O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) autorizou, na segunda-feira (25), o envio de ajuda humanitária à Bolívia, que enfrenta protestos e bloqueios de vias contra o governo de Rodrigo Paz.Os protestos, que já duram quase um mês, são conduzidos por diversos setores da Central Operária Boliviana, junto a organizações camponesas e apoiadores de Evo Morales, contra o governo de centro-direita em diferentes estados. Os bloqueios de estradas e vias importantes já causaram um cenário de escassez no país, com o desabastecimento de alimentos, combustíveis e até mesmo medicamentos.O envio de ajuda humanitária ocorreu após uma ligação entre Lula e Rodrigo Paz. Segundo nota do governo brasileiro, o petista “reiterou sua solidariedade ao governo e ao povo boliviano e ressaltou a importância do pleno respeito às instituições democráticas e ao estado de direito”.Leia tambémRelatório da PEC pelo fim da 6×1 cria ‘superfuncionário’ sem controle de jornadaTexto proposto pelo deputado Leo Prates cria regras especiais para funcionários que recebem acima de R$ 21 mil na tentativa de incentivar contratação no modelo celetistaO governo brasileiro ainda não detalhou as ações que compõem o auxílio humanitário ofertado ao país vizinho.Além do Brasil, os EUA e a Argentina também ofereceram assistência para lidar com o desabastecimento das últimas semanas, que já atinge até a própria capital, La Paz.Entenda a criseA movimentação popular contra Paz teve início no final de abril, após o presidente anunciar uma reforma agrária com o objetivo de transformar pequenas propriedades rurais em propriedades de médio porte.De acordo com o governo boliviano, o objetivo principal da medida era permitir que os pequenos proprietários rurais as utilizassem como garantia para obter créditos e reativar investimentos. No entanto, grupos camponeses interpretaram a ação como uma tentativa de promover a venda de terras agrícolas para grandes proprietários.Outro fator que uniu a classe sindical à luta foi o início de protestos de professores exigindo aumento salarial. Apesar de a categoria ter conseguido firmar um acordo com o Ministério da Educação, o movimento deu “espaço” para que outros setores aderissem à solicitação pela revisão salarial.Todos os fatores foram somados ao anúncio de 9 de maio, quando Rodrigo Paz afirmou que criará uma comissão para realizar uma reforma parcial da Constituição, que vigora no país desde 2009, para facilitar investimentos na economia boliviana.A reforma mudará, principalmente, setores como o de hidrocarbonetos e o de mineração, levando movimentos sociais alinhados a Evo Morales a criticarem a reforma por excluir o Estado como um ator fundamental, entregando às indústrias privadas o controle sobre bens produtivos.Por fim, os protestos ganharam ainda mais adesão popular com o aumento no preço dos combustíveis, que ocorreu após Paz eliminar os subsídios instituídos pelo governo de Morales, que amorteciam o valor repassado aos consumidores.The post Entenda a crise na Bolívia que motivou o envio de ajuda humanitária do Brasil appeared first on InfoMoney.
