O banco definitivamente passou a caber no bolso do brasileiro. Em 2025, 83% de todas as transações bancárias realizadas no país ocorreram por canais digitais. Só o celular respondeu por 78% das operações, colocando o smartphone como principal porta de entrada para serviços financeiros no Brasil. Os dados fazem parte da Pesquisa “Febraban de Tecnologia Bancária 2026”, realizada pela Deloitte e divulgada nesta quinta-feira (26) pela Federação Brasileira de Bancos.Ao todo, os brasileiros realizaram 240,8 bilhões de transações bancárias no ano passado. Desse universo, 187,5 bilhões ocorreram via mobile banking, volume que representa crescimento acumulado de 169% nos últimos cinco anos e avanço de 11% em relação a 2024, como mostrou o levantamento.Para sustentar toda essa transformação de pagamentos digitais, os bancos brasileiros continuam investindo alto em tecnologia. Segundo a pesquisa, o orçamento tecnológico das instituições financeiras cresceu 58% nos últimos cinco anos e deverá alcançar R$ 50,4 bilhões em 2026, o que representa um aumento de 8% em relação ao ano anterior.A principal prioridade, segundo a Febraban, continua sendo a cibersegurança. Todas as 25 instituições que participaram do estudo, e que detêm 85% dos ativos bancários do Brasil, classificaram o tema como de alta ou média relevância estratégica. Ao mesmo tempo, computação em nuvem e inteligência artificial generativa também aparecem como os outros dois principais vetores da próxima fase de transformação digital, com 84% dos bancos apontando a cloud computing e IA generativa como pontos essenciais do investimento, segundo o levantamento.“O crescimento do orçamento tecnológico dos bancos demonstra o compromisso do setor com inovação e eficiência. A cibersegurança permanece como agenda central, ao lado de temas estratégicos como cloud e inteligência artificial generativa”, afirma o diretor de Inovação, Produtos e Segurança da Febraban, Ivo Mósca,.Fonte: Febraban/DeloitteRelacionamento eletrônicoOs números mostram que, mais do que substituir o atendimento presencial, os canais digitais passaram a ser o principal ambiente de relacionamento entre clientes e as instituições financeiras. A mudança de comportamento aparece também no avanço dos chamados heavy users, clientes que realizam mais de 80% de suas operações em um único canal digital. Eles já representam 76% da base de usuários digitais dos bancos. Entre pessoas físicas, o relacionamento bancário tornou-se praticamente diário. No segmento empresarial, a frequência média já se aproxima de duas interações por dia.“O mobile banking reafirmou seu posicionamento como o principal canal em expansão, com crescimento expressivo não apenas nas consultas, mas também nas transações financeiras e investimentos. A conveniência digital transformou o relacionamento bancário em algo diário para a maioria dos brasileiros”, afirma o diretor responsável pela Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária, Rodrigo Mulinari.Pix é o protagonista O Pix continua na liderança da expansão do sistema financeiro digital. Segundo a pesquisa, as transações via Pix cresceram 19% no mobile banking e 53% no internet banking em relação ao ano anterior. Além disso, o sistema de pagamentos instantâneos também passou a liderar o crescimento das operações realizadas nas maquininhas de cartão.Entre as pessoas físicas, 80% das operações via Pix já são realizadas de forma instantânea. As demais modalidades incluem Pix cobrança (19%), Pix agendado (0,3%) e Pix crédito (0,2%). Esse destaque do Pix ajuda a explicar por que o sistema bancário brasileiro se tornou uma das principais referências globais em digitalização financeira. Em poucos anos, operações que antes dependiam de agências, caixas eletrônicos ou cartões migraram para o smartphone.Leia Mais: Pagamentos digitais disparam e devem dobrar até 2029; bancos devem se preocuparIA é um dos desafiosEmbora a inteligência artificial já esteja presente em diversas operações bancárias, a pesquisa mostra que cerca de 60% das instituições ainda se encontram em fases iniciais de adoção. No caso específico da inteligência artificial generativa, o percentual é ainda maior, indicando que o setor ainda atravessa uma etapa de experimentação.Para Sérgio Biagini, líder da indústria de serviços financeiros da Deloitte, o desafio deixou de ser testar a tecnologia e passou a ser escalá-la. “Não se trata apenas de experimentar uma nova tecnologia, mas de integrá-la de forma consistente às operações bancárias e à experiência do cliente”, afirma.The post Com o banco na palma da mão, 78% das operações financeiras já são feitas por celular appeared first on InfoMoney.
