Fim da “taxa das blusinhas”: varejistas da B3 mudaram, mas como ainda serão afetadas?

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Na última terça-feira (12), o governo eliminou a tarifa federal de 20% sobre compras internacionais abaixo de US$ 50, revertendo a tributação implementada em 2024 e reduzindo novamente o custo das compras cross-border. Antes da tributação, os volumes importados superavam 18 milhões de encomendas mensais no Brasil, caindo para cerca de 11 milhões após a implementação do imposto e posteriormente se recuperando para a faixa de 15–17 milhões. O imposto federal havia sido introduzido atendendo a solicitações de grupos industriais e varejistas nacionais preocupados com a assimetria tributária em relação a produtos importados vendidos por meio de plataformas online.A visão geral dos analistas é de que a retirada da tarifa tende a acelerar novamente a penetração de plataformas asiáticas como Shopee, Shein e Temu, principalmente em categorias como vestuário, acessórios, beleza e itens para casa. Assim, conforme ressalta o Bradesco BBI, a flexibilização das condições de concorrência é naturalmente negativa para os varejistas locais, principalmente para aqueles mais voltados para esse segmento de preço.As varejistas de vestuário de renda média – como é o caso da C&A (CEAB3), Lojas Renner (LREN3) e Riachuelo (RIAA3) devem ser as mais impactadas e enfrentar volatilidade em seus preços. O JPMorgan também avalia que a remoção do imposto é negativa para os varejistas de vestuário de sua cobertura, prejudicando a receita bruta e aumentando a pressão competitiva e espera que a participação de mercado fique sob pressão.Empresas também mudaram…No curto prazo, os analistas do BBI acreditam que o impacto para os players locais (redução média de 1,0% na receita bruta para os varejistas de vestuário, segundo a projeção do banco) parece administrável, visto que as empresas são operacionalmente mais eficientes em comparação com 2024 e as plataformas transfronteiriças (como a Shein) parecem ter perdido força significativa nos últimos dois anos. Para o Mercado Livre (BDR: MELI34), a operação de cross-border trade (operação de vendas em que o produto é comprado em um site/plataforma no Brasil, mas é importado diretamente do exterior) ainda está em estágio inicial no Brasil, com penetração limitada no GMV (Volume Bruto de Mercadorias), mas essa medida pode, em última análise, ser usada como alavanca para acelerar/promover uma iniciativa na qual a empresa já está investindo.O BTG também aponta que as varejistas locais como Renner, C&A e Riachuelo melhoraram fornecimento, gestão de estoques, remarcação e estrutura de preços ao longo de 2024 e 2025. Ainda assim, pesquisas proprietárias mostram que a Shein continua operando com preços inferiores aos varejistas domésticos. Leia também“Retrocesso” e “empregos ameaçados”: entidades reagem ao fim da “taxa das blusinhas”Associações que representam indústria e comércio alegam que as empresas nacionais sofrem competição desleal por conta da carga tributária e alertam para risco de perdas de empregosAlém disso, a penetração cross-border também avançou em segmentos como eletrônicos, decoração, produtos esportivos e FMCG (bens de consumo rápido). “O cenário permanece negativo para varejistas locais devido às vantagens competitivas de plataformas internacionais, embora o setor esteja operacionalmente mais preparado do que durante o pico de pressão competitiva em 2023–2024”, aponta o banco. Já o JPMorgan pondera que a Medida Provisória remove apenas o imposto federal de aproximadamente 20%, enquanto a cobrança do ICMS pelos estados permanece – vale lembrar que dez estados aumentaram o ICMS sobre essas compras de 17% para 20%.Assim, destaca que (1) o setor não está retornando a um cenário de tributação praticamente zero, como era no passado, quando a regulamentação era frouxa e a auditoria de importações era mínima e (2) também acredita que os varejistas locais estão em melhor posição desta vez para enfrentar a concorrência, apresentando preços assertivos, estoque renovado e uma estrutura de suporte mais desenvolvida. Ou seja, a Renner já migrou completamente para o Centro de Distribuição (CD) de Cabreúva, a Riachuelo melhorou significativamente a eficiência de suas fábricas, a C&A descontinuou a produção de eletrônicos, entre outras. Queda das taxas já precificadaO Goldman Sachs também destaca que as operações das varejistas aprimoraram significativamente sua proposta de valor nos últimos anos, reduzindo os prazos de entrega e encurtando os ciclos de produtos, diminuindo a diferença para os concorrentes transfronteiriços. Além disso, acredita que as plataformas transfronteiriças podem não desfrutar do mesmo grau de “efeito novidade” que tinham quando iniciaram suas operações no Brasil.Já em termos de reações das ações, conversas que os analistas do banco tiveram nos últimos meses sugerem que os investidores já estavam monitorando de perto o risco potencial da eliminação dos impostos federais de importação sobre importações de baixo valor. Leia também“DOU” extra traz MP que isenta tributação para compras internacionais até US$ 50A MP foi assinada no início desta noite pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em cerimônia no Palácio do PlanaltoAlém disso, notícias veiculadas durante o pregão de 6 de maio sugeriram que membros da oposição haviam obtido o número necessário de assinaturas para acelerar a votação de um projeto de lei que visava eliminar esse imposto de importação específico. Desde então, as ações LREN3 e CEAB3 caíram 9% e 15%, respectivamente (contra -4% do Ibovespa). “Portanto, embora acreditemos que ambas as ações possam ter um desempenho inferior na próxima sessão de negociação em função das notícias, consideramos que a maior parte do risco de queda já estava precificada”, avalia. The post Fim da “taxa das blusinhas”: varejistas da B3 mudaram, mas como ainda serão afetadas? appeared first on InfoMoney.

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