A comparação entre Pix e Zelle entrou no debate público após o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) citar o sistema americano como exemplo de ferramenta semelhante à criada pelo Banco Central. A discussão ganhou força depois que o governo dos Estados Unidos incluiu o Pix entre os pontos questionados em uma investigação comercial que pode resultar em tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.Em vídeo publicado nas redes sociais, Eduardo afirmou que os EUA possuem mecanismos “muito semelhantes ao Pix” e mencionou o Zelle como exemplo, sugerindo que o sistema de pagamento brasileiro pudesse entrar em negociação entre Brasília e Washington.Apesar de desempenharem funções parecidas para o usuário final, Pix e Zelle foram construídos sobre modelos bastante diferentes. Essas diferenças estão entre os argumentos apresentados pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) ao questionar o sistema brasileiro.Leia tambémRedes associam tarifaço e ameaça ao Pix a Flávio Bolsonaro, mostra monitoramentoLevantamento da Palver indica que 81% das mensagens opinativas sobre o tema em grupos públicos responsabilizam o senador pela escalada da tensão entre Brasil e EUATarifas de Trump repetem estratégia que pode ser considerada ilegal, diz Paul KrugmanA crítica foi publicada após o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) anunciar uma nova investigação contra vários parceiros comerciais, incluindo União Europeia, Japão e BrasilQuem controla cada sistemaA principal distinção está na governança. O Pix foi desenvolvido e é operado pelo Banco Central. Todas as instituições financeiras participantes seguem regras padronizadas definidas pela autoridade monetária, incluindo critérios de funcionamento, interoperabilidade e gratuidade para pessoas físicas.O Zelle segue um caminho oposto. Lançado em 2017, o sistema é administrado por uma rede de bancos privados americanos e não possui uma autoridade pública central responsável pela sua operação.Nos Estados Unidos, cada instituição participante pode definir condições de uso e políticas próprias para seus clientes.Gratuidade Um dos pontos citados pelo USTR envolve justamente a forma como o Pix é oferecido ao público. No Brasil, o Banco Central determinou que transferências via Pix sejam gratuitas para pessoas físicas. Além disso, instituições participantes precisam disponibilizar o serviço em destaque aos clientes.O governo americano argumenta que essa estrutura favoreceria um sistema operado pelo Estado em detrimento de concorrentes privados, incluindo empresas americanas do setor de pagamentos.No Zelle, a realidade é diferente. Atualmente, quase todas as contas vinculadas ao sistema não cobram taxas dos usuários, mas essa gratuidade decorre de decisões comerciais dos bancos, não de uma obrigação regulatória.No relatório divulgado nesta semana, o USTR afirma que o Banco Central exerce simultaneamente os papéis de regulador e operador do Pix. Segundo o órgão, essa estrutura criaria um potencial conflito de interesses ao permitir que a mesma instituição estabeleça as regras do mercado e administre um dos sistemas que operam nesse ambiente.O documento também sustenta que a obrigatoriedade de oferecer o Pix gratuitamente e em posição de destaque nos aplicativos bancários beneficia uma infraestrutura pública em detrimento de soluções privadas.Entre as empresas potencialmente afetadas, os americanos citam grupos como Visa, Mastercard e WhatsApp Pay.The post O que é o Zelle defendido por Eduardo Bolsonaro para negociação entre Brasil e EUA appeared first on InfoMoney.
