Inflação aqui e nos EUA, PIB americano e mais sinais sobre política monetária no Brasil. Qual é o saldo para o mercado brasileiro nesta quinta-feira (25) após tantas divulgações importantes?Num primeiro momento, o saldo tem sido positivo, com o Ibovespa subindo 1,47%, a 173.017 pontos, às 12h40 (horário de Brasília), enquanto o dólar registrava leve queda, com os investidores digerindo principalmente o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA -15), a prévia de inflação brasileira. Além disso, após recuar mais cedo, o petróleo passou a subir por volta das 11 horas, estimulando as ações do setor e, consequentemente, o Ibovespa.“O cenário desta manhã combina alívio nos mercados de tecnologia e energia com desafios estruturais ainda em evolução”, escreve em nota o economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez.Para Gabriel Felix, especialista de alocação da Blue3 Investimentos, o mercado entrou em uma nova fase. Segundo ele, o conflito no Oriente Médio vem perdendo protagonismo e o foco retorna ao que normalmente define o preço dos ativos – inflação, juros e crescimento.Aqui no Brasil, o mercado busca sinais que deem uma direção claro sobre a condução da Selic no Relatório de Política Monetária, após as leituras contraditórias de analistas do comunicado e da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) informados recentemente. Também acompanha falas do diretor de Política Econômica e de Assuntos Internacionais e Gestão de Riscos Corporativos do Banco Central, Paulo Picchetti, e do presidente Gabriel Galípolo sobre o RPM.Leia tambémMercado vê manutenção dos juros pelo Fed em julho e alta em setembroMercados financeiros estão precificando apenas cerca de 30% de chance de um aumento dos juros na próxima reuniãoBC esclarece decisão de cortar Selic, mas admite inflação fora da meta até 2028Relatório trimestral preencheu lacunas deixadas pela ata do Copom, mas, para o Goldman, Selic ainda assim não deveria ter caído “para preservar a credibilidade”A cúpula do Banco Central explicitou que passou a considerar as ações fiscais e de crédito anunciadas recentemente pelo governo federal como um risco altista para a inflação, pelo seu potencial de estimular a demanda agregada.Na ata, o BC havia reconhecido explicitamente que o seu balanço de riscos para a inflação passou a ter uma “assimetria altista” – isto é, que os riscos de o IPCA ficar acima do esperado pelo colegiado são maiores que os riscos de a taxa ficar abaixo.Em relação às projeções, o BC espera que o IPCA acumulado em 12 meses continue acima do centro da meta, de 3%, até pelo menos o quarto trimestre de 2028 – o último período disponível. No cenário de referência, a inflação em 12 meses fecha o segundo trimestre em 4,8%, permanecendo nesse nível de 4,8% no terceiro e encerra 2026 em 5,2%.Já o IPCA-15 desacelerou alta a 0,41% em junho, após 0,62% em maio, acumulando 4,80% em 12 meses. Os dados vieram aquém das medianas de 0,44% e de 4,83%. Ainda houve alívio nas medidas de núcleos e no difusão do IPCA-15.Para o Itaú Unibanco, o IPCA-15 de junho, divulgado nesta quinta tem um qualitativo mais benigno do que o esperado. “Para o ano, mantemos a projeção de inflação em 5,4%, mas a resolução do conflito e a estabilização dos preços do petróleo em patamares mais baixos deslocam o balanço de riscos para viés levemente baixista”, diz a economista do Itaú Luciana Rabelo.“Apesar de algumas surpresas em itens voláteis, consideramos que o índice veio melhor que o esperado qualitativamente, especialmente na leitura de serviços”, afirmaram economistas do Bradesco em relatório a clientes. “Em nossa projeção, levamos em consideração diversos choques que devem manter a inflação pressionada nos próximos meses.”Cenário ainda exige cautelaPor outro lado, conforme ressalta Gustavo Assis, CEO da Asset, o cenário ainda exige cautela. Para o especialista, o Relatório de Política Monetária mostra um Banco Central diante de uma combinação difícil: a atividade econômica segue mais resistente, com projeção de crescimento do PIB revisada para 2,0% em 2026, mas a inflação continua distante da meta, com estimativa de 5,33% para o ano. O IPCA-15 de junho veio abaixo das expectativas de curto prazo, mas o acumulado em 12 meses avançou para 4,80%, o que mostra que o problema não está apenas no número mensal, e sim na persistência da inflação. “Esse cenário reduz o espaço para um ciclo mais rápido de queda da Selic e mantém o custo do dinheiro elevado por mais tempo”, aponta.Para Fábio Murad, sócio e Fundador da Ipê Avaliações, o Relatório de Política Monetária reforça que o mercado brasileiro opera em uma zona de transição, mas ainda longe de um ambiente confortável para assumir risco sem seletividade. O IPCA 15 trouxe alívio na margem, mas o acumulado em 12 meses mostra que a inflação continua acima do centro da meta e limita o espaço para uma queda mais rápida da Selic. Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa sobe com otimismo do exterior e volta aos 173 milBolsas dos EUA avançam após balanço da Micron e novos dados de inflação e PIB “Com os juros ainda em 14,25% ao ano, a Bolsa passa a depender menos de otimismo pontual e mais da capacidade das empresas de entregar crescimento de lucro, geração de caixa e previsibilidade em um custo de capital ainda elevado”, avalia. No câmbio, o dólar perto de R$ 5,20 mostra que o Brasil também segue sensível ao cenário externo.Assis avalia ainda que, nos Estados Unidos, a leitura também reforça cautela. O PCE em 4,1% no acumulado de 12 meses e o núcleo em 3,4% indicam que o Federal Reserve ainda não tem conforto para uma política monetária mais flexível, mesmo com o PIB revisado para 2,1% no primeiro trimestre. Para o Brasil, isso significa pressão sobre juros globais, câmbio e prêmio de risco. Murad aponta que, para a Bolsa brasileira, o cenário cria uma dinâmica mista: juros locais ainda altos favorecem a renda fixa e aumentam a exigência de retorno para ações, enquanto o câmbio mais pressionado pode beneficiar exportadoras, mas encarece custos de empresas dependentes de insumos importados.(com Reuters e Estadão Conteúdo)The post Ibovespa sobe 1,5% após série de dados dos EUA e Brasil: qual saldo para o mercado? appeared first on InfoMoney.
