EVIAN-LES-BAINS, FRANÇA/DUBAI, 17 Jun (Reuters) – Os líderes dos países do G7 exigiram, nesta quarta-feira, um cessar-fogo no Líbano e afirmaram que diversificarão as rotas de abastecimento energético para reduzir a dependência do Estreito de Ormuz em resposta à guerra no Irã, ao mesmo tempo em que acolheram com satisfação um acordo provisório para pôr fim ao conflito.Os líderes se reuniram para uma cúpula na cidade francesa de Evian-les-Bains, às margens do Lago Genebra, enquanto detalhes do acordo de cessar-fogo entre os EUA e o Irã vazavam de Washington e Teerã antes de sua divulgação formal, prevista para sexta-feira.Espera-se que o acordo entre os EUA e o Irã dê início a negociações rumo a um acordo definitivo para pôr fim à guerra, que já matou mais de 7.000 pessoas, principalmente no Irã e no Líbano.“Enfatizamos a necessidade de negociações… para lidar com as ameaças representadas pelo Irã na região e além dela e garantir que o país nunca obtenha uma arma nuclear”, afirmaram os líderes em um comunicado.A cúpula deu ao presidente dos EUA, Donald Trump, a oportunidade de apresentar seu acordo com o Irã aos principais aliados: Reino Unido, Canadá, França, Alemanha, Itália e Japão.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Confira o que movimenta Bolsa, Dólar e Juros nesta quartaÍndices futuros dos EUA operam sem força em dia de decisão do Fed A maioria deles compartilha das preocupações de Washington sobre o programa nuclear do Irã e outras questões, mas nunca endossou sua decisão de entrar em guerra e teme que Teerã tenha ganhado influência ao resistir ao ataque da superpotência e afirmar seu controle sobre o estreito.Os líderes afirmaram estar prontos para contribuir com a implementação do acordo, com uma coalizão liderada pelo Reino Unido e pela França pronta para ajudar a garantir a segurança da navegação assim que o Estreito de Ormuz for reaberto, como previsto, na sexta-feira.O memorando de entendimento assinado por Washington e Teerã nesta semana, embora ainda não tenha sido divulgado, prorroga o cessar-fogo anunciado em abril por mais 60 dias, a fim de permitir que os países em conflito negociem uma trégua permanente.O presidente dos EUA parece ter alcançado pouco do que disse querer no início da guerra. O governo teocrático do Irã permanece no poder, seu estoque de urânio altamente enriquecido não foi entregue, suas capacidades de mísseis balísticos não foram destruídas e o país não encerrou seu apoio a milícias anti-Israel, como o Hezbollah, no Líbano.Trump afirmou que o acordo estabelece que o Irã não terá uma arma nuclear — uma reafirmação da posição oficial do Irã desde a década de 1970 — e autoridades americanas afirmam que novas discussões levarão à remoção ou destruição de seu estoque de urânio enriquecido.Mas encerrar a guerra nesses termos ainda poderia expor Trump a críticas, inclusive dentro de seu próprio Partido Republicano, antes das eleições de meio de mandato em novembro.TRÉGUA NO LÍBANO?Uma das maiores questões que ainda pairam sobre a trégua é o destino do Líbano, país que Israel invadiu em março para erradicar o Hezbollah depois que o grupo militante disparou através da fronteira em solidariedade a Teerã, após os ataques dos EUA e de Israel ao Irã.As forças israelenses ainda ocupam uma faixa do sul do Líbano, onde mais de um milhão de pessoas foram expulsas de suas casas, enquanto o Hezbollah permanece invicto.O Irã afirma que o cessar-fogo também deve pôr fim às hostilidades no Líbano e que um acordo permanente deve levar à retirada israelense. Israel, que foi excluído das negociações de paz entre os EUA e o Irã, afirma que não se retirará e se reserva o direito de usar força militar.Isso abriu uma fissura entre Israel e os Estados Unidos, com Trump repreendendo publicamente seu aliado em tempos de guerra, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. Na terça-feira, Trump disse na cúpula que estava “insatisfeito” com a maneira como Israel havia agido.“Sem nós, sem os Estados Unidos, não haveria Israel. Sem mim, não haveria Israel, porque nenhum outro presidente estava disposto a fazer o que eu fiz”, disse Trump.Em sua declaração, os líderes do G7 pediram um “cessar-fogo imediato e robusto” no Líbano e o desarmamento do Hezbollah.Um porta-voz do Hezbollah disse à Reuters que o grupo acreditava que o Irã não concordaria com uma trégua permanente se a ocupação israelense não terminasse.Após décadas de sanções financeiras dos EUA e da comunidade internacional que levaram a economia do Irã à beira do abismo, um acordo de paz poderia trazer benefícios econômicos. O memorando inclui um fundo de reconstrução de US$300 bilhões, financiado pelos países vizinhos do Golfo, caso o Irã cumpra os demais termos.Nos próximos 60 dias, os negociadores voltarão a abordar questões difíceis, como o futuro do programa nuclear do Irã. Mas o apoio do Irã a milícias regionais e seu arsenal de mísseis não parecem estar na agenda, o que equivaleria a grandes concessões por parte dos EUA.Os preços do petróleo caíram novamente na quarta-feira diante das perspectivas de reabertura do Estreito de Ormuz, com os futuros do petróleo Brent abaixo de US$80, em seu nível mais baixo desde o início do conflito entre os EUA e o Irã.Uma alta autoridade dos EUA afirmou que o país suspenderá as sanções ao petróleo iraniano no âmbito do acordo para pôr fim à guerra, aumentando a perspectiva de milhões de barris adicionais de oferta, embora autoridades do setor afirmem que a produção de petróleo e gás no Oriente Médio levará meses para se recuperar totalmente.Os líderes do G7 afirmaram que se comprometeram a “acelerar a diversificação das rotas de abastecimento energético, a fim de reduzir a vulnerabilidade global ao Estreito de Ormuz e aumentar nossos estoques de energia”.The post Líderes do G7 exigem cessar-fogo no Líbano e acolhem com satisfação acordo com Irã appeared first on InfoMoney.
