Mamdani se firma como fiador político após varrer eleições com sua chapa em NY

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NOVA YORK — O prefeito Zohran Mamdani e seus aliados venceram uma série de prévias para o Congresso em Nova York nesta terça-feira (23), em uma demonstração notável de força da esquerda insurgente que provocou ondas de choque no Partido Democrata.Os candidatos apoiados por Mamdani derrotaram dois deputados em exercício respaldados pelo establishment político da cidade, incluindo grandes sindicatos e o líder democrata na Câmara. Outro nome apoiado pelo prefeito venceu uma disputa por uma vaga aberta na Câmara, e alguns desafiantes socialistas democráticos que ele endossou também lideravam em outras corridas da cédula.Durante meses, Mamdani se lançou com sua organização política energizada nas três principais disputas para o Congresso, fazendo campanha até tarde da noite nos últimos dias e definindo a eleição como um referendo sobre os rumos do partido.Leia tambémTrump trava projeto sobre moradia para pressionar Congresso por agenda eleitoralEm visita ao Capitólio, presidente elevou a tensão com republicanos ao cobrar apoio à Lei SAVE AmericaEm meio a desgaste com Trump, Flávio diz que Lula está ‘ficando meio Biden’Ex-presidente norte-americano desistiu de concorrer à reeleição durante campanha após apresentar problemas de saúde e ser acusado de estar velho demais para a disputaTodos os candidatos vitoriosos compartilham a plataforma econômica progressista de Mamdani e fizeram campanhas centradas no fim do apoio dos Estados Unidos a Israel — sinal de o quanto a opinião pública mudou nesse tema, inclusive em Nova York.Na noite de terça-feira, o prefeito apareceu sorridente em uma festa da vitória no Brooklyn, onde apoiadores entoavam gritos de “Palestina livre” e “DSA” (sigla do grupo socialista dentro do Partido Democrata). Cercado por muitos dos mesmos assessores que conduziram sua campanha vitoriosa no ano passado, ele declarou a abertura de “um novo capítulo na história do nosso partido”.“Há um ano, aquilo não foi o fim de um movimento político”, disse. “Foi o começo.”O envolvimento de Mamdani representou uma aposta ousada para um prefeito recém-eleito que tenta liderar uma cidade já marcada por divisões internas. No caminho, ele afastou aliados importantes, mas os ganhos políticos foram amplos.Em casa, o resultado tende agora a consolidá-lo como o principal fiador político da capital cultural e financeira dos EUA, além de reforçar os Socialistas Democráticos da América (DSA) como uma força relevante.Os resultados também abalaram as bases do Partido Democrata muito além dos cinco distritos de Nova York. Se confirmados, Mamdani, de 34 anos, e seu movimento estarão no caminho para dobrar de dois para quatro o número de socialistas no Congresso. O desfecho também forçará um Partido Democrata, já em busca de identidade, a enfrentar a ascensão de sua ala esquerda, sem pedidos de desculpa.“É sísmico”, disse Jon Paul Lupo, consultor democrata e ex-assessor do último prefeito progressista da cidade, Bill de Blasio.As disputas não significam necessariamente que Mamdani tenha ampliado seu apelo eleitoral. Todas as corridas em que ele fez endossos ocorreram em áreas onde o prefeito venceu com folga no ano passado e segue muito popular.Mas os resultados de terça-feira mostraram duas coisas sobre sua ainda jovem gestão: Mamdani tem alta tolerância ao risco político, muito acima da de seus antecessores recentes. E, ao menos por enquanto, tem a capacidade de transferir sua marca política forte para outros candidatos de uma maneira que poucos políticos em qualquer cargo conseguem.Brad Lander, de 56 anos, aliado próximo a quem Mamdani incentivou a disputar uma vaga no Congresso, abriu uma impressionante vantagem de 30 pontos no rico 10º distrito, que abrange partes do Brooklyn e do sul de Manhattan. Ele derrotou o deputado Daniel Goldman, herdeiro da fortuna da Levi Strauss, que havia se oposto ao prefeito na eleição do ano passado e mantinha laços estreitos com o American Israel Public Affairs Committee (Aipac), lobby pró-Israel.Claire Valdez, de 36 anos, pouco conhecida e também recrutada por Mamdani, obteve uma margem acima do esperado para conquistar a vaga aberta no 7º distrito, numa faixa em processo de gentrificação entre Brooklyn e Queens tão à esquerda que ganhou o apelido de “corredor comunista”.Ela derrotou Antonio Reynoso, presidente do distrito do Brooklyn, que tinha raízes muito mais profundas na região e o apoio da popular deputada Nydia Velázquez, que está se aposentando, além do Working Families Party, de perfil progressista, e de praticamente todos os grandes sindicatos da cidade.Os aliados de Mamdani também venceram no 13º distrito, majoritariamente negro e dominicano, no norte de Manhattan e no Bronx. Naquela que talvez tenha sido a maior surpresa da noite, Darializa Avila Chevalier, de 32 anos, outra socialista democrática que entrou na disputa como figura politicamente desconhecida, derrotou por pequena margem o deputado Adriano Espaillat, influente presidente do Caucus Hispânico do Congresso.As intervenções agressivas de Mamdani, porém, não vieram sem danos colaterais. Suas posições em algumas disputas o colocaram em rota de colisão com o Working Families Party, democratas negros e latinos de destaque, grandes sindicatos e membros do Conselho da Cidade — todos apoiadores de sua campanha para prefeito e hoje envolvidos em sua agenda de governo.Ele irritou profundamente Nydia Velázquez, sua primeira apoiadora no Congresso, que acreditava que o prefeito deveria respeitar sua preferência sobre quem seria sua sucessora. Ela passou a acusar, em especial, o DSA de tentar apagar a contribuição que ela e outros progressistas deram para empurrar a cidade à esquerda ao longo de décadas.Outros, entre eles Hakeem Jeffries, líder democrata na Câmara, ficaram ainda mais incomodados quando Mamdani decidiu, em maio, apoiar Avila Chevalier e romper com Espaillat.Espaillat não apoiou Mamdani nas prévias do ano passado, mas depois o endossou rapidamente e ajudou a levar consigo parte do eleitorado latino. Na época, Mamdani teria assegurado em privado a Espaillat que retribuiria esse gesto, se necessário.O prefeito nunca explicou detalhadamente sua mudança de posição, mas seus assessores disseram que ele viu o avanço de Avila Chevalier e acreditou que poderia fazer diferença na disputa. Aliados de Espaillat ficaram furiosos e passaram a dizer que não podiam mais confiar na palavra de Mamdani.O resultado desta terça pode criar problemas particulares para Jeffries, o nova-iorquino cotado para assumir o comando da Câmara caso os democratas retomem o controle da Casa neste ano. Valdez e Avila Chevalier ainda não se comprometeram a apoiar a candidatura de Jeffries à liderança e podem se tornar fontes recorrentes de pressão para ele.Democratas alinhados a Jeffries, que se empenharam para derrotar Avila Chevalier, já demonstraram preocupação reservada com sua vitória. O temor é que os republicanos usem antigas postagens inflamadas dela nas redes sociais — incluindo uma declaração de que “todas as deportações são erradas” e linguagem chula sobre Kamala Harris — contra democratas mais moderados que disputarão distritos decisivos para o controle da Câmara neste outono.Jeffries evitou entrar no tema durante entrevista à emissora NY1 na noite de terça, à medida que os resultados chegavam. Outros, porém, foram mais diretos ao expressar preocupação.“Os republicanos vão rapidamente tentar elevar, como sempre fazem, as vozes mais radicais do Partido Democrata”, disse Howard Wolfson, ex-chefe do braço eleitoral dos democratas na Câmara e ex-principal assessor de Michael Bloomberg. “E, depois desta noite, eles terão mais democratas radicais para escolher.”Mamdani e seus aliados enxergam a situação de forma bem diferente.Gustavo Gordillo, copresidente do DSA em Nova York, afirmou que a organização já voltou suas atenções para a disputa orçamentária do ano que vem em Albany e para os próximos passos.“Vamos começar a pensar em 2028 e no que vem depois”, disse.c.2026 The New York Times CompanyThe post Mamdani se firma como fiador político após varrer eleições com sua chapa em NY appeared first on InfoMoney.

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