse movimento, o cenário era de isolamento entre os poucos participantes do mercado. Diante disso, a troca de experiências surgiu como uma necessidade natural entre traders que buscavam evoluir. “Fazer trader era uma solidão enorme, porque ninguém falava sobre isso”, relembra André Moraes.Com o tempo, essas interações evoluíram para encontros durante o pregão, reunindo traders em tempo real para compartilhar decisões e leitura de mercado. Esse formato acabou criando as bases do que hoje se conhece como sala ao vivo. “A gente se reuniu no Skype para ficar durante o pregão batendo papo, e daqui a pouco éramos cinco, seis, oito pessoas operando ao vivo”, explica.À medida que o mercado cresceu, esse modelo passou por um processo de profissionalização, deixando de ser apenas um grupo informal para se tornar um negócio estruturado. “Chegou um ponto que a gente falou, cara, tem um modelo de negócio aí, podemos fazer trader e cobrar das pessoas que queiram nos assistir”, afirma.Como consequência, a entrada das salas dentro de corretoras ampliou o alcance e consolidou esse formato como parte relevante do ecossistema trader no Brasil. “Eu aceitei esse desafio e a gente montou a primeira sala ao vivo dentro de uma corretora para ensinar os clientes a operar”, conclui.Atalho na práticaDo ponto de vista educacional, as salas ao vivo passaram a desempenhar um papel estratégico na formação do trader, especialmente ao reduzir a distância entre teoria e prática — um dos principais gargalos para quem busca consistência no mercado.Na prática, a observação em tempo real do comportamento de um trader experiente permite ao iniciante entender não apenas as entradas, mas também a gestão emocional e o controle de risco durante diferentes cenários de mercado. “A teoria sobre como funciona a análise técnica, como é um bom gerenciamento de risco, ela é simples de entender. Agora, ela é dificílima de se aplicar”, afirma.Em suma, o ambiente ao vivo funciona como uma imersão operacional, permitindo que o trader acompanhe decisões reais e entenda como ajustes são feitos ao longo do pregão. Isso reduz o tempo de aprendizado e evita erros recorrentes no início da jornada. “É como se fosse um atalho que você pega, vendo exatamente com aquele cara que já tem muita experiência o que funciona”, explica.Dessa forma, mais do que ensinar setups, o modelo contribui diretamente para o desenvolvimento comportamental, elemento central para a sobrevivência no mercado. “É como se você fosse aprender sobre cirurgia, mas auxiliado por um cirurgião que tem muita experiência”, compara.Filtros essenciaisApesar da popularização das salas ao vivo, a escolha de um mentor exige critérios claros, principalmente em um ambiente cada vez mais saturado por promessas irreais e abordagens inconsistentes.Em primeiro lugar, o trader deve avaliar a promessa apresentada. Modelos que garantem ganhos constantes ou resultados elevados tendem a não se sustentar no longo prazo, aumentando o risco de frustração e prejuízo. “A promessa de ganho sempre, ganho todo dia, ganho 10% ao mês. É uma promessa que não se sustenta”, alerta.Além disso, é fundamental observar se o profissional executa, na prática, aquilo que ensina. A coerência entre discurso e operação é essencial para construir confiança e gerar aprendizado consistente. “Você precisa encontrar alguém que execute aquilo que ele fala, que ele faz”, destaca.Por fim, a compatibilidade de perfil entre mentor e aluno se torna um fator decisivo. Estratégias eficazes para um trader podem não funcionar para outro, dependendo do estilo operacional e da tolerância ao risco. Dessa forma, a escolha passa por um processo progressivo de filtragem, no qual o trader precisa separar promessas vazias, validar execução prática e, por fim, identificar alinhamento de perfil.“Eu acho que esses são os três obstáculos. Primeiro, separar na peneira o que é ruim, do que é algo que pode ter fundamento. Em seguida passa em uma peneira mais fina, separando aquilo que era uma promessa e virou realidade. E o terceiro, a peneira ainda mais fina, é o cara que executa exatamente aquilo que ele combinou, mas que atenda ao teu perfil”, conclui Moraes.Confira mais conteúdos sobre análise técnica no IM Trader. Diariamente, o InfoMoney publica o que esperar dos minicontratos de dólar e índice. The post Como um trader alcançou 47 pregões positivos seguidos no day trade appeared first on InfoMoney.

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