Fazer um curso executivo no exterior já não é mais um “selo” reservado a CEOs e cargos de liderança. Hoje, profissionais em fase de aceleração de carreira passaram a buscar esse tipo de formação justamente para enfrentar um mercado mais competitivo e globalizado.Segundo Betina Wecker, cofundadora e CRO da Appmax, o perfil de quem procura programas internacionais ficou mais amplo nos últimos anos. “Vemos uma demanda crescente de gerentes de produto, líderes técnicos, especialistas em dados e IA, além de profissionais de operações e finanças”, afirma. Em muitos casos, a decisão surge justamente em momentos de transição ou crescimento profissional, quando o profissional sente necessidade de expandir referências e desenvolver uma visão mais estratégica da carreira.Ainda assim, a percepção de que esse tipo de formação é “coisa para executivos” continua afastando muita gente. “Há profissionais que se autocensuram antes mesmo de pesquisar opções”, diz Betina. Para ela, a ideia de que cursos internacionais são inacessíveis ou incompatíveis com quem ainda está construindo trajetória já não corresponde à realidade. Hoje existem programas de curta duração, formatos híbridos e opções mais flexíveis financeiramente, voltadas justamente a quem busca crescimento profissional sem necessariamente ocupar cargos de liderança.Baixe o guia gratuito para estudar no exterior e obter um certificado internacional para impulsionar a sua carreira.O que as empresas buscam em quem investe em formação executiva lá fora?Para Betina, muitas empresas passaram a olhar menos para o certificado em si e mais para o que esse movimento revela sobre o profissional. “Uma formação internacional sinaliza que esse profissional não buscou só conteúdo, mas também se expor a desafios”, afirma. Para ela, isso aparece de forma concreta no dia a dia das empresas: na maneira como o profissional interpreta problemas, traz referências para discussões e adapta soluções vistas em outros mercados para a realidade local.E isso é especialmente valioso nas empresas em crescimento, justamente porque as companhias procuram quem é capaz não apenas de executar tarefas, mas também de ajudar a construir processos, estruturar áreas e acelerar inovação.Foi o caso de Ana Cacheta, que lidera times multidisciplinares de tecnologia na Appmax. Segundo Betina, Ana buscou por iniciativa própria uma mentoria com Ryan Singer, autor do framework Shape Up e ex-Head of Strategy da Basecamp. A experiência ajudou a adaptar a metodologia à rotina da empresa e tornou o desenvolvimento de produtos mais colaborativo entre áreas como Produto, UX e Engenharia.Outro exemplo é o de Fernando Muller, responsável pela infraestrutura e automação de engenharia de software na empresa. Ele investiu em certificações internacionais online e, a partir disso, acelerou a aplicação prática de tecnologias ligadas a IA e automação dentro da área. “Isso contribuiu para que ele se consolidasse como referência técnica e passasse a liderar iniciativas de inovação”, diz.Nos dois casos, o movimento partiu dos próprios profissionais. Ainda assim, a Appmax decidiu apoiar financeiramente esse desenvolvimento porque entende que o retorno aparece diretamente no negócio. “Um profissional mais qualificado entrega mais, justifica uma remuneração maior, e isso se traduz em crescimento para a empresa”, afirma a CRO. “É um ciclo que só funciona se a empresa não tiver medo de investir.”Qual o momento certo para investir em uma formação executiva internacional?Muita gente começa a pensar em um curso executivo no exterior apenas quando sente que a carreira travou. Mas o momento ideal vem bem antes disso, pois esse tipo de formação funciona como preparação para o próximo passo da carreira, avalia Betina.Na visão da executiva, existe um sinal comum entre profissionais que tiram esse plano do papel: ambição de crescimento. “Se você tem clareza de onde quer chegar nos próximos dois ou três anos e sente que o repertório atual não é suficiente para chegar lá, esse é o momento”, diz.Betina destaca ainda que a principal diferença da experiência internacional está no contato com profissionais de diferentes países, culturas e visões de negócio. Segundo ela, essa convivência amplia referências e ajuda a desenvolver uma visão mais estratégica dentro das empresas.“A responsabilidade pela carreira vai ser sempre do profissional, pois ninguém vai buscar isso por você”, afirma. Ao mesmo tempo, ela avalia que as empresas também erram ao evitar esse tipo de investimento por medo de perder talentos.“Quem não investe no próprio time acaba perdendo de outra forma: pela estagnação, pelo desengajamento ou pela saída de quem foi buscar fora o que não encontrou dentro”, conclui.The post Não apenas para CEOs: para quem é um curso executivo no exterior? Veja dicas appeared first on InfoMoney.
