Com a pré-candidatura ao governo do senador Sergio Moro (PL), a operação Lava-Jato virou tema central na corrida eleitoral do Paraná e serve como artilharia tanto na direita quanto na esquerda. De um lado, o ex-juiz aposta nas acusações levantadas contra o PT na época e em uma aliança com o ex-procurador Deltan Dallagnol (Novo), que foi coordenador da força-tarefa em Curitiba. Do outro, petistas exploram excessos cometidos pela operação e decisões anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). No meio da disputa, o governador Ratinho Junior (PSD), que desistiu de concorrer à Presidência, atua para eleger um sucessor, mas enfrenta dificuldades devido à concorrência de Moro.Cerca de 12 anos após o início das investigações, oficialmente encerradas em 2021, a lembrança das denúncias feitas ao longo da operação tem marcado presença no discurso de Moro, junto a menções a outros escândalos associados à esquerda.“Sinônimo de corrupção no Brasil é o PT: mensalão, petrolão, roubo dos aposentados e pensionistas do INSS, enquanto milhões de famílias estão endividadas”, escreveu o senador no X na última semana. Na mesma postagem, disse que seu projeto para o governo “envolve a criação de uma Agência Estadual Anticorrupção, com mandato fixo para o diretor”.Leia tambémPapel do Estado é proteger economia de choque do petróleo, afirma MercadanteSegundo o presidente do BNDES, diversos países têm adotado medidas para conter a alta dos combustíveisDe volta ao bolsonarismoPara viabilizar a candidatura, no início do ano, Moro trocou o União Brasil pelo PL, em uma reaproximação com o bolsonarismo. Ele foi ministro da Justiça do governo Bolsonaro, mas deixou o cargo após acusar o então presidente de tentar interferir politicamente na Polícia Federal em benefício de familiares.Reconciliado com o grupo político, Moro dará palanque para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Palácio do Planalto. Na composição de sua chapa, o ex-juiz puxou Dallagnol para disputar uma das vagas ao Senado. O ex-procurador se elegeu deputado federal em 2022, mas foi cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no ano seguinte. A Corte considerou que ele pediu exoneração do Ministério Público para evitar eventual punição administrativa, que poderia torná-lo inelegível. Agora, Dallagnol enfrenta questionamentos sobre sua elegibilidade.Já a esquerda lançou para o Senado a ex-ministra das Relações Institucionais do atual governo Lula e ex-presidente do PT, Gleisi Hoffmann, que foi alvo da da Lava-Jato. Gleisi chegou a ser ré no Supremo Tribunal Federal (STF), acusada de corrupção e lavagem de dinheiro junto ao ex-marido Paulo Bernardo, mas foi absolvida.Na pré-campanha, ela tem subido o tom contra o ex-juiz. Na semana passada, ao cobrar de Moro e Dallagnol uma reação crítica à revelação de que Flávio Bolsonaro pediu dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, classificou a postura dos dois como um “silêncio ensurdecedor”. Em outra ocasião, a ex-ministra atacou Moro por ter se comparado ao inconfidente mineiro Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.— Quem é Sergio Moro para falar de Justiça e de Tiradentes? Quem é ele para falar de um preso político da Coroa Portuguesa porque lutava pela soberania dos brasileiros? — disse. — Parece familiar? Sim, um jogo de cartas marcadas muito parecido com a farsa da Lava-Jato que Moro conduziu contra o presidente Lula, até no detalhe cruel de condenar sem provas, com base exclusiva numa delação muito bem premiada.Outro alvo da Lava-Jato, o ex-deputado federal André Vargas (PT) tentará novo mandato na Câmara. Enquanto vice-presidente da Casa em 2014, ele teve o mandato cassado e, no ano seguinte, foi preso por determinação de Moro. Depois foi absolvido de uma das ações no Tribunal Regional da 4.ª Região (TRF-4) e teve outras duas anuladas pelo STF, que declarou a 13ª Vara Federal de Curitiba incompetente para analisar o caso.— Eu me dispus a voltar à Câmara Federal neste ano por entender que eu posso concluir um trabalho que vinha fazendo, que fui retirado de forma violenta e injusta por uma perseguição judicial perpetrada pelo Sergio Moro — disse o ex-deputado.Na cabeça da chapa de esquerda estará o deputado estadual Requião Filho (PDT), que até o ano passado era filiado ao PT.— Esse é o único discurso que o Moro tem disponível. Ser anti-PT é a única fala dele, mesmo quando a Lava-Jato já foi exposta como uma operação que tinha lado — disse Requião Filho.Sucessão de Ratinho Jr.No meio da polarização, Ratinho Junior enfrenta o desafio de impulsionar um herdeiro político, já que está no final de seu segundo mandato e não pode disputar a reeleição. A pré-candidatura de Moro foi decisiva para ele desistir de concorrer ao Planalto e se dedicar à eleição local.Depois de meses de indefinição, enquanto o termômetro dos aliados no estado apontava para o ex-secretário das Cidades Guto Silva (PSD), o governador surpreendeu o seu grupo político ao indicar Sandro Alex (PSD), ex-secretário da Infraestrutura e Logística.Como mote de campanha, ele planeja se tornar conhecido como “o homem das obras de Ratinho” e tem acompanhado o governador em entregas de grande porte realizadas no estado, como a Ponte de Guaratuba, inaugurada no início deste mês e batizada como “Ponte da Vitória”. Ele planeja ainda colher dividendos da rodovia Perimetral Leste, construída no município de Foz do Iguaçu, e do pacote de concessões rodoviárias assinado no ano passado.Ao ser testado contra Moro na última rodada da pesquisa Genial/Quaest, feita duas semanas após ter a pré-candidatura anunciada, Sandro Alex registrou 5% das intenções de voto, enquanto o senador contabilizou 35%. Entre os dois, Requião Filho teve 18% e Rafael Greca (MDB), ex-prefeito de Curitiba e cotado para a vice na chapa de sucessão de Ratinho, pontuou 15%.The post Moro aposta em acusações da Lava-Jato contra PT, que revida críticas à operação appeared first on InfoMoney.
