Na batalha por talento, Google deve perder mais dois executivos para a Anthropic

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(Bloomberg) — Dois dos principais pesquisadores de inteligência artificial do Google, da Alphabet Inc., planejam deixar a empresa para ir para a rival Anthropic PBC, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, ampliando uma série de saídas de alto perfil que ameaçam enfraquecer a posição da gigante de buscas em IA.Jonas Adler e Alexander Pritzel, ambos vistos internamente como contribuintes centrais para o modelo de IA Gemini, do Google, devem migrar para a empresa criadora do Claude, disseram as fontes, que pediram anonimato porque a informação não é pública. Adler trabalhava no esforço de programação com IA da companhia, e Pritzel atuava no processo de treinamento de sistemas de inteligência artificial.O Google, pioneiro inicial em inteligência artificial, passou boa parte do atual boom de IA correndo atrás de empresas como OpenAI e Anthropic antes de ganhar tração no fim do ano passado, com modelos e chips mais avançados. Nos últimos dias, porém, a empresa já havia perdido dois nomes de destaque: o vencedor do Nobel John Jumper, que vai para a Anthropic, e o pesquisador estrela Noam Shazeer, que seguiu para a OpenAI. As movimentações abalaram investidores e lançaram novas dúvidas sobre a capacidade do Google de competir na corrida feroz para construir modelos melhores.Leia tambémGoverno dos EUA autoriza Anthropic a liberar Mythos para algumas empresas americanasA Anthropic desativou abruptamente seus modelos de IA mais avançados – Mythos 5 e Fable 5 – para todos os usuários após a ⁠diretiva ‌de controle de exportação do governo, que visava ⁠restringir o acesso de cidadãos estrangeirosAs saídas evidenciam a pressão que o Google enfrenta de duas startups que estão próximas de abrir capital, oferecendo até a funcionários bem remunerados das Big Techs a chance de um ganho raro ao ingressar antes de um IPO. Em pelo menos um caso, a saída de um profissional do Google também parece ter sido precedida por mudanças de prioridade sobre como alocar recursos escassos de computação, questão que levou outros funcionários a deixar a empresa por completo.Pouco antes de Shazeer anunciar seus planos de se juntar à OpenAI, a capacidade computacional destinada a um de seus projetos foi realocada para uma equipe sediada em Londres no Google DeepMind, segundo duas pessoas familiarizadas com o assunto. A mudança foi feita na tentativa de aumentar a colaboração entre equipes e simplificar o trabalho do Google em pré-treinamento, a fase inicial do desenvolvimento de IA em que os modelos aprendem a partir de grandes volumes de dados, disseram as fontes.Adler, Pritzel, Jumper e Shazeer não responderam aos pedidos de comentário. A Anthropic se recusou a comentar. Um porta-voz do Google disse que a empresa continua confiante em sua posição no mercado de talentos em IA e citou declarações do CEO do Google DeepMind, Demis Hassabis, feitas no início da semana.“Há muito movimento de talentos entre todos os principais laboratórios, e nós ficamos com uma fatia justa dos melhores talentos. Temos, de longe, o maior e mais amplo banco de pesquisadores entre todos os laboratórios”, disse Hassabis em um evento em Cannes. “Este é um mercado ferozmente competitivo agora, o mais ferozmente competitivo que já houve na indústria de tecnologia.”A trajetória profissional de Shazeer é emblemática das intensas guerras por talento que passaram a definir o cenário da IA. Depois de coassinar um artigo seminal que ajudou a catalisar o boom da inteligência artificial, ele deixou o Google em 2021 para fundar a Character.AI, startup de chatbots, apenas para retornar à empresa em 2024 como parte de um acordo incomum de licenciamento que avaliou sua companhia em US$ 2,5 bilhões.De volta ao Google, Shazeer passou a codirigir o desenvolvimento do principal modelo de IA da empresa, o Gemini. Antes de sua saída, ele também vinha trabalhando em uma nova arquitetura de IA, disseram duas pessoas. A arquitetura ainda era baseada no transformer, técnica introduzida por Shazeer e seus colegas em 2017 e que se tornou um pilar do desenvolvimento de IA nos anos seguintes, mas vinha apresentando resultados promissores, segundo uma das fontes.Shazeer era, ao mesmo tempo, uma figura admirada e divisiva dentro do Google, dizem funcionários atuais e antigos. Comentários feitos por ele dentro da empresa sobre identidade transgênero e o conflito em Gaza geraram controvérsia entre alguns empregados, segundo duas pessoas.Jumper, por sua vez, havia se tornado um dos rostos dos esforços mais ambiciosos do Google em IA após ganhar o Prêmio Nobel por uma pesquisa histórica que usou IA para prever o enovelamento de proteínas. Adler e Pritzel, ambos prestes a se juntar a Jumper na Anthropic, trabalharam com ele nessa pesquisa.Membros importantes da equipe de Jumper nesse trabalho sobre proteínas deixaram o Google DeepMind nos últimos meses. Alguns migraram para a Isomorphic Labs, empresa derivada da Alphabet focada em medicamentos desenvolvidos com IA, segundo uma pessoa familiarizada com o tema.A Anthropic, que ao mesmo tempo compete com o Google e mantém parceria com ele, vem drenando talentos da gigante de tecnologia de forma agressiva. Engenheiros do DeepMind têm quase 11 vezes mais probabilidade de sair para a Anthropic do que o movimento contrário, segundo uma análise do setor de 2025 da gestora de venture capital SignalFire.Assim como o Google, a empresa criadora do Claude também explora aplicações em ciências da vida e saúde, numa tentativa de ampliar os usos de sua tecnologia. A Anthropic levantou recentemente uma nova rodada de financiamento com valuation de US$ 965 bilhões, superando a OpenAI, e considera abrir capital já neste outono.Pesquisadores de IA no Reino Unido, onde fica a liderança do DeepMind, costumam estar sujeitos a longos acordos de não concorrência, que podem ser executados sob a legislação britânica. Jumper provavelmente só começaria a trabalhar na Anthropic no ano que vem, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto.Outro pesquisador, Arthur Conmy, escreveu no X na quarta-feira que também estava de saída para a Anthropic para trabalhar com segurança em IA. Durante sua passagem pelo DeepMind, Conmy foi engenheiro de pesquisa sênior e contribuiu para o modelo Gemini 2.5, além de atuar em programação com IA, de acordo com seu perfil no LinkedIn.© 2026 Bloomberg L.P.The post Na batalha por talento, Google deve perder mais dois executivos para a Anthropic appeared first on InfoMoney.

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