Dois meses após conseguir um novo sócio para tocar sua reestruturação, a gigante da indústria petroquímica Braskem tomou medidas judiciais e extrajudiciais para se proteger contra a cobrança antecipada de dívidas por parte de seus credores, o que deu novas indicações para o mercado e fez com que as ações caíssem 10,5% na quinta-feira (25) e seguissem a baixa nesta sexta-feira (26).O movimento aconteceu depois que as conversas para uma solução extrajudicial para seus crescentes problemas de endividamento enfrentaram obstáculos. Em meio a indicações de que uma solução extrajudicial não foi encontrada entre a empresa e os credores, as incertezas sobre reestruturação da petroquímica aumentaram, afetando as ações. Confira abaixo perguntas e respostas sobre o imbróglio envolvendo a Braskem:1. O que aconteceu?A Braskem iniciou processo de mediação com credores financeiros e protocolou um pedido de tutela de urgência cautelar para obter proteção temporária contra cobranças durante as negociações.Segundo a companhia, a medida tem como objetivo “preservar um ambiente estável” para avançar em um acordo estrutural para sua dívida. A proteção, concedida pela Justiça, suspende por 60 dias a cobrança por parte de determinados credores financeiros.O movimento não afeta obrigações com fornecedores, clientes e demais stakeholders, que seguem sendo honradas normalmente.2. O que esperar a seguir?O plano original da empresa era seguir o caminho da recuperação extrajudicial, como fez recentemente a Raízen (RAIZ4), em um processo menos litigioso e baseado em acordo com credores.As negociações envolvem cerca de R$ 50 bilhões em dívidas, segundo informações de mercado. No entanto, a primeira rodada de discussões fracassou.A proposta apresentada pela companhia — que incluía redução de cerca de 2 pontos percentuais no cupom das dívidas — foi rejeitada pelos credores, que a classificaram como “totalmente insatisfatória”.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa sobe com impulso do exterior e dos grandes bancosBolsas dos EUA sobem, depois de abrirem em baixa, com tecnologia no centro das atençõesNa avaliação do JPMorgan, a rejeição era esperada, já que a proposta não atacava o principal problema da Braskem: o alto nível de alavancagem, que deve permanecer em torno de 6,4 vezes dívida líquida/EBITDA nos próximos anos, segundo projeções da própria companhia.3. Quais os desafios da Braskem?A Braskem encerrou 2025 com prejuízo líquido de R$ 11 bilhões e patrimônio líquido negativo de R$ 16,5 bilhões, refletindo um cenário financeiro deteriorado.Além do elevado endividamento, a companhia enfrenta pressões de liquidez. Um dos principais riscos, segundo o JPMorgan, vem da redução das linhas de financiamento de curto prazo, como cartas de crédito (LCs), que deixaram de ser renovadas por bancos. Isso deve gerar um consumo líquido de caixa próximo de US$ 1 bilhão em 2026, aumentando a urgência por uma solução.Ao mesmo tempo, o banco destaca que a geração de caixa operacional segue positiva, o que indica que o problema está mais concentrado na estrutura de capital do que no desempenho operacional.4. Qual o papel da Petrobras?A Petrobras (PETR3; PETR4) é vista como peça-chave para o desfecho das negociações — mas sua atuação até agora tem sido limitada.Segundo o JPMorgan, apesar de maior presença na governança da Braskem, a estatal ainda não apresentou contribuições concretas para a reestruturação financeira ou para a melhora das condições operacionais da companhia. Atualmente, a Petrobras fornece cerca de 50% da nafta utilizada pela Braskem no Brasil, o que a coloca em posição estratégica. Medidas como melhores condições comerciais — incluindo prazos de pagamento ou volumes garantidos — poderiam aliviar a pressão de capital de giro.Além disso, o banco aponta que existem oportunidades de sinergia ainda não exploradas, como integração logística e industrial entre refinarias e centrais petroquímicas.Credores, inclusive, já pediram maior engajamento da Petrobras nas negociações, sinalizando que sua participação pode ser determinante para viabilizar um acordo.5. Quais os riscos de uma recuperação judicial?O risco de recuperação judicial segue como um dos principais pontos de atenção para investidores.Conforme destaca o Bradesco BBI, a Braskem enfrenta dificuldades para dar tração ao seu plano de reestruturação e, com a proximidade dos vencimentos de dívidas, aumenta a probabilidade de o processo evoluir para uma recuperação judicial.Também na avaliação do JPMorgan, a ausência de um acordo consensual pode empurrar o processo para uma RJ — cenário considerado mais negativo para todas as partes e que poderia pressionar significativamente os preços dos títulos da companhia. Além disso, o banco ressalta que a proposta final de reestruturação deve ser menos favorável aos acionistas do que inicialmente esperado, podendo incluir: maior diluição de capital (conversão de dívida em ações); exigência de aportes adicionais de acionistas econdições mais rígidas impostas por credores.Outro risco é o impacto sobre a percepção de crédito e acesso a financiamento, já fragilizados no ambiente atual.6. O que fazer com os ativos? Os analistas do UBS BB têm recomendação neutra para as ações e apontaram que, “de forma geral, acreditamos que o caminho da companhia para uma solução de liquidez ainda é incerto e pode incluir risco de diluição para acionistas minoritários”.“Embora avaliemos que a empresa possa superar esses desafios e alcançar uma perspectiva mais construtiva no médio e longo prazo, as incertezas ao longo desse processo sustentam nossa recomendação”.Já o Citi rebaixou a recomendação para as ações da Braskem (BRKM5) de neutra para venda, com classificação de alto risco, destacando um cenário mais desafiador para a companhia tanto do ponto de vista operacional quanto financeiro.Para o JPMorgan, embora um acordo extrajudicial ainda seja possível, a rejeição inicial dos credores indica que a solução final tende a ser menos favorável aos acionistas. Isso pode incluir maior diluição de capital ou exigência de aportes adicionais. O banco mantém visão tática positiva para alguns títulos da dívida, mas ressalta que o caminho para um desfecho consensual ficou mais estreito. Nesse contexto, a possibilidade de recuperação judicial segue como risco de cauda relevante — e pode pressionar significativamente os preços dos ativos da companhia.(com informações do O Globo)The post Braskem: o que fazer com a ação? 6 perguntas e respostas em meio à derrocada de BRKM5 appeared first on InfoMoney.
