A forte correção das ações de tecnologia na última sexta-feira (5) reacendeu o alerta em Wall Street sobre a sustentabilidade do rali das big techs. Na avaliação do Bank of America, o gatilho foi o relatório de emprego (payroll) dos Estados Unidos acima das expectativas, que reduziu as apostas em cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) e reforçou o cenário de taxas elevadas por mais tempo.Para o banco, o mercado enfrenta atualmente forças opostas que tornam o ambiente mais desafiador para os ativos de risco. De um lado, a economia americana continua demonstrando resiliência, com dados fortes de emprego e atividade. De outro, esse mesmo cenário dificulta o afrouxamento monetário e aumenta o risco de juros mais altos, pressionando especialmente as ações que lideraram os ganhos dos últimos meses.Leia tambémBraskem: IG4 passa a assumir controle da petroquímica; o que esperar para companhia?Gestora IG4 Capital recebeu a aprovação final para assumir a participação de 50,1% detida pela Novonor na petroquímica; novo controlador prioriza desalavancagem e avalia recuperação extrajudicialIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa oscila em meio à suspensão de ataques Irã-IsraelBolsas dos EUA sobem com nova notícia de cessar-fogoAnalistas afirmam que a mudança nas expectativas para a política monetária ocorre em um momento em que diversos indicadores técnicos já apontavam para um mercado excessivamente esticado. Padrões gráficos de reversão, indicadores de força relativa (RSI) em níveis elevados e outros sinais técnicos sugerem que a volatilidade pode continuar elevada nas próximas semanas.Entre as gigantes de tecnologia, o Bank of America segue vendo melhores condições relativas para Micron (MUTC34), Alphabet (GOGL34), Nvidia (NVDC34) e Apple (AAPL34). Segundo o banco, esses papéis ainda apresentam estruturas técnicas mais construtivas e podem voltar a liderar os ganhos caso o mercado encontre estabilidade.A Micron é apontada como o destaque do grupo, combinando forte desempenho absoluto e relativo. Já Alphabet, Nvidia e Apple mantêm padrões gráficos que, na visão dos analistas, ainda permitem continuidade da tendência de alta em um cenário de normalização dos mercados.Por outro lado, o banco demonstra maior cautela com Meta (META34), Tesla (TSLA34), Palantir (P2LT34) e Netflix (NFLX34). A Netflix é considerada o caso mais frágil do grupo, exibindo um padrão técnico mais claramente baixista.Entre as empresas mais relevantes do setor, Broadcom (AVGO34) e Microsoft (MSFT34) registraram alguns dos sinais técnicos negativos mais expressivos da semana passada. Na avaliação do Bank of America, os movimentos reforçam uma postura mais defensiva para o curto prazo, especialmente após a forte valorização acumulada pelas ações ligadas à inteligência artificial.O banco ressalta que não vê necessariamente o fim do ciclo de alta das empresas de tecnologia, mas acredita que o mercado entrou em uma fase mais complexa, marcada por avaliações elevadas, juros pressionados e maior sensibilidade aos indicadores econômicos. Nesse contexto, a recomendação é de maior disciplina na gestão de risco, uma vez que a volatilidade tende a permanecer acima dos níveis observados ao longo da maior parte do rali recente.Nasdaq 100 está excessivamente esticadoO Nasdaq 100 (NDX) superou ligeiramente as expectativas ao romper a marca dos 30 mil pontos. No entanto, segundo o Bank of America, o movimento deixou o índice excessivamente esticado em relação às projeções técnicas.Além disso, o RSI de 14 semanas atingiu cerca de 78 pontos e começou a recuar, enquanto foi formado um padrão gráfico de engolfo de baixa semanal, normalmente interpretado como um sinal de enfraquecimento da tendência.Diante desse cenário, o banco recomenda que investidores com posições compradas adotem mecanismos de proteção, como ordens de stop móvel ou estratégias com opções.O nível de 28.567 pontos é apontado como o principal suporte de curto prazo. Uma quebra abaixo desse patamar configuraria uma mínima de quatro semanas e aumentaria o risco de retorno aos topos registrados em 2025, próximos de 26.182 pontos.S&P 500Apesar da recente correção, o banco observa que o S&P 500 acumulou nove semanas consecutivas de alta até 29 de maio.Historicamente, após o fim de sequências semelhantes e depois de uma correção típica de uma ou duas semanas, o índice tende a retomar a trajetória positiva. Em todos os 13 episódios analisados pelo banco, o S&P 500 estava mais alto cinco semanas depois.Ainda assim, houve exceções com desempenho mais fraco, como nos períodos de fevereiro a abril de 2024, setembro a novembro de 1989, outubro a dezembro de 1963, maio a julho de 1963 e agosto a setembro de 1936.The post BofA: cenário de juros altos por mais tempo desafia rali das big techs appeared first on InfoMoney.
