A decisão do governo de Donald Trump de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras ganhou destaque na imprensa internacional e foi amplamente associada à atuação política da família Bolsonaro em Washington.Anunciada pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, a medida entra em vigor em 5 de junho e amplia os instrumentos de sanção disponíveis ao governo americano contra pessoas, empresas e instituições que mantenham relações com os grupos criminosos. A repercussão fora do Brasil, porém, concentrou-se menos nos efeitos de segurança pública e mais nas implicações diplomáticas e eleitorais da decisão.O anúncio ocorreu poucos dias após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reunir com o presidente Donald Trump na Casa Branca e com integrantes do Departamento de Estado. Durante a viagem, o parlamentar afirmou ter defendido que Washington passasse a enquadrar as principais facções brasileiras como organizações terroristas.Leia tambémQuais as consequências práticas de enquadrar PCC e CV como terroristas?Especialistas manifestam receio sobretudo em relação à insegurança jurídica e a possíveis impactos ao mercado financeiro‘Pretexto para intervenção é inaceitável’, diz Amorim de PCC e CV como terroristasO secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, informou que o país está designando o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristasJornais ligam decisão à atuação dos BolsonaroO jornal The New York Times destacou a articulação política realizada por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro junto ao governo republicano. Em reportagem publicada após o anúncio, o veículo afirmou que a medida foi tomada depois de meses de pressão exercida por integrantes do grupo político bolsonarista.Segundo o jornal americano, a decisão tem potencial para gerar novo atrito entre Brasília e Washington justamente em um momento de reaproximação entre os governos de Lula e Trump. A publicação também destacou preocupações de autoridades brasileiras sobre possíveis reflexos da medida na disputa presidencial de 2026.O Financial Times seguiu linha semelhante. O jornal britânico observou que o reconhecimento das facções como organizações terroristas vinha sendo discutido pelo governo americano havia meses, mas ressaltou que o momento escolhido para o anúncio acaba beneficiando politicamente Flávio Bolsonaro, que tenta consolidar sua candidatura ao Palácio do Planalto.Para o periódico, a medida pode fortalecer o discurso de segurança pública defendido pelo senador e ampliar sua associação com o governo Trump em um momento delicado de sua pré-campanha.Debate vai além da segurança públicaA cobertura internacional também abordou os possíveis impactos econômicos da decisão. O New York Times chamou atenção para os riscos de sanções secundárias envolvendo empresas e instituições financeiras que eventualmente mantenham relações comerciais com setores infiltrados pelo crime organizado.O jornal observou que organizações criminosas brasileiras expandiram sua atuação para segmentos da economia formal, incluindo mercado imobiliário, distribuição de combustíveis, criptomoedas e comércio de commodities, o que poderia aumentar o grau de exposição de agentes econômicos a futuras restrições americanas.Impacto políticoA emissora Al Jazeera, do Catar, enquadrou a decisão dentro de uma estratégia mais ampla da política externa de Trump para a América Latina. A reportagem relacionou a medida ao movimento do governo americano de ampliar o número de organizações criminosas classificadas como terroristas no continente.Segundo a emissora, a iniciativa pode produzir efeitos políticos relevantes no Brasil por ocorrer em meio à disputa presidencial e após sucessivas manifestações de apoio de Trump à família Bolsonaro.Já a France24 destacou a divisão existente entre governos latino-americanos sobre esse tipo de classificação. A rede francesa observou que países governados por lideranças de centro-esquerda, como Brasil e México, costumam demonstrar resistência à medida, enquanto governos mais alinhados à direita tendem a apoiar iniciativas semelhantes.O que muda com a classificaçãoEm comunicado divulgado nesta quinta-feira, Marco Rubio afirmou que PCC e Comando Vermelho estão entre as organizações criminosas mais violentas da América Latina e justificou a medida como parte da estratégia americana de combate ao crime organizado transnacional.A designação como organização terrorista estrangeira amplia a capacidade dos Estados Unidos de aplicar sanções financeiras, congelar ativos sob jurisdição americana e restringir relações econômicas com indivíduos ou entidades que prestem apoio material aos grupos.No Brasil, o anúncio ocorre em meio ao debate sobre os limites da cooperação internacional no combate ao crime organizado e sobre os efeitos diplomáticos de uma medida que foi celebrada por aliados de Flávio Bolsonaro e recebida com cautela por integrantes do governo Lula.The post Imprensa internacional vê influência dos Bolsonaro em decisão dos EUA sobre PCC e CV appeared first on InfoMoney.
