Se o endividamento das famílias e os juros altos estão desacelerando o consumo, o governo vem com um pacote de medidas para aliviar o bolso dos brasileiros. Um relatório das equipes de Macro Research e de Política da XP, divulgado nesta quarta-feira (20), aponta que os estímulos de crédito e renda podem gerar um impacto potencial de até 1,4 ponto percentual no Produto Interno Bruto (PIB) de 2026, somando quase R$ 190 bilhões. A XP aponta que o governo está acelerando a divulgação dessas medidas devido às regras do ano eleitoral. Em um mês, foram feitos quatro anúncios, que devem ser viabilizados até 4 de julho para não esbarrar nas limitações do pleito. A partir desta data, começam a vigorar as restrições de conduta do período eleitoral, inviabilizando novos lançamentos.Entre as ações que já anunciadas, o destaque mais recente foi voltado a motoristas de aplicativos e taxistas, que terão acesso a um crédito subsidiado de até R$ 30 bilhões. O pacote das últimas semanas também inclui financiamento para a renovação de frotas de caminhões e ônibus, linha para máquinas agrícolas, e o relançamento do programa de renegociação de dívidas, o novo Desenrola. Estímulos à renda e ao créditoIniciativaR$ bilhõesImpacto no PIB (p.p.)Reforma do IRPF (isenção e descontos)33,50,25Crédito para motoristas de aplicativos e taxistas *30,00,22Crédito consignado para trabalhadores do setor privado28,00,21Programa de renegociação de dívidas (Desenrola 2.0)22,00,16Programa Brasil Soberano – crédito subsidiado para empresas21,00,15Crédito para renovação das frotas de caminhões e ônibus (Move Brasil 1 e 2)20,50,15Novo Crédito Imobiliário10,00,07Crédito para reformas residenciais (Reforma Casa Brasil)9,50,07Ampliação do programa Minha Casa Minha Vida (Faixas 3 e 4)8,00,06Subsídios na conta de luz para famílias de baixa renda (Luz do Povo)4,50,03Vale-gás para famílias de baixa renda (Gás do Povo)1,70,01Total188,71,38*Consideramos o montante total de recursos disponíveis ao programa, segundo anúncio do governo federalFonte: Governo Federal, Secretaria do Tesouro Nacional, XPLeia também: Recuo de 0,67% na ‘prévia do PIB’ em março mostra pressão da Selic e freio à frenteNova fase do Desenrola e foco na construção civilNas próximas semanas, o governo deve viabilizar pelo menos duas novas frentes. A primeira é a segunda etapa do Desenrola, que desta vez terá como foco os correntistas adimplentes (que estão com as contas em dia), com o objetivo de liberar renda disponível no curto prazo. A segunda é um novo estímulo à construção civil, por meio da Estratégia Nacional da Construção Industrializada, que receberá o selo de “Constrói Mais Brasil” e pretende acelerar a entrega de moradias do programa Minha Casa Minha Vida.Saiba mais: Renda recorde do brasileiro é engolida por dívidas e juros, aponta estudo do CLPImpacto real: R$ 190 bi chegam na economia?Apesar dos valores expressivos, o relatório da XP ressalva que o impacto dos R$ 190 bilhões anunciados representam um limite máximo das medidas. Segundo a XP, o efeito líquido dos anúncios sobre o PIB de 2026 tende a ser inferior a 1,4 p.p., uma vez que nem todos os recursos disponibilizados nas novas linhas de crédito costumam ser efetivamente tomados pelo público.Leia também: ONU: economia do Brasil deve desacelerar; previsão de alta do PIB 2026 fica em 2%Projeção de crescimento e balanço de riscosAinda assim, mesmo que o dinheiro não chegue à economia, uma parcela relevante vai se traduzir em consumo e investimento. Para os analistas, isso significa que a projeção atual de crescimento de 2,0% para o PIB ganha um forte motor extra, com o balanço de riscos se tornando assimétrico para cima, compensando inclusive os ruídos de pressões inflacionárias externas.The post “Bondades” do governo somam até R$ 190 bilhões; impacto no PIB é de 1,4 p.p., diz XP appeared first on InfoMoney.
