Integrantes da coordenação da pré-campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva monitoram o caso da prisão do vereador Senival Moura, do PT de São Paulo, nesta quinta-feira por suspeita de ligação com o PCC. O receio é que o episódio abra um flanco para reforçar a estratégia do senador e pré-candidato do PL a presidente, Flávio Bolsonaro (RJ), de tentar vincular o partido ao crime organizado.Lideranças do PT nacional esperam que o diretório do partido da capital paulista anuncie a abertura de um processo disciplinar para a expulsão de Senival como uma forma de estancar a crise.Leia tambémAdmiro quem defende aquilo que acredita, diz Valdemar após briga de Flávio e MichelleNota do presidente do PL ocorre após ex-primeira-dama afirmar que senador a desrespeitou e humilhouLula volta a criticar privatizações e cita BR Distribuidora, Liquigás e EletrobrasPresidente questionou real ganho dos brasileiros após venda das estataisA prisão do vereador petista acontece em um momento em que o governo Lula se mobiliza contra a decisão dos Estados Unidos, anunciada no dia 29 de maio, de classificarem as facções PCC e o CV como organizações terroristas. Flávio Bolsonaro apoiou a iniciativa. Já o atual presidente criticou e viu na classificação uma ameaça à soberania nacional. Para tentar pegar carona na iniciativa americana, na semana passada, o pré-candidato do PL a presidente divulgou em suas redes sociais um vídeo, produzido com inteligência artificial, em que ele e o ex-presidente Jair Bolsonaro são retratados como militares em operações especiais disparando tiros de um avião contra embarcações com as iniciais “PCC” e “CV”. Em seguida, uma terceira embarcação, com a inscrição “PT”, escapa depois de entrar na mira da metralhadora empunhada por Flávio. A pré-campanha de Lula acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com pedido de remoção do vídeo. As suspeitas de ligação de Senival Moura com o PCC preocupam lideranças petistas paulistas há mais de uma década. O vereador está em seu sexto mandato. Em 2014, o Diretório Estadual do PT em São Paulo decidiu expulsar o irmão de Senival, o deputado estadual Luiz Moura, também por acusação de manter ligações com o PCC. A decisão atendeu um pedido das campanhas, na época, à reeleição da então presidente Dilma Rousseff e de Alexandre Padilha, ao governo estadual, que temiam desgaste ao partido durante a campanha daquele ano. Nos bastidores do PT, já se falava naquele ano sobre as eventuais relações de Senival com a facção. Vinculado à corrente majoritária CNB, o vereador sempre conseguiu impedir a abertura de processos de investigação internos no partido. Na legislatura passada, encerrada em 2024, chegou a ocupar o posto de líder do PT na Câmara Municipal de São Paulo. Em 2022, foi noticiado que Senival era investigado por envolvimento na morte de Adauto Soares Jorge, então presidente da empresa de ônibus Transunião Transportes S.A. Foi a investigação sobre esse assassinato que levou o que levou a Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) a apontar agora o vereador como uma das figuras centrais de um suposto esquema de lavagem de dinheiro do PCC. O episódio tem potencial para trazer desgaste em um tema visto como sensível e em que o governo faz ginástica para se equilibrar. Desde a classificação pelos EUA das facções, o Planalto tem se preocupado em não dar margem para ser acusado de defender as organizações criminosas, já que pesquisas mostram que a maioria da população considera, sim, PCC e CV grupos terroristas. Levantamento do Datafolha divulgado nesta semana mostrou que 59% dos brasileiros concordam que as facções sejam classificadas dessa forma.The post Campanha de Lula monitora prisão de vereador e teme que Flávio explore caso appeared first on InfoMoney.
