Cid foi “pego na mentira”: advogado de Bolsonaro defende anulação de delação no STF

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O Supremo Tribunal Federal (STF) retomou nesta quarta-feira (3) o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros sete réus acusados de planejar um golpe de Estado após a derrota nas eleições de 2022. A Procuradoria-Geral da República (PGR) aponta o grupo como responsável por articular medidas para impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).Na defesa de Bolsonaro, o advogado Celso Vilardi buscou enfraquecer a delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente.Segundo o criminalista, a colaboração perdeu credibilidade depois que veio à tona que Cid teria criado um perfil falso no Instagram, em nome da esposa, para trocar mensagens com o advogado Eduardo Kuntz, que representa o também réu Marcelo Câmara. Nas conversas, reveladas pela revista Veja e confirmadas pela Meta, Cid desabafava sobre suposta pressão sofrida por investigadores da Polícia Federal.Leia tambémDefesa de Bolsonaro insiste em “document dumping” e questiona tempo para análiseAdvogados alegam que volume de informações inviabilizou contraditório e negam participação do ex-presidente em articulação golpistaPL pressiona por anistia total enquanto STF retoma julgamento de BolsonaroBancada defende perdão irrestrito aos atos de 8 de Janeiro, mesmo com risco de inconstitucionalidade“Esse homem rompeu o acordo de colaboração e foi pego na mentira pela enésima vez. O que mostra isso? Que ele não é confiável”, afirmou Vilardi, ao sustentar que a delação não pode ser considerada prova válida contra Bolsonaro.A estratégia de deslegitimar a colaboração de Cid vem sendo explorada por diferentes defesas no processo. Desde o início do julgamento, advogados têm alegado que o acordo foi firmado sob coação, tese negada pela própria defesa de Cid, que afirma que o militar colaborou de forma voluntária.Especialistas, no entanto, apontam que uma eventual anulação da delação não inviabilizaria o processo como um todo. Isso porque diversas informações fornecidas por Cid já foram confirmadas por provas independentes, como documentos, depoimentos de militares e registros oficiais. Nesse cenário, o maior prejudicado seria o próprio ex-ajudante de ordens, que poderia perder os benefícios do acordo, como redução de pena ou progressão de regime.O julgamento em andamentoA Primeira Turma do STF, presidida pelo ministro Cristiano Zanin, abriu na terça-feira (2) a análise da denúncia contra o chamado “núcleo crucial” da suposta trama golpista, apontado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como responsável por articular medidas para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após a eleição de 2022.O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, apresentou um relatório de quase duas horas, resumindo as investigações conduzidas pela Polícia Federal e as alegações finais do processo. O julgamento terá sessões extraordinárias até 12 de setembro.Quem são os réusAlém de Bolsonaro, respondem na ação:• Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-diretor-geral da Abin;• Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;• Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do DF;• Augusto Heleno, ex-ministro do GSI;• Mauro Cid, tenente-coronel e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;• Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;• Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil, candidato a vice-presidente em 2022.Os oito réus são acusados de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado por violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado. No caso de Ramagem, parte das acusações foi suspensa por decisão da Câmara dos Deputados.The post Cid foi “pego na mentira”: advogado de Bolsonaro defende anulação de delação no STF appeared first on InfoMoney.

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