LONDRES/HONG KONG, 20 Mai (Reuters) – O HSBC fez um apelo nesta quarta-feira aos funcionários para que não lutem contra a inteligência artificial, dizendo que ela destrói empregos ao mesmo tempo em que cria novos, enquanto o rival Standard Chartered procurou acalmar trabalhadores sobre comentários de que a tecnologia substituirá o ‘capital humano de menor valor’.As previsões de dois dos maiores bancos do mundo são o sinal mais claro até o momento sobre a reviravolta de uma tecnologia que pode consumir e processar grandes quantidades de dados, concluindo tarefas anteriormente realizadas por pessoas.O presidente-executivo do HSBC, Georges Elhedery, pediu aos funcionários do banco que se certifiquem de que ‘não estejam lutando contra nós, não estejam ansiosos, sobrecarregados e resistindo à mudança’, prometendo que a IA poderá torná-los ‘versões mais produtivas de si mesmos’.‘Todos nós sabemos que a IA generativa destruirá certos empregos e criará novos empregos’, disse Elhedery.O Standard Chartered anunciou na terça-feira quase 8.000 demissões no que o presidente-executivo do banco chamou de substituição de ‘capital humano de menor valor’ por tecnologia.Leia tambémMeta inicia corte global de 8.000 vagas em ofensiva por “eficiência em IA”Reestruturação mira redução de custos, mas aumenta tensão entre funcionários e investidoresBill Winters disse que o StanChart cortará 15% de suas funções corporativas até 2030, destacando como os funcionários das chamadas funções de ‘back office’ são particularmente vulneráveis.O HSBC emprega mais de 211 mil pessoas, enquanto o StanChart tem cerca de 83 mil funcionários.Ressaltando a sensibilidade da questão, Winters procurou limitar as consequências sobre suas palavras em um memorando na quarta-feira, dizendo que os funcionários do StanChart são valorizados e que quaisquer mudanças serão tratadas com ‘reflexão e cuidado’.Pesquisa de analistas do Morgan Stanley afirma que as empresas de serviços bancários, tecnológicos e profissionais demitiram um em cada 20 funcionários no ano passado como resultado do uso de IA.Os trabalhadores fora da matriz, dos quais as empresas de serviços financeiros dependem para executar muitos de seus serviços de TI em locais como Índia ou Polônia, e os trabalhadores jovens e novos estão sofrendo o impacto, segundo o relatório do Morgan Stanley.Os bancos têm relutado em discutir publicamente a escala das perdas de empregos, embora isso esteja mudando gradualmente.Em outubro, o Goldman Sachs informou à equipe sobre possíveis cortes de pessoal e uma desaceleração nas contratações, segundo um memorando interno visto pela Reuters, à medida que o gigante de Wall Street adota a IA.O presidente-executivo do banco Wells Fargo, Charlie Scharf, disse em dezembro que a instituição financeira norte-americana não reduziu o número de funcionários como resultado da IA, mas que está ‘fazendo muito mais’ por causa da tecnologia.DEMISSÕES EM MASSA IMPULSIONADAS PELA IAÀ medida que os bancos se tornam mais diretos sobre como a IA pode substituir funções de rotina, crescem os temores sobre a escala dessa tendência.O uso da IA para cortar empregos corre o risco de uma reação negativa, disse em abril o presidente-executivo do fundo soberano norueguês, de US$2,2 trilhões, pois os funcionários resistem a adotá-la para não se tornarem redundantes.Winters, do StanChart, disse que os funcionários que quiserem fazer um novo treinamento terão a chance de fazê-lo.Leia tambémNvidia divulga hoje resultados cruciais para sucesso ou fracasso de rali do setorWall Street espera mais um resultado sólido das fabricantes de chips, à medida que as grandes empresas de tecnologia continuam a injetar capital nessas empresas para desenvolver infraestrutura de IAAcadêmicos alertam que funcionários podem ser alienados.‘Devemos ser cautelosos para não demitir muitos funcionários, porque o momento pode chegar mais cedo do que se imagina, quando o potencial de produtividade da IA for concretizado, e você quer essas pessoas’, disse Fabian Braesemann, do Oxford Internet Institute.No Reino Unido, seis em cada dez pessoas acham que a IA eliminará mais empregos do que criará e uma em cada cinco acredita que ela criará distúrbios civis, segundo pesquisa do Institute for Artificial Intelligence do King’s College de Londres.The post Não lute contra a IA, diz presidente do HSBC aos funcionários appeared first on InfoMoney.
