A seleção masculina da China só disputou uma Copa do Mundo, em 2002, e terminou a primeira fase com três derrotas – uma delas por 4 a 0 para o Brasil – e sem marcar nenhum gol. O time feminino tem mais tradição e já foi a 8 edições de mundiais da FIFA, chegando a um vice-campeonato em 1999. Ainda que não seja um esporte com tradição mais longa, a Copa do Mundo tem muita visibilidade e gera consumo no país asiático. Qual o motivo desse apelo?Theo Paul Santana, especialista em negócios China/Brasil e fundador do Destino China, tem uma explicação na ponta da língua: porque, para os chineses, a Copa vai muito além do esporte. “A Copa funciona como uma grande plataforma de entretenimento, mídia, consumo e descoberta de marcas. Mesmo quando a seleção chinesa não participa da competição, o interesse do público continua extremamente elevado”, descreveLEIA MAIS: Calendário da Copa: saiba como acompanhar os 72 jogos da 1ª fase sem se perderSegundo Santana, para se ter uma dimensão desse impacto, a Copa do Mundo de 2022, no Catar, alcançou cerca de 1,16 bilhão de pessoas na China. Somente na televisão, mais de 509 milhões de espectadores acompanharam os jogos. Além disso, a participação chinesa no consumo digital de conteúdo relacionado ao torneio esteve entre as maiores do mundo.“Isso faz com que a Copa se transforme em uma enorme vitrine para marcas, produtos e experiências”, destaca.Outro fator importante é que o consumidor chinês é altamente digital, diz o especialista. Plataformas como Douyin, Xiaohongshu, WeChat e Weibo funcionam simultaneamente como redes sociais, canais de entretenimento, recomendação de produtos e ambientes de compra.Leia também: Quanto vale a taça da Copa do Mundo?“Durante grandes eventos esportivos, a atenção do público aumenta e, na China, atenção costuma se converter rapidamente em consumo quando existe uma estratégia bem estruturada”, explica.Por isso, para empresas brasileiras, a Copa de 2026 também representa uma oportunidade de conectar produtos à imagem positiva que o país possui no imaginário chinês. “Produtos como café, açaí, carne bovina, cosméticos naturais, moda e alimentos premium podem se beneficiar desse movimento quando associados a uma narrativa forte de origem, cultura e estilo de vida”, listaOu seja, Santana defende que, a Copa gera audiência, mas, para quem sabe trabalhar marca e posicionamento, ela também pode gerar negócios.The post A China não está na Copa, mas a Copa está na China. Como aproveitar esse apelo? appeared first on InfoMoney.
