Petróleo em queda livre com acordo EUA-Irã: quais os efeitos para a Bolsa brasileira?

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Em forte baixa desde as linhas iniciais do acordo EUA-Irã, o petróleo brent passou a operar abaixo dos US$ 75 o barril e atingiu níveis menores dos registrados de antes do conflito. E não é só a commodity que é afetada por esse acordo. O recuo recente dos preços do petróleo tem sido visto pelo mercado como um fator positivo para a dinâmica de inflação global e para as condições financeiras, embora o efeito sobre a Bolsa brasileira seja considerado heterogêneo por analistas.Com o barril do Brent registrando queda e acumulando perdas relevantes na semana, investidores passaram a precificar um ambiente de menor pressão inflacionária, reflexo principalmente da redução do prêmio de risco geopolítico e das expectativas de normalização da oferta global, especialmente em regiões sensíveis como o Estreito de Ormuz.Para Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, a diminuição dos preços da commodity afeta diretamente a percepção de risco no mercado. “A queda do petróleo reduz o risco de inflação global ao retirar parte da pressão sobre energia, mas o impacto mais importante está na reprecificação do risco”, afirma. Segundo ele, o movimento traz alívio para expectativas, juros e custo de capital — fatores que tendem a beneficiar ativos de risco.A avaliação é de que o petróleo mais barato desarma um dos principais vetores de pressão inflacionária global no curto prazo. Peterson Rizzo, da Multiplike, destaca que esse fator dialoga diretamente com o cenário doméstico.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa cai com petroleiras e VALE3Bolsas dos EUA avançam, enquanto barris de petróleo caem 3%“O mercado tende a subestimar que a queda do petróleo reduz exatamente o risco externo apontado pelo Copom, a pressão de energia sobre o IPCA”, afirma. Isso ajuda a aliviar a inflação implícita e tem impacto mais visível na parte longa da curva de juros, onde os prêmios refletem expectativas de médio e longo prazo.Ainda assim, ele ressalta que o movimento não resolve os problemas estruturais do Brasil, como o quadro fiscal e a desancoragem das expectativas, que seguem sustentando uma taxa Selic elevada.Efeito misto na Bolsa brasileiraNo mercado acionário, o efeito da queda do petróleo tende a ser ambíguo. De um lado, empresas do setor de óleo e gás, como Petrobras (PETR3; PETR4) e PRIO (PRIO3), podem sofrer com o recuo do barril, já que seus resultados são altamente sensíveis aos preços da commodity.Por outro lado, o alívio inflacionário e a perspectiva de juros menos restritivos favorecem setores domésticos, especialmente aqueles dependentes de crédito e consumo.“O impacto é misto por causa do peso das petroleiras, mas o saldo tende a ser positivo quando o recuo decorre da redução das tensões geopolíticas”, avalia André Caruso, CEO da Pilar Capital.Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, segue linha semelhante e aponta que setores como consumo, transporte e empresas mais sensíveis aos juros tendem a se beneficiar mais do que o impacto negativo sobre as petroleiras.A leitura predominante é de que o movimento abre espaço para uma rotação de carteira, com investidores migrando para ativos domésticos mais sensíveis ao ciclo de juros.Segundo André Matos, da MA7 Capital, o recuo do petróleo melhora a perspectiva para inflação e juros no Brasil, fortalecendo o real e beneficiando setores como varejo, construção, bancos e consumo.Leia tambémPetróleo brent cai abaixo de US$ 75 e vai a nível mais baixo desde início do conflitoO presidente dos EUA, Donald Trump, criticou nesta quarta-feira as empresas de petróleo por não reduzirem os preços da gasolina“O movimento abre oportunidade clara para quem sabe rotacionar carteira”, afirma. Ele também cita ganhos potenciais para empresas intensivas em energia, como aéreas, transportadoras e indústrias. O impacto positivo não se restringe à renda variável. No mercado de crédito, a queda do petróleo tende a reduzir custos operacionais das empresas e melhorar a qualidade dos recebíveis.Araújo, da Azumi, destaca que empresas tomadoras podem apresentar melhora de caixa, o que fortalece estruturas como FIDCs. Já Rizzo avalia que a combinação de menor prêmio de risco geopolítico com a acomodação da curva de juros pode comprimir spreads e baratear o funding corporativo.Esse movimento, segundo ele, melhora as condições de financiamento e pode sustentar investimentos das companhias, especialmente as de maior porte.Alívio no curto prazo, mas…Apesar do alívio no curto prazo, analistas sempre alertam que o impacto depende da origem da queda do petróleo. Se o movimento de queda persistir também em meio à desaceleração global, o cenário pode se tornar mais desafiador.“A análise precisa separar alívio de curto prazo de risco estrutural”, afirma Araújo, ressaltando que, nesse caso, a seleção de crédito, garantias e governança ganha ainda mais importância.André Matos também chama atenção para esse ponto e lembra que parte do mercado já trabalha com cenários de desaceleração global mais à frente, o que poderia levar o Brent a níveis mais baixos nos próximos anos.Como no curto prazo, conforme ressalta Valdir Piran Jr., CEO da Intra Asset, o principal fator por trás da recente queda do petróleo é a redução das tensões geopolíticas, e não uma deterioração relevante da atividade econômica global, o movimento é interpretado de forma positiva pelo mercado, pois combina menor inflação com melhora nas condições financeiras, sem necessariamente sinalizar fraqueza na demanda.Ainda assim, ele pondera que a sustentabilidade desse cenário dependerá da evolução do quadro geopolítico e do equilíbrio entre oferta e demanda global nos próximos meses.The post Petróleo em queda livre com acordo EUA-Irã: quais os efeitos para a Bolsa brasileira? appeared first on InfoMoney.

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