A vitória de Abelardo de la Espriella na eleição presidencial colombiana não representa apenas uma troca de governo. Eleito com um discurso centrado na segurança pública e na redução do papel do Estado, o advogado e empresário de 47 anos promete uma mudança de rumo em relação às políticas implementadas por Gustavo Petro, primeiro presidente de esquerda da história do país.Após uma campanha marcada por críticas à estratégia de “paz total” adotada pelo atual governo, De la Espriella assumirá o cargo em agosto defendendo uma agenda que combina endurecimento contra grupos armados, liberalização econômica e aproximação política com Washington.O novo presidente chega ao Palácio de Nariño em um momento de desafios relevantes para a Colômbia. O país segue convivendo com a atuação de dissidências guerrilheiras, organizações ligadas ao narcotráfico, pressão sobre as contas públicas e uma sociedade profundamente polarizada após uma das eleições mais disputadas da história recente.Leia tambémOnda Rosa acabou? Eleição colombiana fortalece guinada conservadora na América LatinaPara Bruno Soller, eleição de Abelardo de la Espriella confirma enfraquecimento da “onda rosa” e mostra que economia e segurança pública continuam impulsionando candidaturas conservadorasAções da Colômbia sobem com eleição de La Espriella, mas vitória apertada é questãoAnalistas de mercado veem fôlego curto e focam alta em melhora da governabilidadeSegurança será prioridadeO principal compromisso de campanha de De la Espriella foi a retomada de uma política de enfrentamento direto contra organizações criminosas e grupos armados ilegais.Ao longo da disputa, o presidente eleito criticou as negociações conduzidas pelo governo Petro com guerrilhas e facções dissidentes e prometeu lançar um “Plano Colômbia II”, numa referência ao programa de cooperação firmado entre Bogotá e Washington no início dos anos 2000 para combater o narcotráfico.Entre as medidas defendidas estão a ampliação da cooperação militar com os Estados Unidos, operações ofensivas contra grupos armados e a retomada da erradicação de cultivos ilícitos de coca. O objetivo declarado é recuperar áreas onde o Estado perdeu presença nos últimos anos.Ao comentar o resultado da eleição, De la Espriella afirmou que seu governo buscará restabelecer o controle estatal sobre todo o território colombiano.“Não haverá zonas proibidas para o Estado, não haverá criminosos impunes e intocáveis. Não haverá organizações acima da Constituição e da lei”, declarou após a confirmação da vitória.Modelo Bukele inspira pacote penalA estratégia de segurança também inclui medidas inspiradas em políticas adotadas recentemente em países como El Salvador e Equador.Entre as propostas apresentadas durante a campanha está a construção de dez presídios de segurança máxima voltados para integrantes de organizações criminosas e grupos armados.O plano prevê ainda mudanças nas regras de posse e porte de armas. De la Espriella defende que cidadãos considerados aptos física e psicologicamente tenham acesso facilitado ao armamento, proposta que mobilizou apoio entre setores conservadores e gerou críticas de entidades ligadas aos direitos humanos.Especialistas em segurança pública alertam que parte das medidas poderá enfrentar questionamentos jurídicos e desafios operacionais, além de depender de apoio parlamentar para sair do papel.Estado menor e corte de impostosNa economia, o presidente eleito promete uma agenda liberal voltada para a redução dos gastos públicos e do tamanho da máquina estatal.Durante a campanha, De la Espriella afirmou que pretende reduzir em cerca de 40% a estrutura administrativa do governo federal, além de promover uma reforma tributária focada na diminuição da carga sobre empresas.A proposta surge em meio a preocupações com a situação fiscal colombiana. O país encerrou os últimos anos com aumento dos gastos públicos e um déficit próximo de 7% do Produto Interno Bruto (PIB), cenário que se tornou um dos principais alvos da oposição ao governo Petro.Outro ponto defendido pelo novo presidente é a ampliação da exploração energética, incluindo projetos de fraturamento hidráulico, conhecido como fracking, tema que enfrentou resistência durante a atual administração.Relação mais próxima com WashingtonA política externa também deve passar por mudanças. Ao longo da campanha, De la Espriella apresentou um discurso favorável ao fortalecimento da parceria com os Estados Unidos e sinalizou apoio às iniciativas internacionais de combate ao crime organizado defendidas pelo presidente Donald Trump.A aproximação representa uma mudança em relação ao posicionamento adotado por Petro, que buscou ampliar a autonomia diplomática colombiana e diversificar alianças internacionais.O presidente eleito também prometeu revisar a participação da Colômbia em organismos multilaterais e questionou o papel desempenhado por instituições como a Organização dos Estados Americanos (OEA) e a Organização das Nações Unidas (ONU).Entre as propostas discutidas durante a campanha estão a redução da presença diplomática colombiana no exterior e a revisão de compromissos assumidos em organismos internacionais de direitos humanos.O desafio da implementaçãoEmbora a vitória tenha consolidado a guinada política do país, a execução das promessas dependerá da capacidade do novo governo de construir maioria no Congresso e administrar uma sociedade dividida.A margem apertada da eleição mostrou que a Colômbia continua dividida entre projetos políticos distintos. Além disso, boa parte das medidas defendidas por De la Espriella exigirá negociações legislativas complexas e enfrentará resistência de setores da oposição.O resultado das urnas, no entanto, deixou claro qual foi a principal mensagem enviada pelos eleitores: depois de quatro anos de uma experiência inédita com a esquerda no poder, uma parcela decisiva da população colombiana optou por um projeto baseado em segurança, liberalização econômica e maior alinhamento com os Estados Unidos.The post Combate às Farc à redução do Estado: as promessas de De la Espriella para a Colômbia appeared first on InfoMoney.
