Em momentos de estresse no mercado de crédito, a XP Asset Management tem buscado uma estratégia clara: comprar títulos descontados quando identifica que o risco percebido pelo mercado é maior do que o risco real da empresa. O destaque dessa abordagem foi o grupo de logística Simpar (SIMH3), dono de empresas como Movida e Vamos, cujos títulos a gestora comprou com uma taxa de retorno de 23% ao ano, considerada muito atrativa para o tipo de papel.
A estratégia foi detalhada por Marcelo Urbano Dias, gestor de crédito privado multiestratégia da XP Asset, que também comentou como a casa lida com operações que não saem como esperado, citando o caso da petroquímica Braskem (BRKM5) como exemplo de gestão de risco em ação. As informações foram dadas ao programa Stock Pickers, comandado por Lucas Collazo.
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Desconto “para caramba” nos papéis da Simpar
O caso da Simpar foi apontado pelo gestor como um dos acertos recentes da carteira. Segundo ele, a holding nunca teve problemas reais de liquidez, mas o mercado penalizou seus títulos de forma exagerada após um ciclo de investimentos pesados em caminhões, motivado por mudanças nas regras de poluição. “A holding nunca teve um problema de liquidez. Nunca teve problema. Mas o mercado começou a descontar para caramba”, afirmou.
Aproveitando esse cenário, a XP comprou títulos da Simpar emitidos em 2021 com uma taxa de retorno de 23% ao ano. O gestor revelou ainda que a própria tesouraria da empresa chegou a procurar a gestora para tentar recomprar os títulos, oferecendo um preço entre 90% e 92% do valor de face:
“A gente acha que foi a tesouraria da companhia querendo recomprar o bonde”— Marcelo Urbano Dias, gestor de crédito privado multiestratégia da XP Asset.
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Risco bem gerenciado: o caso Braskem
Já o episódio com a Braskem foi citado pelo gestor como exemplo de como a equipe atua quando uma aposta não se confirma. A XP havia comprado títulos da empresa a 35% do valor de face durante um momento de forte desconto no papel e vendeu parte da posição quando o preço subiu para a faixa de 45%. Mas, ao identificar deterioração na situação da companhia, a gestora optou por zerar integralmente a posição, mesmo registrando perdas nos títulos negociados no mercado local: “acho que o papel local a gente perdeu uns 50 do par [metade do valor investido]”, reconheceu.
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Para o gestor, a decisão de encerrar a posição rapidamente, em vez de manter a aposta, ilustra o tipo de disciplina que busca evitar perdas maiores. Questionado sobre o resultado consolidado da operação somando todas as etapas, ele avaliou que o saldo final não foi negativo: “eu acho que a gente não perdeu dinheiro não.”
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