Conteúdo XPGrande parte dos traders dedica horas ao estudo de stops e gerenciamento de risco. Ainda assim, entender até onde o preço pode se deslocar, quais barreiras existem pelo caminho e como administrar uma posição ao longo do movimento continua sendo um desafio para muitos participantes do mercado.Convidado do episódio 32 da 3ª temporada do programa A Arte do Trade, no canal GainCast, Léo Molini afirmou que muitos participantes do mercado concentram seus estudos em gerenciamento de risco, mas deixam de lado um aspecto que considera fundamental para a tomada de decisão: a análise de risco.Análise de riscoNa avaliação de Molini, boa parte dos traders aprende a posicionar stops, controlar exposição e limitar perdas.Contudo, poucos se aprofundam na compreensão da volatilidade e dos possíveis deslocamentos do preço, elementos que considera essenciais para a construção de qualquer operação. “Aqui no Brasil muito se fala de gerenciamento de risco, mas não se fala de análise de risco”, afirma.Além disso, o trader argumenta que o lucro no mercado está diretamente ligado à capacidade de interpretar movimentos e amplitudes de preço. Por isso, defende que o operador precisa compreender tanto o histórico de deslocamento quanto os potenciais alvos futuros de cada sessão. “Você é um trader, você ganha dinheiro com volatilidade, você precisa estudar a danada da volatilidade”, ressalta.Segundo ele, essa leitura permite criar cenários mais objetivos e identificar regiões de maior probabilidade para a atuação do preço. Dessa forma, a tomada de decisão deixa de ser baseada apenas em expectativa e passa a considerar projeções concretas de movimentação. “Você precisa entender onde o preço pode ir. Até onde o preço já foi”, observa.Leia também: O segredo do payoff: por que traders lucram mesmo com baixa taxa de acertoCausa e efeito A metodologia utilizada por Molini também incorpora conceitos da escola de Wyckoff. Nesse contexto, o trader explica que tendências não surgem de forma aleatória, mas são precedidas por períodos de consolidação capazes de gerar a energia necessária para os deslocamentos posteriores. “Todo movimento de tendência é precedido por uma consolidação. A tendência é o efeito e a consolidação é a causa”, explica.Ainda segundo o trader, a análise de risco envolve identificar os obstáculos existentes entre o ponto de entrada e o alvo projetado.Por isso, antes de abrir uma posição, ele busca avaliar quais barreiras podem dificultar o avanço do preço ao longo do caminho. “Qual é a nossa análise de risco que a gente faz, até onde o preço pode ir e até onde ele já andou? E quais são as principais barreiras de chegar até lá?”, questiona.A função das parciaisA análise de risco defendida por Molini não termina na definição da entrada. De acordo com ele, a leitura de volatilidade também determina como a posição será administrada ao longo do trade. Por isso, cada parcial possui uma função específica dentro da operação. “Nós entramos em pontas de movimentos, por isso que os stops são muito baratos”, afirma.Nesse contexto, a primeira parcial não tem como objetivo principal realizar lucro. Na visão do trader, ela serve para reduzir a exposição financeira e permitir que a operação continue aberta sem que o operador permaneça carregando o mesmo nível de risco inicial. “A na primeira parcial tem como finalidade, simplesmente cobrir o risco de me manter na operação”, destaca.Além disso, Molini explica que a primeira realização funciona como uma espécie de financiamento da própria operação. Dessa forma, caso o mercado retorne contra a posição após o primeiro deslocamento favorável, parte do risco já terá sido compensada. “A função da nossa parcial é simplesmente cobrir o nosso risco, financiar o nosso risco”, argumenta.Para ilustrar esse conceito, ele utiliza uma analogia frequentemente compartilhada com seus alunos. Na prática, o objetivo não é encerrar a operação no primeiro ganho disponível, mas utilizar esse lucro inicial para permanecer posicionado em busca de movimentos maiores. “Você pesca o peixinho, mas não é para você levar para casa e comer aquele peixinho, é para você botar ele num outro anzol para buscar o peixão”, compara.Leia mais: “Não quer perder dinheiro? Faça parcial”, diz Léo Santana, CEO da Top GainSegunda e terceiraA segunda parcial possui uma função diferente. Segundo o trader, ela é realizada em regiões onde o mercado já negociou anteriormente, permitindo consolidar parte do resultado enquanto monitora a capacidade do preço de continuar avançando.“A segunda parcial, até onde o preço já andou”, explica.Já a terceira parcial busca justamente capturar a região que ainda representa novidade para o mercado naquele pregão. Na avaliação de Molini, é nesse ponto que a leitura de volatilidade passa a mostrar seu maior valor, uma vez que o trader procura explorar áreas ainda não percorridas pelo preço.“A terceira e última parcial, onde é o meu alvo, a minha projeção de volatilidade para o dia, até onde o preço ainda não andou, a novidade do mercado”, detalha.Leia também: Como o gráfico Renko ajudou Júnior Vianna a construir seu operacionalReentrada na operaçãoAlém da divisão da posição em três etapas, Molini afirma que a realização parcial também abre espaço para novas oportunidades dentro do mesmo movimento.Segundo ele, após reduzir parte da exposição, o trader pode aproveitar correções do mercado para reconstruir posição caso a leitura principal permaneça válida. “Se ele volta, eu realavanco”, relata.Como exemplo, ele explica que costuma dividir uma posição de nove contratos em três partes iguais. Depois de realizar a primeira e a segunda parcial, permanece com apenas um terço da posição original.Caso o mercado retorne para testar regiões importantes e volte a confirmar a leitura inicial, uma nova entrada pode ser realizada. “O preço foi até a máxima anterior, defendeu, voltou para testar as regiões, eu tenho mais uma possibilidade de entrar com mais um lote”, observa.Dessa forma, a gestão da operação deixa de ser apenas uma sequência de saídas e passa a funcionar como um processo dinâmico de administração de risco e reposicionamento. Na visão do trader, essa abordagem permite continuar explorando movimentos relevantes sem aumentar desnecessariamente a exposição ao mercado.Confira mais conteúdos sobre análise técnica no IM Trader. Diariamente, o InfoMoney publica o que esperar dos minicontratos de dólar e índice. The post Léo Molini explica como usa análise de risco para gerenciar posições appeared first on InfoMoney.
