Casa própria em tempos de juro alto: comprar agora ou esperar?

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Três meses de turbulência nos mercados financeiros, com juros em alta, bolsa volátil e dólar instável, colocaram em xeque os planos de longo prazo de muitos brasileiros, sobretudo o principal objetivo do investidor do país, segundo pesquisa recente da Anbima: a compra da casa própria. A questão que fica é o que fazer para proteger o dinheiro acumulado e não abandonar o projeto.A instabilidade comercial entre países, as eleições e as seis liquidações de instituições financeiras nos últimos meses também ajudam no cenário de incerteza, afirma Adrian Carvalho, planejador financeiro e CEO da consultoria Quartavia. “É normal que as pessoas fiquem mais retraídas, o chamado fenômeno do porco-espinho, de tentar se proteger mais do que agir”, diz. Mas o que a pessoa precisa fazer é justamente agir, escolhendo as melhores aplicações para cumprir seu propósito na estratégia patrimonial ou mesmo usando o financiamento para atingir os objetivos, defende Carvalho.Para quem tem capacidade de comprar à vista, o momento pode ser mais interessante do que parece. João Arthur Almeida, diretor de investimentos da Suno Consultoria, aponta que a demanda reprimida deve se materializar quando os juros recuarem, pressionando os preços para cima.Leia também: Tesouro IPCA+: como montanha-russa de juros dita ganho ou perda no títuloOs dados do mercado reforçam o argumento. Pesquisa Raio X Fipe-Zap mostra que o percentual de compras com algum desconto avançou de 61% em março de 2025 para 67% em março deste ano, perto do recorde histórico de 70% da série. O desconto médio nas transações em que houve abatimento ficou em 13%.Quem depende de financiamento, porém, enfrenta um cenário mais difícil. Almeida exemplifica com um imóvel de R$ 1 milhão financiado a 15% ao ano, o que representaria R$ 150 mil de custo só no primeiro ano. “Isso quase inviabiliza a aquisição”, diz Almeida. A recomendação é dar a maior entrada possível para reduzir o endividamento.Onde guardar o dinheiro enquanto issoPara quem ainda está na fase de acumulação, a orientação dos especialistas converge para aplicações pós-fixadas com liquidez imediata, como o Tesouro Selic ou fundos DI com esses papéis. Almeida lembra que, mesmo sendo conservadoras, essas aplicações rendem cerca de 14% ao ano no Brasil. Ainda que a inflação suba para 5%, o ganho real ficaria próximo de 9% ao ano, um resultado expressivo para um portfólio de baixo risco.Quem está no início da formação da poupança, com horizonte de cinco a dez anos, já pode considerar papéis mais longos atrelados à inflação. Mas, à medida que a data da compra se aproxima, é importante migrar os recursos para alternativas mais líquidas e sem carências, para não perder eventuais oportunidades que surjam no caminho.Pesquisa e planejamento como antídotoSérgio Samuel dos Santos, economista do Sistema Ailos, defende que o ponto de partida é definir com clareza o objetivo, o prazo e o perfil de risco antes de escolher qualquer aplicação. Ele cita o caso de investidores que compraram imóveis de programas sociais em São Paulo para aluguel temporário e hoje enfrentam problemas regulatórios. “Era um risco que poderia ser evitado com pesquisa e conhecendo as regras de onde se estava investindo”, afirma.Leia também: LCI ou CDB? Novo imposto mínimo embaralha cálculo de qual rende mais; entendaA recomendação de Santos é pesquisar o mercado imobiliário desde o momento em que se decide pela compra, para formar uma base de preços e identificar o que está caro ou barato. Também vale manter uma reserva separada não só para emergências, mas para oportunidades. “A bolsa caiu, achou uma pechincha em imóvel, tem de ter caixa separado para negociação”, diz.O financiamento, nesse contexto, não deve ser descartado. Quando o imóvel tem preço abaixo do mercado ou as prestações ficam próximas do valor do aluguel atual, a operação pode ser vantajosa, especialmente em linhas do Sistema Financeiro da Habitação ou do Minha Casa Minha Vida. O consórcio é outra alternativa para quem não tem pressa, com a vantagem de a taxa de administração ser calculada com juros simples em vez de compostos, como no financiamento tradicional.Adrian Carvalho, planejador financeiro e CEO da Quartavia, resume a postura ideal diante das incertezas do momento: o instinto de se recolher é natural, mas agir com planejamento é o que diferencia quem chega ao objetivo de quem fica parado esperando o momento perfeito. “É normal que as pessoas fiquem mais retraídas, o chamado fenômeno do porco-espinho, de tentar se proteger mais do que agir”, diz.The post Casa própria em tempos de juro alto: comprar agora ou esperar? appeared first on InfoMoney.

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