S&P mantém rating do Brasil em ‘BB’, com perspectiva estável

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A S&P Global Ratings reafirmou os ratings soberanos do Brasil em “BB/B”, mantendo a perspectiva estável, ao avaliar que a posição externa robusta do país continua compensando suas fragilidades fiscais, segundo relatório divulgado nesta sexta-feira (25).A decisão reflete, de um lado, déficits elevados e trajetória crescente da dívida pública e, de outro, fatores estruturais positivos, como reservas internacionais elevadas, câmbio flutuante e mercados financeiros domésticos profundos, que sustentam a capacidade de financiamento do país. No dia, a Fitch Ratings reafirmou o rating de crédito soberano de longo prazo do Brasil em moeda estrangeira em “BB”, com perspectiva estável, destacando a resiliência da economia, a robustez das contas externas e a flexibilidade cambial como pilares de sustentação do perfil de crédito do país.A S&P Global projeta que os déficits do governo geral permaneçam próximos a 7% do PIB nos próximos anos, diante da ausência de medidas estruturais capazes de reduzir a rigidez orçamentária ou gerar superávits primários mais robustos.Esse cenário deve continuar pressionando a dívida pública, que tende a subir para cerca de 74% do PIB até 2029, ante 60,4% em 2025. Ao mesmo tempo, o custo com juros deve permanecer elevado, consumindo cerca de 20% das receitas do governo.Segundo a S&P, a principal limitação para um ajuste mais consistente está na própria estrutura do orçamento brasileiro, rígido e fortemente indexado, o que dificulta cortes de gastos e mudanças relevantes sem alterações constitucionais.A agência também destaca que o ambiente político tende a dificultar reformas fiscais. Com eleições marcadas para outubro de 2026, os principais candidatos não têm priorizado o tema do ajuste nas campanhas.Leia tambémSete choques em seis anos: como a inflação global chegou ao bolso do brasileiroPandemia, guerras, tarifaço e seca: Clara Sodré explica no Espresso Outliers como eventos inflacionário recentes afetaram preços, juros e câmbio no BrasilAlém disso, o sistema político brasileiro — com forte presença de pesos e contrapesos entre Executivo, Legislativo e Judiciário — contribui para decisões mais graduais, o que reforça uma abordagem pragmática, porém lenta, na condução de políticas públicas.Nesse contexto, a S&P não espera mudanças significativas na política econômica no próximo governo, independentemente do resultado eleitoral.Do lado da atividade, a agência projeta crescimento do PIB de 1,8% em 2026, desacelerando em relação aos 2,3% registrados em 2025.A expansão deve ser limitada por fatores como juros reais ainda elevados, inflação resiliente e alto endividamento das famílias, que tendem a frear o consumo.No horizonte mais longo, a expectativa é de que o crescimento avance gradualmente para cerca de 2,2% até 2028, à medida que a política monetária se torne menos restritiva.Força externa segue como âncoraApesar das fragilidades fiscais, a S&P destaca que a posição externa do Brasil permanece sólida e é um dos principais pilares do rating soberano. Entre os fatores positivos, estão: exportações robustas de commodities, especialmente em agricultura e energia; conta corrente moderada, próxima de 2% do PIB; financiamento externo sustentado por investimento estrangeiro direto (IED); elevado nível de reservas internacionais; baixa dependência de financiamento externo. Além disso, o real é considerado uma moeda amplamente negociada e com regime de câmbio flutuante, o que contribui para absorver choques externos.Outro ponto destacado pela agência é o aprofundamento do mercado financeiro local, que permite ao governo financiar sua dívida majoritariamente em moeda doméstica.Isso limita os riscos associados ao elevado endividamento e reduz a vulnerabilidade a choques externos, apesar da crescente participação de papéis indexados e pós-fixados.A S&P também aponta que investidores estrangeiros aumentaram a exposição à dívida brasileira recentemente, atraídos pelos juros elevados, ampliando as fontes de financiamento.The post S&P mantém rating do Brasil em ‘BB’, com perspectiva estável appeared first on InfoMoney.

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