IPCA de maio rompe teto da meta e traz dilema sobre corte ou manutenção da Selic

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O avanço da inflação para 4,72% no acumulado de 12 meses, acima do teto da meta, está dividindo o mercado. Os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados nesta sexta-feira (12), mostram uma melhora qualitativa nos serviços, o que sustenta apostas de um último alívio na Selic, atualmente em 14,5%. Mas pressões em alimentos e energia também fortalecem o argumento de pausa na próxima reunião, marcada para os dias 16 e 17 de junho. No dado mensal, o IPCA avançou 0,58% em maio, superando as projeções do mercado, que estavam entre 0,52% e 0,55%.  Alimentos e energia puxam alta do IPCA em maioA composição do índice mostra que as pressões seguem enraizadas no orçamento diário dos brasileiros. Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, destaca que o grupo de Alimentação e Bebidas saltou 1,33%, respondendo por praticamente metade da inflação do mês. O movimento reflete problemas de oferta impulsionados por fatores climáticos e custos logísticos, que encareceram itens da cesta in natura, como batata-inglesa (+44,69%), tomate (+20,62%) e cebola (+16,80%), além de carnes, leite e arroz.  “O dado mais relevante não está no resultado mensal. Está nos 4,72% acumulados em doze meses. Em abril, esse número era de 4,39%. A inflação não apenas permanece acima do teto da meta. Ela voltou a ganhar altura. O mercado comemora números. O Banco Central observa tendências. E a tendência continua desconfortável”, afirma Olívia.Outro vetor determinante de alta foi o grupo Habitação, que avançou 1,22%. O acionamento da bandeira tarifária amarela pela Aneel e os reajustes aplicados em diversas capitais levaram a energia elétrica residencial a uma alta de 3,67%, representando o maior impacto individual do mês no índice.  Leia tambémIPCA: inflação sobe 0,58% em maio, um pouco acima do esperado pelo mercadoAs expectativas em pesquisa da Reuters eram de altas de 0,53% sobre o mês anterior e de 4,66% em 12 mesesQueda nos combustíveis e alívio nos serviçosSe o índice cheio assustou, as métricas subjacentes ofereceram certo conforto, segundo os economistas. Rafael Rondinelli, economista da MAG Investimentos, destaca que os Transportes trouxeram alívio ao registrar queda de 0,46%, beneficiados pelo recuo da gasolina (-1,46%) e do etanol (-6,20%). No entanto, o detalhe que mais atrai a atenção do Banco Central veio do setor terciário, avalia Rondinelli. O grupo de serviços, que há meses demonstrava resistência impulsionada por um mercado de trabalho aquecido, apontou desaceleração na margem em itens subjacentes e intensivos em mão de obra. A média dos cinco principais núcleos de inflação recuou de 0,50% em abril para 0,45% em maio.  “Os grupos mais relevantes para a análise do núcleo — subjacentes, serviços, semi-duráveis e duráveis — vieram em linha com o esperado e apresentaram bom comportamento”, explica Carlos Thadeu, economista de inflação da BGC Liquidez. Para ele, a leitura para o Banco Central deveria ser benigna, ou seja, abre espaço para mais um corte de juro.Copom: Os dados que justificam corte de juroAs surpresas mistas dividem os economistas sobre a próxima decisão do Copom. Para uma ala, a melhora na qualidade dos serviços garante espaço para o BC cumprir a sinalização dada na última reunião de fazer mais um corte.Para Helena Veronese, economista-chefe da B.Side Investimentos, a desaceleração nos núcleos da inflação dão espaço para o Banco Central reduzir os juros em 25 pontos-base, indo a 14,25% e, ainda assim, manter o discurso cauteloso, observando os sinais inflacionários. Na mesma linha, Julio Barros, economista do Daycoval, aponta que o número não deve alterar o cenário e que o Banco Central deve continuar o ciclo de corte com 0,25 pontos percentuais na reunião da próxima semana. Os dados que reforçam pausa Por outro lado, o avanço da inflação para além do teto e a ausência de ancoragem nas expectativas levam casas a projetarem a interrupção da queda da Selic. “A inflação não apenas permanece acima do teto da meta. Ela voltou a ganhar altura. A inflação de hoje não entrega conforto suficiente para decisões precipitadas. Juros podem até cair por expectativa. Credibilidade, não”, alerta Olívia, da Magno Investimentos. Ela chama a atenção também para os impactos da incerteza fiscal em Brasília, já que as políticas de estímulo ao crédito pressionam a alta da inflação.Leonardo Costa, economista do ASA, e Carlos Lopes, economista do BV, reforçam essa tese. Costa destaca que o cenário segue preocupante para o BC, que deve encerrar o ciclo de corte de juros na próxima reunião. Alexandre Maluf, economista da XP, lembra ainda que parte do mercado já reprecificou o ciclo de juros, inclusive vendo possível alta este ano. A XP, no entanto, projeta mais dois cortes de 0,25 ponto percentual, com Selic encerrando o ano em 14%. “Ainda estamos com uma visão de queda, mas com viés de uma Selic um pouco mais alta”, diz.Efeitos do Acordo EUA-Irã no preço do petróleoEm paralelo às pressões domésticas, os economistas observam as movimentações no Oriente Médio. O mercado repercute as negociações entre os Estados Unidos e o Irã — impulsionadas por sinalizações atribuídas a Donald Trump —, o que já levou a quedas robustas no preço do barril de petróleo Brent.  Peterson Rizzo, Head de R.I da Multiplike, explica que, caso a reabertura do Estreito de Ormuz se confirme, o alívio no petróleo pode se estender, contribuindo para descomprimir o câmbio e a inflação nos próximos meses, e abrindo espaço para cortes na Selic.Porém, para Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, a queda do petróleo funcionaria mais como “mitigador de risco inflacionário futuro” do que como solução para as pressões domésticas já incorporadas em serviços, alimentação e núcleos de inflação. Antes da divulgação deste IPCA, até o dia 10 de junho, as apostas do mercado nas Opções Copom na B3 estavam caindo levemente para a manutenção dos juros, indo de 70% para 67,3%, e subindo levemente para o corte, passando de 29,5% para 31,36%.Resta saber qual peso o Banco Central dará a cada uma dessas forças na sua próxima deliberação. The post IPCA de maio rompe teto da meta e traz dilema sobre corte ou manutenção da Selic appeared first on InfoMoney.

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