Os analistas do Citi cortaram nesta quarta-feira (13) a recomendação das ações do Mercado Livre (NASDAQ: MELI; BDR: MELI34) de compra para neutro, logo após a divulgação de resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26) que vieram abaixo das expectativas do mercado. A instituição financeira também revisou para baixo o preço-alvo dos papéis, que passou de US$ 2.200 para US$ 1.950 para 2026, o que reflete uma visibilidade reduzida sobre a trajetória de lucratividade da companhia. Segundo os analistas, embora a empresa mantenha um crescimento excepcional, a dificuldade em modelar a inflexão das margens em meio ao atual ciclo de investimentos pesados equilibrou a relação entre risco e retorno.Ciclo de investimentos mais longo e intensoA mudança de visão dos analistas acontece em um momento em que o Mercado Livre prioriza a expansão em novas verticais de negócio, o que tem gerado pressão a mais na taxa de comissão e nos custos operacionais. “Em retrospectiva, subestimamos tanto a duração quanto a intensidade do ciclo de investimento”, diz relatório do Citi. Eles apontam que a gestão tem focado no fortalecimento de seu diferencial competitivo a longo prazo, mas isso tem sido feito às custas das margens de lucro no curto e médio prazo.Leia tambémIbovespa busca se sustentar acima dos 180 mil pontos, enquanto Petrobras pesaPreocupações sobre os efeitos da alta dos preços do petróleo na inflação continuam pairando sobre os negóciosDólar hoje sobe com exterior e pesquisa eleitoral no radarNa terça-feira, a moeda norte-americana à vista fechou o dia com leve alta de 0,08%, aos R$4,8949.O banco revisou suas projeções para a margem Ebit (Lucro antes de Juros e Impostos), que agora deve ficar abaixo de 8% ao longo de 2026 e 2027. O relatório destaca que a administração da companhia justificou o desempenho recente, afirmando que o primeiro trimestre deste ano reflete as escolhas da empresa em ajustar seus indicadores para priorizar o crescimento.Cortes nas estimativas de lucroO relatório também reforça que devido à maior intensidade de investimentos, principalmente em logística e na operação de crédito. O Citi cortou as estimativas de lucro líquido para o período entre 2026 e 2028 em até 22%. No braço financeiro, o Mercado Pago, houve um aumento significativo nas projeções para a carteira de crédito. Isso significa que a receita foi impulsionada, mas por outro lado, aumenta os custos de captação e a necessidade de provisões contra devedores duvidosos.No setor de comércio eletrônico, o banco elevou a projeção de crescimento do volume bruto de mercadorias (GMV) no Brasil para 35,8% em moeda local, e reduziu a estimativa para o México para 26,9%. Apesar desse avanço nas vendas, o custo de frete e a competição acirrada devem continuar pressionando o resultado final.Valuation e riscosMesmo com um potencial de alta de aproximadamente 23% em relação ao preço atual, o Citi prefere adotar uma postura cautelosa. O novo preço-alvo de US$ 1.950 foi calculado com base em modelos de fluxo de caixa descontado e na soma das partes do negócio. Os analistas acreditam que o mercado ainda pode realizar novas revisões negativas no consenso, já que as projeções do banco para o lucro líquido de 2027 e 2028 estão entre 11% e 12% abaixo da média de outras instituições.Atualmente, a ação é negociada a mais de 30 vezes o preço sobre lucro (P/E) estimado para 2027, patamar que o banco considera em linha com a média histórica, mas arriscado diante da “elevada incerteza em torno das margens” e da volatilidade do cenário competitivo.The post Citi corta recomendação de Mercado Livre após resultados do 1T26; veja motivos appeared first on InfoMoney.
