O governo de Donald Trump avalia abrir um processo criminal contra o ex-presidente cubano Raúl Castro por sua suposta responsabilidade no abatimento de dois aviões da organização Hermanos al Rescate, em 1996. A informação foi publicada pela Reuters com base em fontes do Departamento de Estado e marca uma nova escalada na pressão de Washington sobre Havana.Segundo relatos obtidos pela agência, procuradores federais dos Estados Unidos discutem apresentar a acusação em Miami nesta quarta-feira (20), data que coincide com homenagens às vítimas do episódio promovidas pelo Departamento de Justiça norte-americano.Além de Raúl Castro, autoridades americanas também avaliam medidas contra o atual presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, e integrantes da cúpula do regime, segundo informações publicadas pela Bloomberg.Crise energéticaA possível acusação surge em meio ao agravamento das tensões diplomáticas entre Estados Unidos e Cuba. Nos últimos meses, o governo Trump ampliou restrições econômicas e energéticas contra a ilha, dificultando o fornecimento de petróleo ao país.A crise energética cubana se intensificou desde janeiro, após ameaças americanas de sanções contra empresas e países que mantivessem exportações de combustível para Havana.Leia tambémKeiko Fujimori mantém pequena vantagem sobre Sánchez em pesquisa eleitoral no PeruPesquisa Ipsos Peru mostra leve vantagem da candidata da direita contra Roberto SánchezGuerrilhas anunciam cessar-fogo de 3 dias antes da eleição presidencial na ColômbiaCandidatos reforçam segurança em meio à pior crise de violência em uma décadaNa prática, as restrições reduziram significativamente o abastecimento energético da ilha, afetando transporte público, hospitais, escolas e serviços básicos.O movimento passou a ser comparado por analistas à estratégia utilizada anteriormente contra a Venezuela antes da operação militar americana que culminou na captura de Nicolás Maduro neste ano.Caso remonta a episódio de 1996O processo em discussão nos Estados Unidos teria como base o episódio ocorrido em 24 de fevereiro de 1996, quando dois aviões da organização Hermanos al Rescate foram abatidos pela Força Aérea cubana.As aeronaves pertenciam a um grupo criado em Miami oficialmente para auxiliar cubanos que tentavam deixar a ilha pelo mar rumo aos Estados Unidos. Quatro pessoas morreram no episódio.Washington sustenta há décadas que os aviões realizavam missão humanitária. Já Cuba alegou que as aeronaves violavam repetidamente seu espaço aéreo e atuavam em atividades de provocação política. Na época, Raúl Castro ocupava o cargo de ministro da Defesa de Cuba.Documentos e relatos históricos mostram que a Hermanos al Rescate já havia sido alvo de alertas do próprio governo americano por incursões aéreas ilegais sobre território cubano.Organização tinha histórico anticastristaA Hermanos al Rescate foi fundada em 1991 por José Basulto, ex-integrante de grupos anticastristas e participante da invasão da Baía dos Porcos, em 1961.Segundo registros históricos citados em livros e investigações da época, Basulto também teve ligação com organizações apoiadas pela CIA durante a Guerra Fria.Após mudanças na política migratória americana na década de 1990 reduzirem o fluxo de balseiros cubanos, o grupo passou a intensificar voos sobre Havana para lançar panfletos contra o governo de Fidel Castro.Antes do abatimento dos aviões, o Departamento de Estado e a Federal Aviation Administration (FAA) haviam emitido alertas afirmando que Cuba poderia reagir militarmente caso o espaço aéreo fosse novamente violado.Casa Branca mira impacto político internoA retomada do caso ocorre em um momento delicado para Donald Trump. O republicano enfrenta desgaste após a guerra contra o Irã e tenta preservar apoio antes das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para novembro.Uma eventual ação mais dura contra Cuba pode fortalecer Trump junto à comunidade cubano-americana da Flórida, considerada estratégica eleitoralmente.Estimativas apontam que os Estados Unidos tenham cerca de 2,9 milhões de cubano-americanos, dos quais entre 1,2 milhão e 1,5 milhão seriam eleitores.A ofensiva também amplia a pressão sobre regimes alinhados historicamente ao bloco antiamericano na América Latina e reforça a política externa mais agressiva adotada pela Casa Branca desde o início do segundo mandato de Trump.The post Por que Donald Trump quer processar o ex-presidente cubano Raúl Castro? appeared first on InfoMoney.
