Galípolo pede ‘pelo amor de Deus’ por aprovação de projeto de autonomia do BC

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O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo fez um apelo hoje para que o Congresso Nacional aprove o projeto de lei que prevê autonomia financeira para o Banco Central (BC). O relatório da PEC deve ser apresentado pelo relator, senador Plínio Valério (PSDB-AM) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado nesta quarta.Galípolo compareceu à uma sessão da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado na manhã desta terça.Diante da pressão dos questionamentos de senadores sobre eventuais falhas de fiscalização no caso Master, Galípolo pediu “pelo amor de deus” para que o Congresso aprove o projeto que prevê autonomia financeira para o BC, que daria maior liberadade para a autoridade direcionar recursos ao setor.Leia tambémGalípolo: Selic está restritiva, mas economia segue resiliente e IPCA, pressionadoO presidente do BC afirmou que, em sua visão, o desafio desta geração é normalizar canais de transmissão da política monetária e fiscalGalípolo: BC tem juros mais altos que pares, mas inflação supera metaSegundo o presidente do Banco Central, os últimos quatro grandes choques de oferta (covid, guerra da Ucrânia, tarifas e, agora, Oriente Médio) aumentaram os preços e colocaram novos desafios— Se o Senado quer realmente ajudar a governança do Banco Central, pelo amor de Deus, aprova o PLP que está há dez anos na Câmara de dar autonomia para o Banco Central, que o Banco Central da Nigéria tem, o do México tem, a da Inglaterra tem, a da Portugal tem, todos esses bancos centrais têm recursos para poder competir com o sistema financeiro que tem muito recurso. Então, a melhor ajuda que eu posso ter. Depois da governança, o que eu posso fazer? Automatizar processos e botar mais gente — argumentou o presidente do BC.O relatório a ser apresentado tenta reduzir resistências do governo ao reforçar o caráter público do BC e incluir um dispositivo que blinda o Pix na Constituição. O texto estabelece que compete exclusivamente ao Banco Central regular e operar o sistema de pagamentos instantâneos, vedando sua transferência a entes públicos ou privados.Na sessão desta terça, Galípolo afirmou que a instituição não negociária “nada em seu mandato”, e disse temer que a autoridade monetária seja punida pelo Congresso em reação às suas decisões mais recentes.— O Banco Central não vai botar para jogo seu mandato, não vai negociar em nada seu mandato. O meu receio é que o fato do BC não negociar seu mandato faça o BC ser asfixiado porque não entra no jogo político, ou quiçá, um dia, possa ser comandado por alguém que tope. Qualquer uma das duas situações é gravíssima — disse o presidente do BC.Ele ainda relembrou que, no ano passado, líderes de partidos do Centrão da Câmara dos Deputados assinaram requerimento de urgência para acelerar a tramitação de um projeto que permitia ao Congresso destituir presidentes e diretores do Banco Central. O movimento aconteceu em setembro, em meio às pressões por aprovação da compra do Banco Master pelo BRB.— Coincidentemente na semana que o BC rejeitou a compra do BRB foi colocada uma proposta de voto para poder mandar embora o presidente do BC e dos diretores — afirmou.Leia tambémGalípolo diz que Pix ampliou uso bancarização e nega disputa com emissoras de cartãoPresidente do BC afirma que sistema de pagamentos instantâneos ajudou a bancarizar brasileiros e impulsionou acesso ao créditoResistência do governoApesar dos ajustes, integrantes da equipe econômica seguem contrários ao avanço da proposta em ano eleitoral. A avaliação no entorno do ministro da Fazenda, Dario Durigan, é que a discussão tem potencial de ampliar ruídos institucionais num momento de fragilidade política do governo.Nos bastidores, líderes do Senado já trabalham com um pedido de vista após a leitura do parecer, prevista para quarta-feira, o que deve empurrar a votação para as próximas semanas.O texto mantém a previsão de autonomia técnica, operacional, administrativa, orçamentária e financeira para o Banco Central, além da possibilidade de a própria instituição elaborar e executar seu orçamento fora da Lei Orçamentária Anual (LOA). Também cria um regime jurídico próprio para o BC, definido como corporação integrante do setor público financeiro.Sessão no SenadoA princípio, a ida de Galipolo estava marcada para terça passada. Porém, o presidente do BC cancelou o compromisso após uma indisposição de saúde, segundo a assessoria.O regimento do Senado define que o presidente do BC deve prestar contas ao Congresso até quatro vezes ao ano. Na ocasião, Galípolo apresentou detalhes do cenário econômico brasileiro, explicar as recentes decisões sobre a Selic, taxa básica de juros, e perspectivas para a inflação. The post Galípolo pede ‘pelo amor de Deus’ por aprovação de projeto de autonomia do BC appeared first on InfoMoney.

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