Aliados de Flávio admitem rever apoio à candidatura se surgirem fatos sobre Master

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Embora aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sigam defendendo publicamente que o senador permanece como candidato do PL ao Planalto e tentem transmitir normalidade diante da crise envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, nos bastidores o clima é outro. Interlocutores do senador e da pré-campanha já admitem reservadamente que podem rever o apoio ao lançamento do presidenciável caso surjam novas revelações de impacto. A forma de financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre a campanha presidencial de 2018 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), assim como a extensão da relação entre o parlamentar e banqueiro, ainda geram receio entre os colegas.  Segundo relatos feitos ao GLOBO, a avaliação interna é que a candidatura de Flávio passaria a ser considerada “inviabilizada” se aparecerem fatos que contradigam a versão de que sua relação com o dono do Banco Master esteve restrita exclusivamente ao longa-metragem.O entendimento entre parte de aliados próximos é que a candidatura de Flávio “subiria no telhado” caso apareçam novos episódios fora do contexto do filme — o que vem sendo usado pelo senador como justificativa para seus contatos com o banqueiro. Nesse cenário, integrantes do partido admitem reservadamente que começariam a retirar apoio à candidatura presidencial do senador.A avaliação reservada dentro do partido é que o episódio atual ainda pode ser administrado politicamente porque envolve um financiamento privado para uma obra cinematográfica. O temor, porém, é que novas revelações ampliem a percepção de proximidade entre Flávio e o dono do Banco Master em outras frentes.Leia também‘Tem que perguntar para o Flávio’, diz Michelle sobre áudios de senador a Vorcaro“(Sobre) Flávio, você tem que perguntar pra ele”, declarou, recusando-se a responder como ela avaliava o impacto da crise na campanha do enteadoFlávio promete endurecer combate ao crime e fala em “neutralizar” facçõesFlávio Bolsonaro também defendeu o uso de armas de fogo por guardas civis municipais. “O marginal infelizmente só respeita o que ele teme”, disseOutro fator que passou a contaminar o ambiente dentro da pré-campanha foi a perda de confiança de aliados nas versões apresentadas pelo senador. Nos bastidores, parlamentares relatam que a principal irritação hoje não está apenas no conteúdo das reportagens, mas na percepção de que Flávio já negou anteriormente qualquer relação relevante com Vorcaro e depois precisou mudar sua versão à medida que novos materiais vieram à tona.Antes mesmo de Flávio ser oficialmente lançado como pré-candidato, integrantes da campanha afirmam que ele foi questionado diretamente sobre eventual proximidade com Vorcaro e negou qualquer contato com o banqueiro. Depois da divulgação dos primeiros áudios pelo Intercept Brasil, o senador voltou a afirmar, em reunião de emergência com integrantes da pré-campanha, que não existiriam outros episódios capazes de gerar desgaste político.Dias depois, porém, Flávio passou a admitir a possibilidade de surgirem “novas conversas”, vídeos, mas todos relacionados ao filme.A sequência de mudanças de versão gerou um clima de desconfiança entre aliados, que passaram a admitir reservadamente dúvidas sobre até onde vão as informações ainda não reveladas. Nessa esteira, parte do entorno político do senador avalia que, se ele omitiu informações anteriormente, existe receio de que possa voltar a fazê-lo caso surjam novos episódios.A sequência de versões gerou irritação especialmente entre parlamentares que consideram a imagem de integridade um dos principais ativos eleitorais do bolsonarismo.Um integrante da pré-campanha avalia, porém, que a crise pode acabar funcionando também como um “choque de realidade” para o entorno de Flávio. Segundo esse interlocutor, havia uma percepção dentro de parte do grupo político do senador de que a disputa presidencial já estaria praticamente ganha, avaliação que agora passou a ser revista diante do desgaste provocado pelo caso Master.Reservadamente, esse aliado afirma que o episódio pode fazer com que tanto Flávio quanto integrantes de sua equipe “desçam do salto” e passem a tratar a campanha com mais cautela. A avaliação é que ainda há muito tempo até a eleição e que novas revelações, crises ou movimentos políticos podem afetar diretamente a viabilidade da candidatura presidencial do senador.Apesar das conversas reservadas sobre eventual substituição de Flávio, aliados admitem que o partido enfrenta um problema, na medida em que não existe um nome da direita que consiga reunir, ao mesmo tempo, o capital político, o sobrenome Bolsonaro e o nível de apoio da militância que o senador ainda mantém.São citados como nomes que poderiam emergir num cenário de agravamento da crise o senador Rogério Marinho, coordenador da pré-campanha de Flávio, além de especulações envolvendo uma eventual chapa formada pela senadora Tereza Cristina e Michelle Bolsonaro.Reservadamente, porém, integrantes do partido admitem que as hipóteses hoje funcionam mais como exercício de contingência do que como alternativas reais e viáveis. A avaliação predominante é que nenhum dos nomes aventados conseguiria reproduzir o apelo eleitoral que Flávio mantém junto ao eleitorado bolsonarista.Um expoente parlamentar do Centrão ouvido pelo GLOBO afirma, porém, que o debate sobre substituição de candidaturas ainda estaria sendo antecipado. Segundo ele, o processo eleitoral segue em estágio preliminar e os partidos ainda têm meses pela frente até a oficialização dos nomes que disputarão o Planalto.Reservadamente, o político afirma que a direita já passou recentemente por movimentos semelhantes, citando o período em que setores políticos davam como praticamente certa uma candidatura presidencial do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).A avaliação é que, até as convenções partidárias de agosto, o cenário ainda pode sofrer mudanças importantes e que partidos de centro e direita devem evitar movimentos definitivos antes da consolidação formal das candidaturas.A crise começou após o Intercept revelar áudios em que Flávio pede apoio financeiro a Vorcaro para ajudar a concluir “Dark Horse”. Na gravação, o senador demonstra preocupação com atrasos em pagamentos ligados ao longa e cita o risco de não conseguir honrar compromissos assumidos com integrantes da equipe do filme, incluindo o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh.Desde então, reportagens também passaram a apontar participação formal do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro na estrutura financeira do filme, além de mensagens discutindo formas de envio de recursos aos Estados Unidos.A Polícia Federal investiga se parte do dinheiro ligado ao longa poderia ter sido usada para custear a permanência de Eduardo no exterior.Na tentativa de conter o desgaste, Flávio passou a defender publicamente a instalação de uma CPI para investigar o Banco Master e anunciou que pediu uma prestação de contas detalhada da produtora e do fundo ligado ao investimento do filme.Nesse contexto, há ainda um outro movimento sendo costurado na pré-campanha. Diante do desgaste provocado pelo caso Vorcaro, integrantes do entorno de Flávio passaram a defender uma reformulação na estratégia de comunicação do senador, com auxiliares da pré-campanha avaliando que o episódio expôs fragilidades políticas e de imagem do presidenciável e, por isso, defendem reforçar o marketing da campanha nos próximos meses.The post Aliados de Flávio admitem rever apoio à candidatura se surgirem fatos sobre Master appeared first on InfoMoney.

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