Davos avança em fusões e cria frentes em M&A, crédito e gestão patrimonial

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O mercado brasileiro de assessorias financeiras independentes entrou de vez em uma fase de consolidação, com escritórios maiores absorvendo operações menores em busca de escala, tecnologia e capacidade de atender clientes cada vez mais exigentes. Quem afirma é Katia Alecrim, sócia fundadora da Davos Investimentos, uma das casas que mais têm protagonizado esse movimento no país.Nos últimos anos, a Davos integrou três operações relevantes: Fênix, Étre-Davos e Sirius. A estratégia, segundo a executiva, não se resume a ganhar tamanho. “M&A não deve ser apenas um movimento financeiro. Precisa ser uma construção de continuidade, cultura e fortalecimento institucional”, afirma Katia, usando a sigla em inglês para fusões e aquisições.Veja mais: Corretora abre sociedade sem régua formal e mira retenção de assessoresE também: Assessora capta R$ 8 mi na 1ª semana e atrai cliente de R$ 100 mi via redes sociaisA leitura dela é que o setor amadureceu e deixou de discutir apenas expansão comercial e abertura de escritórios. “Agora, o setor começa a discutir temas mais sofisticados, como governança, sucessão, cultura empresarial, tecnologia, retenção de talentos e escala operacional”, diz. Esse novo estágio, na sua avaliação, favorece naturalmente as fusões entre casas com visões parecidas de longo prazo.Para a sócia da Davos, o crescimento por aquisição não substitui o crescimento orgânico, mas o complementa. “Escala também significa capacidade de investir melhor em tecnologia, inteligência de dados, governança, produtos e formação de equipes especializadas”, explica.“A questão principal não é crescer mais rápido. É crescer com consistência”— Katia Alecrim, sócia-fundadora da Davos Investimentos.Quando ninguém queria, eles compraram — e acertaram em cheioGestor achou R$ 1 bi ‘escondido’ no balanço de empresa e lucrou altoCultura pesa mais que números na hora de comprarAo avaliar potenciais alvos de aquisição, a executiva diz que o filtro cultural vem antes de qualquer planilha.“Cultura vem antes de qualquer indicador financeiro. Uma operação pode ter números excelentes, mas, se não existir alinhamento de valores, visão de atendimento e postura de longo prazo, dificilmente a integração será sustentável.”Localização geográfica, carteira de clientes e perfil dos profissionais entram na análise, mas não como elementos decisivos isolados. A qualidade do relacionamento já construído com os clientes, o nível de organização interna e a capacidade de adaptação tecnológica também entram na régua. “Crescimento sem coerência cultural gera fragilidade no futuro”, resume.A consolidação, prevê Katia, deve reduzir o número de escritórios pequenos atuando de forma isolada nos próximos anos. As regras ficaram mais rígidas, os clientes mais exigentes e o custo para sustentar uma operação competitiva subiu. Ainda assim, ela enxerga espaço para casas pequenas muito especializadas em nichos específicos.“O que deve diminuir é o modelo intermediário sem diferenciação clara. O cliente hoje valoriza especialização, estrutura e confiança”, afirma.Para escritórios pequenos sobreviverem, ela aponta o caminho: alta especialização, proximidade real com o cliente e proposta de valor bem definida.Leia tambémGoolsbee, do Fed, se diz desapontado com último dado de inflaçãoAustan Goolsbee afirma que a aceleração dos preços nos EUA vai na direção errada e aponta pressões amplas que vão além da alta do petróleo e de tarifasDavos amplia frentes e mira gestão, crédito e M&AA própria Davos vem traduzindo essa leitura em novas frentes de negócio. A casa montou a Étre-Davos Gestora de Recursos, voltada para gestão de grandes fortunas, e a Davos Empresas, dedicada a atender companhias em demandas financeiras, patrimoniais e estratégicas. Mais recentemente, abriu uma área de crédito estruturado focada em Fundos de Investimento em Direitos Creditórios, os FIDCs.Depois da integração com a Sirius, o grupo criou ainda a Davos Capital, dedicada a assessorar fusões e aquisições, com foco em empresas familiares. “Tudo isso nasce de uma mesma visão: o mercado financeiro está se tornando mais consultivo, mais estratégico e muito mais integrado”, diz a sócia.Esse desenho, segundo ela, responde a uma mudança no perfil do cliente, que não procura mais apenas acesso a produtos financeiros. “Hoje, os clientes demandam profundidade técnica, coordenação financeira e capacidade de compreender tanto o patrimônio pessoal quanto a dinâmica empresarial”, afirma. A tendência é a assessoria ocupar um papel próximo ao de uma plataforma completa de soluções, com planejamento de sucessão, proteção patrimonial, crédito, câmbio, seguros e investimentos no exterior.A executiva credita à XP (XP; XPBR31) parte relevante dessa transformação no mercado brasileiro. “A XP teve um papel muito importante na democratização do acesso a investimentos e na transformação da relação entre cliente e mercado financeiro”, reconhece. O modelo de escritórios independentes ligados à corretora, segundo ela, acelerou a educação financeira no país e elevou o padrão de atendimento.Inteligência artificial libera tempo, mas não substitui o consultorSobre o avanço da inteligência artificial dentro das assessorias, a sócia da Davos vê uma transformação profunda na operação, mas não acredita em substituição do contato humano. “Em decisões patrimoniais relevantes, confiança continua sendo um fator central”, afirma.A tecnologia, na visão dela, deve ganhar espaço em análise de dados, automação de processos e personalização de atendimento.“Nossa visão é que a tecnologia deve liberar tempo operacional para que os profissionais consigam atuar de forma mais estratégica, consultiva e próxima do cliente”, diz Katia. Ela compara o momento atual do setor de assessorias ao vivido por bancos digitais e fintechs, com disputa intensa por escala e relevância, mas pondera que relacionamento ainda pesa mais nesse segmento.O investidor brasileiro, por sua vez, está mais aberto a produtos sofisticados do que há alguns anos.Cresceu o interesse por diversificação internacional, ativos alternativos e estruturas de proteção e sucessão patrimonial. “O cliente passou a entender que patrimônio não se constrói apenas buscando rentabilidade. Ele precisa ser organizado, protegido e planejado no longo prazo”, avalia.Olhando para os próximos cinco anos, a sócia projeta concentração e competição acontecendo ao mesmo tempo. Grupos maiores devem ganhar peso pela necessidade de investir em tecnologia e governança, mas a disputa por clientes tende a se acirrar com a sofisticação do mercado.“Vencerão os grupos capazes de combinar escala, cultura forte, profundidade técnica e relacionamento genuíno”, conclui.The post Davos avança em fusões e cria frentes em M&A, crédito e gestão patrimonial appeared first on InfoMoney.

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