Posto no centro de SP recebeu combustível adulterado em esquema ligado ao PCC

Blog

Um posto de combustíveis localizado na região central de São Paulo foi identificado pela Justiça como um dos pontos estratégicos para o descarregamento de metanol desviado por uma rede de adulteração operada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).Segundo as autoridades, o Auto Posto Bixiga Ltda., na Bela Vista, foi usado repetidamente para receber cargas ilegais da substância, tóxica e proibida em altas concentrações, que abasteciam um esquema milionário de fraudes no setor.Leia tambémCorreios cortam contrato com fintech investigada por elo com PCCPrestadora já acumulava histórico de falhas técnicas; estatal tomou decisão dias após deflagração da operação Carbono Oculto, contra lavagem de dinheiro ligada à facção criminosaReceita vai exigir dados retroativos de fintechs para combater crimes financeirosSecretário Robinson Barreirinhas anuncia retomada da fiscalização sobre movimentações financeiras desde janeiro, após revogação prejudicar combate à lavagem de dinheiroSegundo a Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal e do Ministério Público, a facção criou uma estrutura sofisticada para infiltrar o mercado de combustíveis: do desembarque portuário à revenda nos postos, passando por documentos falsificados, empresas de fachada e lavagem de dinheiro por meio de instituições de pagamento. O volume movimentado impressiona: mais de 10 milhões de litros de metanol teriam sido desviados com aparência de legalidade.Multa e interdiçãoEntre 2022 e 2024, o Auto Posto Bixiga foi alvo de mais de 30 notificações e quatro interdições por irregularidades detectadas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Em um dos episódios, em junho de 2022, foi encontrado alto teor de metanol no etanol comercializado no local. A legislação brasileira permite no máximo 0,5% de metanol na composição da gasolina, por questões de saúde e segurança. Em alguns postos ligados ao esquema, a porcentagem chegava a 50%.A localização do posto — na esquina da Rua Manoel Dutra com a Rua João Passalacqua — facilitava a ação do grupo. Caminhões que deveriam entregar metanol a empresas químicas no Mato Grosso desviavam o trajeto pela Rodovia Régis Bittencourt até São Paulo. O produto, importado pelo porto de Paranaguá (PR), chegava à capital paulista amparado por notas fiscais falsas, que alegavam o transporte de álcool ou gasolina.Ramificações financeirasAlém do setor de combustíveis, a operação revelou que o PCC mantinha infiltrados em fundos de investimento da Faria Lima, principal centro financeiro da capital paulista. O objetivo era lavar o dinheiro obtido com a adulteração de combustíveis e escoar os recursos por meio do sistema financeiro.Conversas extraídas de celulares de motoristas interceptados pela Polícia Rodoviária Federal ajudaram a mapear a logística do desvio. Segundo documentos judiciais, o grupo utilizava uma “estrutura criminosa complexa”, com atuação coordenada para burlar controles fiscais e ambientais, fraudar o produto e vendê-lo ao consumidor final.Rede de postos e lavagemNo total, 19 postos foram nomeados em decisões judiciais que integram a investigação. A Receita Federal estima que mais de mil estabelecimentos foram usados para lavagem de dinheiro da facção, com movimentações em dinheiro vivo e transações eletrônicas por maquininhas.Apesar de o Auto Posto Bixiga estar entre os citados, o proprietário, Celso Abugao Silveira, segundo registros empresariais consultados pelo portal G1, não aparece como réu nos processos nem foi formalmente acusado nas decisões públicas relacionadas à operação.The post Posto no centro de SP recebeu combustível adulterado em esquema ligado ao PCC appeared first on InfoMoney.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *