O fim da escala 6×1 foi criticado novamente por Luiz França, presidente da ABRAINC (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) durante um evento promovido pela entidade nesta quinta-feira (25). Segundo o executivo, o movimento causará um aumento de preços nocivo para a população brasileira, que, segundo o executivo, não estaria ciente dos efeitos adversos da nova legislação. “A pessoa vai sair no fim de semana, mas vai pagar mais caro. Ela vai comprar uma roupa, mas essa roupa estará mais cara. As pessoas não sabem disso”, disse durante o Summit ABRAINC 2026.França voltou a citar a previsão de que o fim da 6×1 causará um aumento médio de 5% no preço dos imóveis no país, retirando 2,5 milhões de pessoas do financiamento imobiliário. As conclusões fazem parte de um estudo elaborado pela consultoria CTE a pedido da ABRAINC e divulgado em maio deste ano. Segundo o material, a eventual transição da escala 6×1 (44 horas semanais) para 5×2 (40 horas semanais) na construção civil deverá provocar aumento médio de 9% a 10% nos prazos de execução das obras, em razão da redução das horas trabalhadas e dos impactos sobre os ciclos produtivos dos canteiros.De acordo com o estudo, a redução de quatro horas semanais representa uma queda de aproximadamente 10% nas horas trabalhadas. Na prática, isso significa que, para cada dez meses de obra, seria necessário acrescentar cerca de um mês ao cronograma para compensar os serviços que hoje são realizados aos sábados.Leia tambémA estratégia da Seara, da JBS, para “descomoditizar” a carne suína no BrasilInovação de portfólio e programa da Seara sustentam avanço em uma categoria historicamente dominada por produtos ‘sem marca’Nas simulações realizadas pelo CTE, uma obra de alto padrão executada em estrutura convencional, com quatro subsolos e 25 pavimentos, teria o prazo ampliado de 35 para 39 meses, um aumento de 11,4%. Já empreendimentos em alvenaria estrutural, modelo comum em projetos habitacionais de interesse social, passariam de 20 para 22 meses de duração, alta de 10%.O levantamento também aponta impactos financeiros relevantes. Apenas o prolongamento dos cronogramas elevaria os custos indiretos das obras entre 1% e 2% do orçamento total. Em um cenário em que as construtoras optem por absorver o aumento dos prazos, o impacto total nos custos poderia variar entre 4,9% e 6,4%. Caso o setor tente preservar os cronogramas por meio do pagamento de horas extras aos sábados, o aumento estimado nos custos pode chegar a uma faixa entre 5,1% e 10,8% do orçamento.Segundo os pesquisadores, determinados sistemas construtivos podem sofrer efeitos ainda maiores. Em obras executadas com parede de concreto, por exemplo, a interrupção das atividades aos sábados pode quebrar ciclos produtivos e reduzir a produtividade em até 25%. Em um dos estudos de caso analisados, a capacidade de produção caiu de 24 para 18 apartamentos por semana.Na avaliação do CTE, a adaptação do setor exigiria replanejamento executivo, revisão dos ciclos produtivos, negociação coletiva, redistribuição das jornadas e aumento de produtividade para mitigar os impactos econômicos e operacionais da mudança.A Câmara dos Deputados aprovou, no fim de maio, por 461 a 19, em segundo turno o relatório da PEC que reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais e prevê o fim da escala 6×1. O texto também estabelece dois dias de folga por semana, sendo um deles preferencialmente aos domingos, sem redução salarial.Entre os argumentos apresentados por apoiadores da medida estão a melhora da qualidade de vida dos trabalhadores, a redução do desgaste físico e mental e possíveis ganhos de produtividade decorrentes de jornadas mais curtas.O texto ainda terá de passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, depois, por votação no Senado.The post Fim da escala 6×1 deixará imóveis 5% mais caros e obras mais longas, diz ABRAINC appeared first on InfoMoney.
