Elon Musk conseguiu quebrar dois recordes gigantes no mundo dos negócios na sexta-feira, 12: lançar a maior oferta pública inicial da história com sua empresa SpaceX e se tornar o primeiro trilionário do mundo.Ambas as conquistas foram difíceis até mesmo para Musk compreender, considerando que ele já havia dito que originalmente esperava que a empresa fracassasse.Leia também: Musk diz que ficará surpreso se receita da SpaceX não superar US$ 1 tri em 2031“É realmente difícil acreditar que uma pequena empresa que começou em um galpão em El Segundo agora esteja realizando o maior IPO da história”, disse ele durante uma aparição na Nasdaq quando a ação SPCX começou a ser negociada na sexta-feira. “E vou dizer uma coisa: se alguém tivesse me dito que isso iria acontecer, eu teria respondido: ‘Cara, você só pode estar viajando.’”A SpaceX começou a ser negociada a US$ 150 por ação e chegou a US$ 171 por ação no meio do dia, consolidando seu título como o primeiro trilionário da história, considerando suas participações majoritárias na empresa espacial e na Tesla.E, embora exista uma enorme diferença entre ser milionário e bilionário, é ainda mais difícil compreender o que realmente significa ser trilionário. Até gestores de patrimônio experientes têm dificuldade para imaginar como administrariam uma fortuna do tamanho da de Musk, especialmente porque ela tem poder para movimentar mercados e exercer enorme influência caso não seja mantida sob controle.“Eu diria que existem zero consultores financeiros qualificados para administrar US$ 1 trilhão”, disse Jake Falcon, CEO da Falcon Wealth Advisors, à Fortune. “Se Elon me contratasse para administrar sua fortuna, eu criaria um novo tipo de family office [gestão do patrimônio familiar]”Falcon disse que isso significaria montar uma estrutura que estivesse “verdadeiramente alinhada” à filosofia de Musk e formar uma equipe capaz de atender a todas as suas necessidades de gestão patrimonial, além de ter confiança para dizer a ele quando estiver tomando uma decisão errada.Uma escala totalmente novaAdministrar a fortuna de um trilionário não é simplesmente administrar a de um bilionário em uma escala maior, disse à Fortune T.L. Turnipseed, chefe de planejamento sucessório e tributário da Alta Trust Company.Enquanto um bilionário normalmente precisa de uma gestão sofisticada de investimentos, planejamento tributário e um family office, um trilionário precisaria de “algo próximo à governança de uma empresa privada”, afirmou.“O planejamento precisa abordar ao mesmo tempo controle, sucessão, exposição a credores, volatilidade do mercado, escrutínio público, liquidez, filantropia e governança multigeracional”, explicou. “A verdadeira diferença é que a questão central deixa de ser ‘conseguimos aumentar o patrimônio?’ e passa a ser ‘conseguimos preservar o controle e o propósito?’ quando os números se tornam grandes demais para o planejamento convencional. A resposta é um sistema de governança, e não apenas um portfólio.”Evan Mills, consultor financeiro associado da Scholar Advising, especializada em planejamento patrimonial complexo para famílias de patrimônio ultralevado, afirmou que fortunas trilionárias realmente conseguem movimentar mercados.“Um bilionário pode ter risco de concentração em uma única empresa ou setor. Mas, com US$ 1 trilhão, além desse risco de concentração, qualquer movimento que a pessoa faça passa a ter um grande impacto no mercado”, disse. “Se ela vender ações, pode influenciar o preço desses papéis apenas pela quantidade vendida. E então surge a preocupação com controle acionário e com a possibilidade de perder o controle da própria empresa.”No caso específico de Musk, acrescentou Mills, o escrutínio sobre cada transação amplia ainda mais o risco. “Estamos falando de Elon Musk, então absolutamente cada movimento será analisado”, disse. “A percepção pública sobre qualquer decisão tomada por um trilionário em seus negócios pode gerar — ou vir a gerar — medo entre investidores de varejo e institucionais.”A armadilha da liquidezTer um patrimônio líquido de US$ 1 trilhão também não significa ter US$ 1 trilhão no banco. “A pessoa tem US$ 1 trilhão em seu balanço patrimonial, mas isso não significa que tenha alta liquidez. Como ela realmente acessa esse dinheiro?”, questiona Mills. “Vai tomar empréstimos usando ações como garantia? Então surgem preocupações com risco de margem, risco do credor, risco de concentração e risco de taxa de juros.”Segundo ele, a dívida acaba se tornando uma das ferramentas mais úteis disponíveis nessa escala.Como consultores financeiros administrariam a fortuna de um trilionárioFalcon disse que manteria o planejamento patrimonial de Musk “muito simples e direto” em sua essência, destinando o restante a projetos pelos quais ele é apaixonado e a apostas especulativas.“Seria difícil investir apenas nos mercados de bolsa, porque as operações literalmente movimentariam o mercado”, explicou. “Por isso, também seria necessária uma grande parcela de investimentos privados.”Mas, segundo os especialistas, o trabalho maior é defensivo. Turnipseed afirmou que riqueza extrema “é um alvo para litígios, um desafio de governança e um problema tributário antes mesmo de ser um problema de investimentos. E, nessa escala, pequenas ineficiências carregam custos impressionantes.”“Com US$ 1 trilhão, uma ineficiência de 1% representa aproximadamente US$ 10 bilhões”, disse. “É por isso que o trabalho começa com proteção e estrutura, e não com o portfólio.”A estrutura que ele construiria se pareceria mais com uma instituição do que com um portfólio, ancorada em trusts criados para proteger o patrimônio, congelar seu valor tributável e organizar quem exerce o controle.“Um trilionário não precisa de mais um produto”, disse Turnipseed. “Ele ou ela precisa de uma arquitetura resiliente, apoiada nos trusts certos e na jurisdição adequada, que proteja o patrimônio, organize a tomada de decisões, reduza impostos sucessórios evitáveis, apoie a filantropia e impeça que futuros beneficiários herdem o caos.”O risco ao qual os três especialistas voltaram repetidamente é exclusivo de Musk: as empresas que sustentam sua fortuna são inseparáveis do próprio empresário. Mills afirmou que é exatamente por isso que o planejamento sucessório não pode esperar.“Cada segundo de procrastinação nesse nível pode criar uma crise sucessória”, disse. Muitos investidores compram ações da Tesla e da SpaceX porque acreditam na visão de Musk, observou ele, e não há garantia de que qualquer uma das empresas continuará tão bem-sucedida quando a próxima geração herdar as ações.“Um dos maiores riscos embutidos em ambas as empresas é a própria longevidade de Elon Musk”, acrescentou.2026 Fortune Media IP LimitedThe post Um erro de 1% custa US$ 10 bilhões: a dura tarefa de administrar a fortuna de Musk appeared first on InfoMoney.
