UBS BB eleva Sabesp para compra e vê janela de entrada após queda de 20% da ação

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O UBS BB elevou a recomendação para as ações da Sabesp (SBSP3) de neutra para compra, enquanto manteve o preço-alvo em R$ 38 por ação (potencial de valorização de 36%), vendo uma janela de entrada mais atrativa após a queda recente do papel. As ações estão entre os destaques do Ibovespa nesta terça-feira (16), com SBSP3 subindo 0,90%, a R$ 28,12. O banco afirma que a ação passou a oferecer um ponto de entrada interessante depois de recuar cerca de 20% desde a máxima de abril, movimento que, na avaliação dos analistas, foi puxado principalmente pela saída de capital estrangeiro do Brasil, e não por uma piora dos fundamentos da companhia.O banco estima que a empresa negocia a uma taxa interna de retorno real de 13,1%, patamar que considera atrativo para uma companhia regulada de saneamento.A tese do UBS BB continua apoiada na capacidade da Sabesp de acelerar investimentos após a privatização e transformar esse avanço em crescimento da base de ativos regulatórios e, por consequência, da geração operacional. O banco projeta crescimento anual composto de 17,5% do EBITDA (lucro antes de juros impostos, depreciações e amortizações) entre 2025 e 2030, desconsiderando efeitos de VNR (Valor Novo de Reposição), em meio ao esforço para antecipar a universalização do saneamento em São Paulo.Apesar de manter uma visão construtiva para a empresa, o UBS BB revisou para baixo suas estimativas de capex nos próximos anos. A casa agora projeta investimentos de R$ 19 bilhões em 2026, ante estimativa anterior de R$ 20 bilhões, de R$ 21,5 bilhões em 2027, abaixo dos R$ 22,4 bilhões anteriores, e de R$ 19 bilhões em 2028, contra R$ 19,2 bilhões antes. A mudança reflete, segundo os analistas, o desafio operacional de sustentar uma forte aceleração no ritmo de obras.No primeiro trimestre de 2026, a Sabesp investiu R$ 3,7 bilhões. Para atingir os cerca de R$ 20 bilhões indicados pela empresa no Investor Day para o ano, seria necessário um ritmo de aproximadamente R$ 5,4 bilhões por trimestre no restante de 2026 — cerca de 45% acima do executado entre janeiro e março. O banco considera esse salto possível, mas optou por uma premissa mais conservadora.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa cai com geopolítica e dados no radarBolsas dos EUA operam sem força em meio a acordo com Irã e nova alta de SpaceXAinda assim, o banco avalia que o volume de investimentos segue bastante elevado em relação ao período anterior à privatização, quando a companhia aplicava algo perto de R$ 6 bilhões por ano. Em suas contas, esse novo ciclo deve levar o RAB (base regulatório de ativos) líquido de cerca de R$ 88 bilhões em 2024 para R$ 143 bilhões em 2027.No modelo regulatório do saneamento, a receita permitida está fortemente ligada à base de ativos reconhecida pelo regulador. Em termos simples, quanto maior o volume de investimentos incorporado ao RAB, maior tende a ser a remuneração futura da companhia, desde que o retorno regulatório e a execução operacional se sustentem. É por isso que o UBS BB utiliza a métrica EV (valor da firma)/RAB para avaliar a ação.Pela metodologia do banco, a Sabesp vale 1,24 vez o EV/RAB de 2027, múltiplo usado para chegar ao preço-alvo de R$ 38. No mercado, porém, a ação negocia hoje a cerca de 0,98 vez esse indicador, o que, para o UBS BB, sugere que o papel embute uma percepção excessivamente conservadora sobre riscos regulatórios, políticos e de execução.Reversão da privatização?Outro ponto abordado no relatório é o ruído político em torno da privatização, em meio à aproximação da eleição para o governo de São Paulo. O banco reconhece que surgiram notícias sobre eventuais candidaturas dispostas a revisar o processo, mas avalia que a probabilidade de uma reversão completa é baixa.Na visão do banco, há três barreiras principais para isso. A primeira é jurídica, já que existe um contrato assinado e direitos adquiridos. A segunda é financeira: uma reversão exigiria, em tese, recompra compensada de ações, com custo elevado. A terceira é institucional, uma vez que qualquer mudança estrutural dependeria de novo processo legislativo e provavelmente enfrentaria disputas judiciais.Por isso, o UBS BB entende que o risco mais plausível não é uma reversão total da privatização, mas sim mudanças regulatórias marginais que possam afetar percepção de risco ou ritmo de execução. Ainda assim, o banco trata o noticiário recente mais como ruído pré-eleitoral do que como ameaça concreta à tese de investimento.Para os analistas, a ação pode voltar a andar se houver melhora do fluxo para Brasil, execução consistente do capex em torno de R$ 5 bilhões por trimestre, avanço adicional em eficiência operacional e redução da incerteza política após as eleições. Expansões inorgânicas também aparecem no radar como potenciais catalisadores.Do lado dos riscos, a equipe de análise cita justamente o barulho político em torno da privatização, desafios para executar o plano de investimentos, um período prolongado de condições hidrológicas desfavoráveis e juros mais altos no Brasil.No balanço final, o banco conclui que a piora recente da ação abriu uma oportunidade. Para o UBS BB, o mercado passou a precificar um cenário mais negativo do que o justificado pelos fundamentos da Sabesp, enquanto a companhia segue posicionada para ampliar sua base de ativos, acelerar o EBITDA e capturar valor com a universalização do saneamento.The post UBS BB eleva Sabesp para compra e vê janela de entrada após queda de 20% da ação appeared first on InfoMoney.

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