O Goldman Sachs retomou a cobertura das três principais empresas de telecomunicações da América Latina, Telefônica Brasil (VIVT3), América Móvil, dona da Claro, e TIM (TIMS3), com uma visão construtiva para a dinâmica do setor, especialmente no segmento móvel, embora adote cautela em relação às avaliações das ações.Após a desconsolidação dos ativos da Oi (OIBR3) em 2022, o mercado brasileiro de telefonia móvel passou a operar como um “triopólio virtual”, com Vivo (VIVT3), Claro e TIM (TIMS3) controlando cerca de 98% dos clientes individuais.Segundo o banco, essa mudança levou a uma competição mais disciplinada, focada em agregar valor aos serviços por meio de benefícios como franquias adicionais de dados e serviços de streaming.Leia tambémDólar hoje cai mais de 1% com exterior, política local e dados de atividade no radarImpasse nas negociações de paz entre EUA e Irã segue no radar dos investidoresIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa cai e tenta sustentar os 176 mil pontosÍndices futuros dos EUA recuam após recordes da última semana Na avaliação do Goldman, esse movimento resultou em uma redução estrutural dos níveis de churn (cancelamento) e permitiu reajustes de ARPU (receita média por usuário) alinhados à inflação. Em contrapartida, o banco vê forte competição no mercado de banda larga fixa, que permanece mais fragmentado devido à atuação de diversas empresas regionais, pressionando a dinâmica de ARPU e indicando potencial para novas fusões e aquisições.O banco também destaca que decisões de alocação de capital devem continuar no foco dos investidores, seja por meio de remuneração aos acionistas ou aquisições, diante dos balanços desalavancados das companhias. Apesar da visão positiva para a racionalidade de preços do setor e para a forte geração de caixa, o Goldman observa que as ações da América Móvil, Telefônica Brasil e TIM acumularam retornos totais ao acionista de 64%, 63% e 78%, respectivamente, desde o início de 2025, acima dos índices do México e do Brasil, o que pressionou as avaliações do setor e levou o banco a uma postura mais seletiva.Por volta das 11h20, as ações da Vivo caíam 1,21%, a R$ 35,09, enquanto TIMS3 recuava 0,14%, a R$ 22,16.Vivo (VIVT3)Mesmo reconhecendo a força da marca Vivo e o posicionamento sólido no setor, o Goldman recomenda venda do papel da Telefônica Brasil, com preço-alvo de R$ 36,50, diante da expectativa de desaceleração do fluxo de caixa livre nos próximos anos e de uma avaliação considerada comprimida sob diferentes métricas.O banco aponta que uma execução mais forte da estratégia de bundling, crescimento do segmento B2B e maior agressividade na remuneração aos acionistas poderiam levar a uma visão mais positiva.O banco destaca que a Vivo negocia a um yield de fluxo de caixa livre (FCF) estimado para 2026 de 8,6%, patamar que cairia para 7,6% ao excluir efeitos não recorrentes ligados à venda de cobre e imóveis. O múltiplo segue abaixo dos 10,8% estimados para a TIM, principal comparável local.Apesar da expectativa de diluição dos investimentos (capex) e dos pagamentos de leasing como proporção da receita, o Goldman projeta uma moderação na geração de fluxo de caixa livre diante da desaceleração das receitas, refletindo a elevada penetração no segmento móvel e espaço mais limitado para migração de clientes para planos pós-pagos, além de um ambiente competitivo mais desafiador na banda larga fixa.O banco estima crescimento do fluxo de caixa livre de 8% e 11% em 2026 e 2027, respectivamente, abaixo dos 14% e 12% observados em 2024 e 2025, desconsiderando receitas extraordinárias com venda de ativos.TIM (TIMS3)Já para a TIM, o Goldman mantém posição neutra e preço-alvo de R$ 24,80, devido à menor assimetria de lucros esperada, embora destaque o dividend yield mais elevado frente à Vivo, estimado em 9,7% para 2026, contra 7,1% da rival.Segundo o banco, o principal atrativo da tese de investimento da TIM está na forte perspectiva de remuneração aos acionistas, apoiada pela expansão do retorno total ao acionista, que passou de R$ 1 bilhão em 2021 para R$ 4,7 bilhões em 2025. O Goldman projeta que esse valor continue crescendo e alcance R$ 6,6 bilhões em distribuições até 2028, o equivalente a um dividend yield de cerca de 12% nos preços atuais, sustentado pela forte geração de caixa.O banco avalia que a TIM negocia a múltiplos mais atrativos do que a Telefônica Brasil (VIVT3), tanto em termos de preço sobre lucro, de 12 vezes para 2026 ante 14,7 vezes da Vivo, quanto em taxa interna de retorno, estimada em 11,4%, frente a 9,1% da rival.Apesar disso, o Goldman optou por não atribuir recomendação de compra devido aos desafios estruturais enfrentados pela TIM no contexto da convergência do setor no Brasil. Com menos de 2% dos assinantes de banda larga fixa do país, a companhia consegue ofertar seu produto combinado de fibra e pós-pago em menos localidades do que Vivo e Claro, o que, na visão do banco, ajuda a explicar a dificuldade recente da empresa em acelerar a adição líquida de clientes móveis.O Goldman acredita que a TIM possui um caminho claro para destravar crescimento do fluxo de caixa livre e ampliar a remuneração aos acionistas nos próximos anos. O banco destaca os programas de eficiência operacional implementados pela companhia e a renegociação de contratos de aluguel de torres, incluindo acordos com a American Tower e negociações com outras empresas do setor, como fatores que devem contribuir para uma expansão de 0,7 ponto percentual nas margens EBITDA após leasing em 2026 e 2027.Por outro lado, o banco afirma não esperar grandes surpresas operacionais em 2026, uma vez que a companhia já divulgou guidance para o ano, ancorando as expectativas do mercado para crescimento de receitas móveis, rentabilidade e dividendos.O Goldman considera as metas factíveis, citando guidance de crescimento de 5% para receitas móveis, em linha com o ano anterior, sustentado por reajustes de preços próximos da inflação e pela migração gradual de clientes para planos de maior valor agregado.ClaroPor outro lado, o banco tem recomendação de compra para América Móvil sustentada no momento operacional positivo, especialmente no México e no Brasil, o que pode ser reforçado pela integração da aquisição anunciada da empresa brasileira de fibra Desktop. O banco também cita o processo de desalavancagem, que pode abrir espaço para novas decisões de alocação de capital, tanto em M&A quanto em remuneração aos acionistas, além de múltiplos considerados alinhados ao prêmio histórico da companhia frente às pares brasileiras.The post Goldman Sachs recomenda vender ações da Vivo e ficar “neutro” em TIM; entenda appeared first on InfoMoney.
