A aprovação da proposta que reduz a jornada semanal para 40 horas e extingue a escala 6×1 na Câmara dos Deputados transferiu para o Senado uma nova disputa política. A partir desta semana, a Casa passa a concentrar diferentes projetos sobre o tema, enquanto governo e oposição tentam influenciar qual deles terá prioridade na tramitação.O cenário coloca o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), no centro das negociações. Caberá a ele, em conjunto com líderes partidários, definir qual proposta avançará primeiro e servirá de referência para o debate sobre as novas regras trabalhistas.A ofensiva governista ganhou força após a ampla aprovação da PEC patrocinada por parlamentares aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), liderada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP). Nos bastidores, integrantes do Palácio do Planalto avaliam que o resultado na Câmara aumentou a pressão para que o Senado dê continuidade à análise ainda nas próximas semanas.Leia tambémAntes de decisão dos EUA, Congresso rejeitou equiparar facções ao terrorismoMudança na classificação foi retirada do PL Antifacção, aprovado pelo Congresso neste anoA expectativa de aliados do governo é concluir a tramitação antes do recesso parlamentar de julho, embora o calendário ainda dependa da disposição da cúpula do Senado em acelerar o processo.Três propostas disputam espaçoAlém do texto recém-aprovado pelos deputados, os senadores terão à disposição outras duas alternativas.A principal delas é a PEC 12/2026, protocolada por parlamentares da oposição. A proposta altera o artigo 7º da Constituição para permitir que jornadas e escalas de trabalho sejam definidas por acordo individual, convenção coletiva ou livre negociação contratual entre empregador e trabalhador. Na prática, segundo parlamentares governistas, a proposta criaria a jornada 7×0. O texto reuniu as 36 assinaturas necessárias para tramitar e recebeu apoio majoritário de senadores do PL, incluindo o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ).Nos bastidores, a proposta é interpretada por integrantes da base governista como uma tentativa de criar uma alternativa ao projeto aprovado pela Câmara e reduzir o impulso político da PEC do fim da escala 6×1.A terceira opção é uma proposta mais antiga apresentada pelo senador Paulo Paim (PT-RS). Apesar de estar em tramitação há mais tempo, a avaliação entre lideranças do Senado é que o texto enfrenta maiores dificuldades para ganhar prioridade no atual contexto político.Disputa começou ainda na CâmaraO embate entre governo e oposição já havia ficado evidente durante a votação na Câmara dos Deputados. Parlamentares do PL tentaram alterar o texto durante a sessão para retomar uma versão anterior que previa a adoção de uma escala 4×3. A mudança, segundo defensores da proposta governista, teria o efeito de reiniciar parte da tramitação e atrasar o envio da matéria ao Senado.A derrota da oposição na Câmara levou o debate para uma nova frente de atuação no Senado, onde diferentes grupos agora tentam influenciar o formato final das regras sobre jornada e escala de trabalho.Alcolumbre evita sinalizar caminhoEmbora a proposta tenha se tornado uma das principais pautas do Congresso, Alcolumbre ainda não assumiu compromisso público sobre prazos ou sobre qual texto deverá receber prioridade.A cautela ocorre em um momento de relação mais distante entre o senador e o Palácio do Planalto. O desgaste aumentou após a rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal.Mesmo assim, integrantes do governo trabalham para reconstruir pontes com a cúpula da Casa. Um dos principais interlocutores nessa articulação tem sido o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães (PT-CE).The post Nas mãos de Alcolumbre: qual proposta sobre jornada de trabalho avançará no Senado? appeared first on InfoMoney.
