Mulheres são minoria entre influenciadores financeiros; mercado discute como avançar

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A presença feminina entre os criadores de conteúdo sobre finanças e investimentos no Brasil ainda é baixa — e recuou proporcionalmente nos últimos cinco anos. As mulheres representam hoje 14% dos 904 influenciadores monitorados pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), ante 15,5% em 2020.A queda na participação não ocorreu por redução no número absoluto de mulheres, mas porque a quantidade de homens cresceu em ritmo mais acelerado nesse universo. No período, o total de perfis acompanhados pela Anbima passou de 266, em 2020, para mais de 900 atualmente.O dado reforça um descompasso entre a presença feminina na sociedade, no mercado financeiro e na produção de conteúdo sobre investimentos.As mulheres chefiam mais da metade dos lares brasileiros, mas representam 35,4% dos profissionais do mercado de capitais, 20,8% das diretorias e apenas 5,4% dos cargos de presidência, segundo levantamento de diversidade da Anbima.Entre os investidores de renda variável, elas são 26%, e 55 mil mulheres entraram nesse mercado em 2025.Veja mais: Estudar fora sem pausar a carreira? Veja o diferencial que recrutadores buscam hojeE também: Ensino superior ainda não prepara alunos para uso crítico de IA, mostra pesquisaOs números foram discutidos em encontro promovido pela XP (XPBR31), em parceria com a Fin4She, para debater o protagonismo feminino no setor financeiro. O painel reuniu Amanda Brum, CMO da Anbima; Elisa Soares, chefe de reputação da XP; Clara Sodré, analista de fundos da XP; e Carolina Cavenaghi, fundadora da Fin4She.“Para crescer o número de influenciadoras, precisa crescer o número de mulheres no mercado”, afirmou Amanda Brum. “Tem que ter esse crescimento como um todo para que tenham mais criadoras.”A executiva da Anbima destacou que a mudança passa pela contratação de mais mulheres e pela formação de redes de apoio dentro do próprio mercado. “Na minha carreira, eu tive mais homens apoiadores do que mulheres. Toda vez que eu falo com o público feminino, eu falo: não sejam essas mulheres. Sejam as que apoiam, as que puxam a outra”, disse.Hoje, sua equipe é composta por 86% de profissionais femininas.Amanda Brum, CMO da Anbima; Elisa Soares, chefe de reputação da XP. Imagem: Divulgação/@skpicturesbrInteligência artificial já supera influenciadores como fontePela primeira vez desde que a Anbima realiza a pesquisa Raio X do Investidor, a inteligência artificial apareceu como referência para quase 11% das pessoas na hora de decidir um investimento – à frente dos influenciadores, citados por cerca de 7% dos brasileiros. Entre o público mais jovem, no entanto, o percentual que recorre aos criadores de conteúdo se aproxima de 20%. YouTube e Instagram lideram com folga como canais procurados para informação financeira no país, superando os meios tradicionais. Para Amanda Brum, a descentralização aumentou a responsabilidade de quem produz conteúdo. “O jornalismo é uma ciência, não é uma arte”, afirmou. “Hoje está totalmente descentralizado. Vocês falam praticamente olho no olho com os seguidores. É muito importante que sejam responsáveis com aquilo que estão transmitindo.”A executiva alertou para a quantidade de fraudes nas redes sociais ligadas a investimentos. “As promessas milagrosas, invariavelmente, são picaretagens. As pessoas, às vezes, caem porque querem cair, porque querem milagre. É como a pílula que emagrece dez quilos em uma semana”, disse. Ela ressaltou que muitos influenciadores atuam sem as certificações exigidas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pelo Banco Central.Amanda também mencionou os quatro projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional que tratam da responsabilização dos influenciadores. Um deles prevê que criadores de conteúdo nas áreas de saúde e finanças tenham certificação específica. A tendência, segundo ela, é que as empresas contratantes também respondam pelo conteúdo veiculado por perfis patrocinados.The post Mulheres são minoria entre influenciadores financeiros; mercado discute como avançar appeared first on InfoMoney.

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