Construtoras: onde o mercado enxerga oportunidades com ações em meio a juros altos?

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A preferência dos investidores por construtoras expostas ao segmento de baixa renda segue firme no Brasil, mas o setor como um todo ainda apresenta oportunidades pontuais de valuation. O mercado combina forte demanda por nomes mais resilientes com uma postura mais seletiva em segmentos de média e alta renda.O Itaú BBA destaca que o segmento de habitação de baixa renda continua como preferência dos investidores, enquanto oportunidades de valuation chamam atenção em outras frentes do setor, segundo feedback de encontros com investidores realizados no Rio de Janeiro e em São Paulo.Nos encontros, o segmento de baixa renda dominou as discussões, com destaque para nomes como Cury (CURY3), Tenda (TEND3) e Direcional (DIRR3), apoiados por resiliência operacional e fortes retornos ao acionista. No segmento de média e alta renda, a Cyrela (CYRE3) ganhou protagonismo, embora sua tese dependa mais de reprecificação ligada ao cenário macroeconômico.Leia tambémBradsaúde: Goldman eleva SAUD3 para compra “por união entre crescimento e proteção”Apesar da visão positiva para crescimento, o Goldman Sachs vê espaço mais limitado para expansão da rentabilidade a partir de 2026JPMorgan eleva Yduqs para compra e rebaixa Ânima com visão sobre juros; YDUQ3 saltaRevisão reflete um cenário mais desafiador para juros e deterioração operacional.Em shoppings, o relatório aponta divisão entre investidores: parte dos hedge funds prefere a Allos (ALOS3) pelo dividend yield (rendimento de dividendos) elevado e perfil de retorno, enquanto investidores long only (apenas “comprados”) tendem a priorizar a Multiplan (MULT3), citando qualidade de portfólio e potencial de crescimento de lucros com apoio da reforma tributária.O banco também observa que o segmento de baixa renda segue com menor preocupação sobre custos, após sinais de estabilidade em insumos e mão de obra, embora riscos regulatórios e de financiamento ainda estejam no radar. Já no médio e alto padrão, persistem dúvidas sobre acessibilidade e demanda, especialmente em São Paulo.Entre os demais nomes citados, a MRV Engenharia (MRVE3) permanece fora do foco principal dos investidores devido à alavancagem e incertezas operacionais, enquanto a Plano&Plano (PLPL3) é vista como barata, mas ainda cercada de preocupações sobre execução e balanço.Para o Banco Safra, a Direcional Engenharia (DIRR3) é a principal preferência no setor, com menor exposição a choques inflacionários, apoiada em mix mais concentrado em estoques prontos e ganhos de eficiência ainda a capturar. Com as ações cerca de 30% abaixo dos picos recentes, o banco projeta múltiplo de 5,4 vezes lucro ajustado para 2027 e dividend yield de 13%, considerados atrativos frente ao risco.Com as ações cerca de 30% abaixo dos picos recentes, o Safra projeta múltiplo preço sobre lucro ajustado de 5,4 vezes para 2027 e dividend yield estimado em 13%, níveis considerados atrativos frente ao risco.O Safra vê Cury e Tenda bem posicionadas, com a primeira apresentando maior exposição a custos, mas conta com proteção relevante por meio de uma carteira de recebíveis indexada à inflação, que cobre cerca de 75% dos custos do backlog. Esse fator pode ser compensado por crescimento de receitas e diluição de despesas administrativas. O múltiplo projetado é de 5,8 vezes lucro ajustado, mesmo considerando um cenário mais conservador para margens.A Tenda, por sua vez, destoou do restante do setor, com alta de 37% no ano, apoiada por resultados acima do esperado e revisões positivas de lucro. O segmento principal da companhia mostra maior capacidade de lidar com inflação, devido ao ciclo de construção mais curto e maior nível de provisões. Ainda assim, a ação negocia a 4,7 vezes o lucro projetado para 2027, com desconto relevante frente às principais concorrentes.O Safra mantém uma visão mais cautelosa para a Plano e Plano (PLPL3). As estimativas de lucro foram reduzidas em 31% para 2026 e 2027, refletindo vendas mais fracas e pressão sobre margens. Mesmo após queda de 35% no ano, o valuation segue atrativo, mas a menor visibilidade limita o apelo no curto prazo.No caso da MRV (MRVE3), apesar da melhora operacional, a alavancagem ainda representa o principal fator de risco. Custos mais elevados podem pressionar margens, enquanto o processo de desalavancagem da Resia tende a ser mais longo, com risco de novos ajustes contábeis. O desconto em valuation não é considerado suficiente para justificar uma visão mais construtiva.The post Construtoras: onde o mercado enxerga oportunidades com ações em meio a juros altos? appeared first on InfoMoney.

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