O Goldman Sachs mantém uma visão positiva para o setor de petróleo e gás da América Latina, apoiada por uma combinação de fatores estruturais. Segundo o banco, o forte crescimento da produção de petróleo no Brasil, na Guiana e na Argentina, a melhora na governança de algumas estatais, o surgimento de produtoras independentes de alta qualidade, o menor risco geopolítico relativo e as avaliações atrativas reforçam a tese favorável para as empresas da região.Nesse contexto, o banco reiterou a recomendação de compra para a Petrobras (PETR3; PETR4), com preços-alvo de R$ 56,00 para PETR3 e R$ 52,40 para PETR4. Para os ADRs, recibos de ações negociados em Nova York, os preços-alvo são de US$ 22,50 para PBR (equivalentes à ação ordinária) e US$ 21,00 para PBR.A (equivalente às ações preferenciais).Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa cai e perde os 173 mil pontosBolsas dos EUA operam de forma mista, enquanto petróleo tem nova alta Petrobras reduz em 14,2% preço do querosene de aviação a partir de junhoOs ajustes do QAV da Petrobras ocorrem todo começo de mês, conforme previsto em contratosO Goldman destaca que a Petrobras combina crescimento relevante da produção, impulsionado pelos projetos do pré-sal, com forte geração de caixa e potencial de distribuição de dividendos, características que a colocam entre suas principais apostas no setor.Entre os riscos para essa visão, o banco cita possíveis mudanças nas políticas econômica e energética associadas aos ciclos eleitorais no Brasil, na Colômbia e na Argentina entre 2026 e 2027, além de uma eventual queda dos preços internacionais do petróleo. Segundo o Goldman, as petroleiras latino-americanas costumam apresentar maior sensibilidade às oscilações da commodity do que as grandes empresas globais do setor.O banco observa que as companhias da região negociam com desconto relevante em relação aos pares internacionais. Considerando um cenário de petróleo a US$ 75 por barril em 2027, as ações latino-americanas oferecem um rendimento de fluxo de caixa livre (FCF Yield) de 15%, ante 9% das concorrentes globais.O Goldman também destaca avanços na governança das principais estatais do setor, incluindo a Petrobras, a YPF e a Ecopetrol.No caso da Petrobras, o banco aponta que a companhia demonstrou disciplina na gestão ao longo da última década, independentemente das mudanças de governo, graças às melhorias de governança implementadas desde 2016. O relatório acrescenta que a relevância do setor de petróleo para o PIB e para a balança comercial desses países reduz, embora não elimine, o risco de adoção de políticas que prejudiquem o crescimento da produção.O Goldman projeta uma taxa composta anual de crescimento (CAGR) da produção de 9% entre 2025 e 2028, além de dividend yield (rendimento de dividendos) entre 11% e 16% em 2026 e 2027, considerando preço do petróleo em US$ 75 por barril em 2027.Segundo o Goldman, cerca de 90% do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Petrobras vem do segmento de exploração e produção (upstream), que também responde por aproximadamente 75% dos investimentos anuais da companhia.O Ebitda ajustado de US$ 58,2 bilhões em 2026 e US$ 57,7 bilhões em 2027, com investimentos de US$ 17,1 bilhões e US$ 18,5 bilhões, respectivamente.Nesse cenário, a companhia geraria fluxo de caixa livre para o acionista de US$ 18,6 bilhões em 2026 e US$ 18,8 bilhões em 2027, o que representa um yield médio próximo de 15%.Grande parte desse caixa, segundo o banco, deverá ser distribuída aos acionistas. O Goldman projeta dividendos de US$ 13,5 bilhões em 2026 e US$ 18,8 bilhões em 2027, equivalentes a dividend yields de aproximadamente 11% e 15%, respectivamente.Mesmo com esses pagamentos, a Petrobras conseguiria manter sua dívida bruta próxima da meta corporativa de US$ 65 bilhões.O Goldman ainda destaca que as eleições presidenciais brasileiras de outubro podem representar um catalisador para as ações da Petrobras. Embora não faça projeções sobre o resultado do pleito, o banco acredita que uma eventual mudança para uma administração mais amigável ao mercado poderia ser bem recebida pelos investidores e impulsionar os papéis da companhia.Ainda em destaque, o JPMorgan revisou as suas estimativas para as ações das petroleiras independentes, mantendo preferência pela PRIO (PRIO3) ante Brava (BRAV3) e PetroRecôncavo (RECV3). Confira as teses abaixo: PRIO (PRIO3) Para o JPMorgan, a PRIO (PRIO3) continua sendo a preferida entre as petroleiras independentes brasileiras devido ao maior potencial de crescimento, forte geração de caixa e elevada exposição à valorização do petróleo. No entanto, o banco optou por reduzir o preço-alvo de R$ 73 para R$ 70, refletindo principalmente o impacto cambial.Em 2026, a petroleira deverá ampliar sua produção com o início das operações do campo de Wahoo e a consolidação de Peregrino, alcançando cerca de 200 mil barris equivalentes de petróleo por dia até o fim do ano.Como a empresa não possui hedge relevante para os preços do petróleo, está posicionada para capturar integralmente os benefícios de um ambiente favorável para a commodity, impulsionando a geração de caixa e o retorno aos acionistas.Brava Energia (BRAV3)O JPMorgan mantém recomendação neutra para as ações da Brava, com preço-alvo de R$ 20. Segundo o banco, a companhia vem apresentando melhorias operacionais e financeiras e possui uma base sólida de reservas. No entanto, sua estratégia de hedge limita os ganhos em cenários de alta do petróleo.Além disso, a proposta recente da Ecopetrol para adquirir uma participação de 51% da companhia por R$ 23 por ação levanta questionamentos sobre governança corporativa e direcionamento estratégico para acionistas minoritários.Embora a operação possa gerar sinergias, o banco prefere aguardar sua conclusão antes de revisar sua visão sobre a empresa.PetroRecôncavo (RECV3)O JPMorgan mantém recomendação neutra para a PetroRecôncavo e preço-alvo de R$ 14, uma vez que a petroleira atua exclusivamente em produção terrestre de petróleo e gás, o que proporciona uma operação mais simples, porém com perspectivas de crescimento mais limitadas.Nos últimos anos, a PetroReconcavo entregou desempenho operacional consistente, mas teve dificuldades para criar novas avenidas relevantes de crescimento. Além disso, sua estratégia de hedge reduziu a capacidade de capturar integralmente a recente alta dos preços do petróleo.Na avaliação do banco, esses fatores tornam a tese menos atrativa do que a da PRIO.The post Goldman Sachs segue otimista com petroleiras e reitera compra para Petrobras; entenda appeared first on InfoMoney.
