Alvo de investigação da Polícia Federal, que apura a relação do banqueiro Daniel Vorcaro com financiamento da obra, o filme ‘Dark hose’, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), teve sua primeira exibição ao público na última segunda-feira em um encontro da direita americana batizado de Fraud Fighter Summit (Cúpula de Combate a Fraude), em Las Vegas. A premiere do filme marcou o final do primeiro dia da convenção e contou com a presença do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).Como mostrou o blog da Bela Megale, o foco do filho do ex-presidente era atrair distribuidores interessados em exibir ‘Dark horse’ em salas de cinema nos Estados Unidos. Após a exibição, Eduardo e o diretor Cyrus Nowrasteh estiveram entre os participantes de um painel mediado pelo influenciador de direita Juan O’Savin.Durante o painel, Eduardo Bolsonaro falou sobre a situação de saúde do pai e discorreu sobre o envolvimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Operação Lava Jato O ex-deputado afirmou que o filme faz parte de uma guerra cultura contra adversário ideológicos.— O que mais gosto é a guerra cultural. Por exemplo, esse filme aqui vai ser um pesadelo para a esquerda — disse Eduardo, que fez menção ao filme Exterminador do Futuro 2, de 1991, como exemplo de obra cinematógráfica de impacto duradouro, sugerindo que “Dark horse” poderia ter o mesmo alcance. — É assim que esse tipo de coisa é poderosa. E não está em português, está em inglês, de propósito. Se fizermos algo no Brasil, eles bloqueiam facilmente, mas também porque queremos que este filme seja um sucesso mundial.Eduardo também respondeu a um questionamento sobre se a produção do filme precisou lidar com alguma “reação política contrária do establishment comunista”. O ex-deputado se limitou a mencionar uma ação na Justiça Eleitoral, sem fazer menções às outras controvérsias nas quais “Dark horse” está envolvido, como o financiamento do banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, à produção do filme.— O Partido dos Trabalhadores, que é o partido do atual ocupante da Presidência da República, entrou com uma ação contra nós na Justiça Eleitoral tentando censurar este filme até a eleição — disse Eduardo.Ao responder a mesma pergunta, Cyrus Nowrasteh afirmou que o filme foi filmado sem conhecimento do “establishment” e acrescentou que os órgãos públicos só souberam da produção ao final das filmagens, quando a equipe gravava as cenas da facada sofrida por Bolsonaro na campanha de 2018. “Todos os nossos documentos estavam legais”, disse o cineasta. Em outro trecho ele afirma que o filme pode ajudar a eleger Flávio Bolsonaro à Presidência da República.— Esperamos que este filme seja visto no Brasil e receba o apoio dos brasileiros. Eles reconhecerão a sua própria história, a sua história recente, e levarão Flávio Bolsonaro ao poder como o próximo presidente do Brasil — disse Cyrus.Leia tambémApós condenação, Eduardo Bolsonaro diz que julgamento busca tirá-lo das eleiçõesEx-deputado afirma que não foi formalmente citado no processo, chama decisão de “nula” e volta a criticar Alexandre de Moraes após condenação unânime por coação no curso do processoPor unanimidade, STF condena Eduardo Bolsonaro a 4 anos e 2 meses por coaçãoPrimeira Turma formou maioria para condenar ex-deputado por atuação voltada a influenciar processos ligados à trama golpista e ao julgamento de Jair Bolsonaro‘É verdade’, diz Eduardo sobre acusação de coaçãoNesta terça-feira, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Eduardo Bolsonaro a quatro anos de prisão por atuar nos EUA para coagir ministros da Corte através da articulação de sanções. O evento em Las Vegas aconteceu um dia antes da decisão, mas o tema foi abordado pelo ex-deputado, que se referiu aos magistrados como “covardes”.— Disseram que eu estava trabalhando com o governo Trump para sancionar o ministro do Supremo Tribunal Federal que está mandando todas essas pessoas para a prisão. Isso é verdade. Não porque eu estivesse tentando absolver meu pai no julgamento, porque eu sempre soube que ele seria condenado. Mas, como eles são covardes, não processam nem denunciam o presidente Trump, o secretário Rubio ou Bessent. Em vez disso, estão me denunciando, tentando me tornar inelegível — disse Eduardo.‘Lutadores’, condenada por fraude e ingressos esgotadosO evento, que vai durar até esta quarta-feira, diz ter em sua programação apresentações e discussões sobre “métodos avançados para detecção de manipulação em processos eleitorais”. Um dos cartazes do encontro conservador convoca o público a se juntar aos “lutadores” no combate a fraude em títulos, corrupção governamental, fraude eleitoral e golpes na área de saúde. O ingresso para participar do evento, que acontece no hotel Aher, em Las Vegas, custava US$ 350. Segundo a organização da cúpula, todos os 700 assentos esgotaram.O primeiro dia do Fraud Fighter Summit não contou com transmissão on-line, mas parte do público compartilhou trechos do encontro nas redes sociais. Um deles mostra o discurso feito pela ex-funcionária eleitoral do Colorado Tina Peters, que antecedeu à exibição de “Dark horse”. Até o início de junho, a americana encontrava-se presa após ser condenada a nove anos de prisão por participar de um esquema para manipular máquinas de votação no estado. O objetivo de Peters era mostrar que as urnas haviam sido fraudadas para prejudicar Trump no pleito de 2020, perdido para Joe Biden.No dia primeiro de junho, ela foi solta após o governador do Colorado, o democrata Jared Polis, ser pressionado por Trump a reduzir a pena de Peters.— Este filme é muito importante. Acompanhei Bolsonaro e o que aconteceu no Brasil. Isso pode acontecer em todos os países do mundo e é claro que eles estão tentando fazer isso com o nosso país. (…) Amo vocês e precisamos respeitar esse pessoal do Brasil — disse Peters, sob aplausos dos presentes.Segundo consta na página oficial do evento, devem participar do Fraud Fighter Summit ainda o ex-estrategista de Trump e aliado da família Bolsonaro nos EUA, Stephen Bannon, além da atriz Roseanne Barr, apoiadora do presidente americano. Outro convidado do evento é o ex-primeiro-ministro sul-coreano Hwang Kyo-ahn. Em novembro de 2025, ele foi detido pelas autoridades do país por incitar uma insurreição ao apoiar a lei marcial decretada pelo ex-presidente Yoon Suk-yeol em 2024. Ele e o líder do partido Liberdade e Inovação foram aos EUA para “trazer a verdade sobre as eleições de 3 de junho na Coreia do Sul”, que alegam serem fraudadas.The post Em estreia de “Dark Horse”, Eduardo Bolsonaro fala de guerra cultural e evita Vorcaro appeared first on InfoMoney.
