Na próxima quarta-feira (dia 13), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vai se reunir para decidir se mantém ou não a suspensão da produção de parte dos produtos da Ypê na fábrica de Amparo, no interior de São Paulo. A informação foi divulgada por Leandro Pinheiros Safatle, diretor da Anvisa, em entrevista ao Fantástico, da TV Globo:— A Anvisa segue a ciência e melhor tecnologia. E é assim que ela faz esse processo, de forma rotineira. E damos direito à ampla defesa à empresa. Foi feito agora (sexta-feira), com suspensão desse efeito, só que nós vamos analisar essa questão de forma definitiva na quarta-feira, na reunião de colegiado da Anvisa — afirmou Safatle.A Ypê teve 25 produtos, das linhas de detergentes, sabão em pó e desinfetante, suspensos pela Agência Nacional de Vigilância (Anvisa) e pela Vigilância Sanitária de São Paulo na última quinta-feira.A empresa entrou com recurso contra a medida, o que suspendeu os efeitos da decisão até avaliação do colegiado. Ainda assim, a Ypê preferiu interromper a produção na unidade de Amparo (SP) para acelerar o cumprimento das medidas exigidas pelas autoridades sanitárias.“[…] faz-se necessário destacar com gravidade que a empresa entre dezembro de 2025 e abril de 2026 obteve resultados fora de especificação microbiológica […], incluindo resultados positivos para Pseudomonas aerugiosas em 80 lotes de produtos acabados. Esses lotes não foram reprovados pelo controle de qualidade e estão armazenados no almoxarifado de produtos acabados aguardando por uma definição financeira”, diz trecho da nota da Anvisa sobre a interdição na fábrica. O documento foi revelado pelo Fantástico.Leia tambémDólar hoje avança com incertezas sobre guerra no IrãPetróleo voltou a subir após Trump rejeitar proposta de paz do IrãOntem, a Ypê afirmou que reforçou a capacidade de atendimento do Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) e que pretende concluir “nos próximos dias” mais uma etapa do plano de ação voltado à adequação sanitária da unidade industrial.Veja a cronologia do caso.Fiscalização em novembro de 2025Recall voluntário em novembro de 2025Nova inspeção em abril de 2026Maio de 2026O que acontece agora?O que diz a empresa?Fiscalização em novembro de 2025Um dos primeiros alertas sanitários envolvendo a Ypê ocorreu em novembro de 2025, após uma fiscalização na fábrica da empresa em Amparo, no interior de São Paulo. A unidade pertence à Química Amparo, dona da marca Ypê, que possui outras cinco fábricas no país, localizadas em Salto (SP), Simões Filho (BA), Anápolis (GO), Goiânia (GO), Itajubá (MG) e Itapissuma (PE).Na ocasião, fiscais identificaram a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em amostras de produtos fabricados naquele ano. O micro-organismo não é considerado altamente contagioso, mas pode representar risco para pessoas imunossuprimidas. A bactéria é frequentemente associada a infecções hospitalares, sobretudo pulmonares, e pode afetar pacientes com fibrose cística.Segundo o Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo (CVS-SP), a inspeção encontrou falhas nas boas práticas de fabricação, incluindo problemas documentais e deficiências de higiene e limpeza nas áreas produtivas. Fiscais relataram acúmulo de sujeira, poeira sobre máquinas e tubulações e condições inadequadas de limpeza dentro da unidade.Leia tambémCuba faz exercícios militares em meio à escalada de tensão com governo TrumpO movimento ocorre em meio à intensificação da retórica de Washington contra HavanaAs autoridades sanitárias passaram ainda a investigar a origem da possível contaminação da água utilizada no processo produtivo. Segundo o CVS, em episódios semelhantes registrados em outras empresas, problemas estruturais em sistemas de escoamento de esgoto chegaram a contaminar reservatórios de água usados na fabricação de produtos.Recall voluntário em novembro de 2025Após a primeira fiscalização, a Ypê realizou um recall voluntário de lotes específicos de produtos da linha Tixan Ypê e Ypê Power Act.Foram incluídos no recolhimento os produtos “Lava Roupas Líquido Tixan Ypê” versão Primavera (lotes 254031 e 193021), versão Maciez (lote 97021), “Lava Roupas Líquido Tixan Ypê Express” nas versões “Combate Mau Odor” (lotes 176011, 228011, 205011, 203011 e 169011) e “Cuida das Roupas” (lotes 181011, 170011 e 220011), além do “Lava Roupas Líquido Ypê Power Act” (lotes 228031, 190021 e 223021).Na época, as informações constavam em uma página específica no site da empresa voltada ao recall dos produtos. Atualmente, o endereço passou a concentrar informações sobre a nova decisão da Anvisa e os esclarecimentos da companhia sobre o caso.Nova inspeção em abril de 2026Entre novembro de 2025 e abril deste ano, parte dos lotes produzidos pela empresa chegou a ser liberada após testes sanitários considerados satisfatórios. Segundo o CVS-SP, alguns produtos apresentaram resultados aparentemente adequados nas análises realizadas após a primeira intervenção sanitária.A situação mudou após uma nova inspeção conduzida entre os dias 27 e 30 de abril deste ano pela Anvisa, pelo CVS-SP e pela Vigilância Sanitária de Amparo. Durante a fiscalização, foram novamente identificados indícios de contaminação microbiológica e descumprimentos considerados graves nas boas práticas de fabricação.Leia tambémTrump rejeita nova proposta de paz do Irã e chama oferta de “totalmente inaceitável”Em meio a um cessar-fogo frágil e ataques com drones no Golfo, Trump descartou a oferta iraniana sobre urânio enriquecido e reabertura do Estreito de OrmuzDe acordo com os fiscais, a unidade voltou a apresentar problemas de higiene e limpeza nas áreas produtivas. As equipes relataram acúmulo de sujeira no piso, além de poeira sobre máquinas e tubulações.Segundo a Anvisa, os problemas encontrados comprometem os requisitos essenciais das Boas Práticas de Fabricação (BPF) de saneantes e indicam risco sanitário, com possibilidade de presença de micro-organismos patogênicos nos produtos.Diante da reincidência, a Anvisa determinou não apenas a retenção de produtos, mas também a interrupção de uma linha de produção da fábrica de Amparo. A área interditada tem capacidade anual para fabricar 23 mil toneladas de detergente e 33 mil toneladas de lava-roupas líquido.A agência não informou quantas unidades precisarão ser recolhidas do mercado, mas a medida atinge produtos fabricados entre abril e setembro de 2025.Apesar da repercussão, a determinação da Anvisa envolve 25 produtos específicos , entre as centenas de produtos do portfólio da Ypê. A empresa possuí 450 produtos distribuídos em 23 categorias de higiene e limpeza e é líder em segmentos do mercado brasileiro.Maio de 2026Na quinta-feira, 7 de maio, a Anvisa publicou resolução determinando o recolhimento de produtos fabricados em lotes terminados em “1”, além da suspensão da fabricação e comercialização de itens das categorias lava-louças, lava-roupas líquidos e desinfetantes produzidos na linha afetada.No dia seguinte, 8 de maio, a Ypê informou ter apresentado recurso administrativo contra a decisão da agência. Segundo a empresa, o objetivo é apresentar esclarecimentos adicionais e subsídios técnicos sobre o caso. A companhia também afirma possuir análises e laudos independentes que sustentariam a segurança dos produtos.Com a apresentação do recurso, os efeitos da resolução foram automaticamente suspensos até nova manifestação da Anvisa, conforme prevê a RDC nº 266/2019 da agência.Leia tambémBrasil teve uma morte confirmada por hantavírus em 2026Caso não tem relação com o surto em andamento no cruzeiro; doença não é nova e provoca de 10 mil a 100 mil infecções anualmente pelo mundoApesar disso, a Anvisa informou que continua recomendando que consumidores não utilizem os produtos incluídos na resolução até a conclusão da análise pela diretoria colegiada da agência, prevista para ocorrer nos próximos dias.O que acontece agora?O auto de infração relacionado ao caso foi lavrado pela prefeitura de Amparo, responsável pela coordenação local das ações sanitárias em conjunto com os órgãos estadual e federal.Segundo autoridades sanitárias, a empresa terá prazo de dez dias para apresentar argumentos técnicos e um plano de ação capaz de demonstrar a correção dos problemas identificados.— Se o recurso não apresentar argumentos suficientes para negar a violação das boas práticas de produção identificadas pela Anvisa, é possível que se determine uma multa — disse o secretário de comunicação de Amparo, Luiz Crescenzo.Entre as medidas esperadas estão investigações sobre a origem da contaminação, revisão dos sistemas de tratamento de água, adequação de processos de higienização, treinamento de funcionários e reforço das práticas de controle de qualidade.De acordo com o CVS-SP, a linha de produção interditada só poderá voltar a operar após a comprovação de que os problemas sanitários foram efetivamente solucionados.A Anvisa informou ainda que a diretoria colegiada da agência deve analisar o recurso apresentado pela empresa nos próximos dias.O que diz a empresa?Em comunicado divulgado este sábado, a Ypê informou que que manteve “suspensa as linhas de produção da sua fábrica de líquidos desde a última quinta-feira, responsáveis pela fabricação dos produtos lava-roupas líquido, lava-louças líquido e desinfetantes de número de lote final 1 (um)”.A empresa afirma ainda que continuou sem produzir na unidade, mesmo tendo obtido o efeito suspensivo da medida da Anvisa no recurso que impetrou na sexta-feira. O objetivo, segundo nota da fabricante, é “acelerar o cronograma e a conclusão de medidas apontadas pela Anvisa durante a última fiscalização”.A Ypê afirmou na sexta-feira que manterá “diálogo constante e permanente com a Anvisa e demais autoridades”, reiterando seu “compromisso de 75 anos com a qualidade, a segurança e a transparência”. Segundo a empresa, a atuação será baseada em “critérios científicos e subsídios técnicos” para buscar “uma solução definitiva para a situação, no menor tempo possível”.Leia tambémBriga por vaga ao Senado expõe racha entre bolsonaristas em São PauloBate-boca por chapa ao Senado em SP contrapõe Salles e Constantino a Eduardo Bolsonaro e FriasQuais são os produtos e lotes que a Anvisa não recomenda o uso? Como identificar?A recomendação da Anvisa é que consumidores suspendam imediatamente o uso de detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes da marca cujos lotes terminem com o número 1. Segundo a agência, apenas os lotes com final 1 dos produtos listados na Resolução nº 1.834/2026 estão afetados. O número do lote pode ser identificado na embalagem do produto.A medida envolve os seguintes itens:Lava-louças Ypê Clear CareLava-louças com Enzimas Ativas YpêLava-louças YpêLava-louças Ypê Toque SuaveLava-louças concentrado Ypê GreenLava-louças Ypê ClearLava-louças Ypê GreenLava-roupas líquido Tixan Ypê Combate Mau OdorLava-roupas líquido Tixan Ypê Cuida das RoupasLava-roupas líquido Tixan Ypê AntibacLava-roupas líquido Tixan Ypê Coco e BaunilhaLava-roupas líquido Tixan Ypê GreenLava-roupas líquido Ypê ExpressLava-roupas líquido Ypê Power ActLava-roupas líquido Ypê PremiumLava-roupas Tixan MaciezLava-roupas Tixan PrimaveraDesinfetante Bak YpêDesinfetante de uso geral AtolDesinfetante perfumado AtolDesinfetante Pinho YpêLava-roupas Tixan Power Act The post Anvisa se reúne quarta-feira para revisar interdição em fábrica da Ypê appeared first on InfoMoney.
