As empresas brasileiras listadas em bolsa vêm ampliando sua exposição internacional, tornando-se cada vez mais relacionadas ao desempenho de economias como Estados Unidos, Europa e China. A avaliação consta em relatório de estrategistas do Morgan Stanley, que mapeia a distribuição geográfica de receitas e custos das companhias latino-americanas — com destaque para o Brasil.Um dos principais pontos do estudo é a relevância crescente dos mercados desenvolvidos na geração de receita de companhias brasileiras. Empresas como Embraer (EMBJ3), Gerdau (GGBR4) e JBS (BDR: JBSS32) aparecem entre aquelas com maior exposição aos Estados Unidos e Canadá, com parcela significativa do faturamento atrelada a essas economias. No caso da Embraer, cerca de 58% das receitas vêm desses mercados, enquanto Gerdau (GGBR4) e JBS apresentam exposição semelhante, acima de 50%. Essa dinâmica evidencia a forte correlação dessas empresas com o ciclo econômico norte-americano, especialmente em setores industriais e de bens de consumo. Leia também“Kit Brasil”: investidores estão em alerta e de olho no próximo gatilho para ativosUm dos principais fatores de pressão é a inclinação da curva de juros, movimento que tende a pressionar negativamente os ativos locais, especialmente a bolsaSegundo o banco, esse perfil internacionalizado traz tanto oportunidades quanto riscos. De um lado, permite diversificação de receitas e menor dependência do mercado doméstico. De outro, aumenta a sensibilidade a fatores externos, como política monetária dos EUA, crescimento global e eventuais choques geopolíticos.Dependência da China segue relevante em commoditiesOutro vetor importante para empresas brasileiras é a exposição à China, sobretudo no setor de commodities. O relatório mostra que companhias como Vale (VALE3), CSN Mineração (CMIN3) e SLC Agrícola (SLCE3) têm parcela relevante de suas receitas atreladas à demanda chinesa.A CSN Mineração (CMIN3), por exemplo, tem cerca de 88% de exposição à China, enquanto SLC Agrícola (SLCE3) supera 60% e Vale (VALE3) se aproxima de 50%. Essa concentração reforça a dependência do Brasil do ciclo de commodities e da atividade industrial chinesa. Na prática, movimentos de desaceleração ou estímulo na economia asiática têm impacto direto sobre receitas, margens e avaliações dessas empresas.Europa e outros mercados também ganham espaçoAlém dos EUA e China, a Europa aparece como destino relevante para receitas de diversas companhias brasileiras. Empresas como PRIO (PRIO3), Suzano (SUZB3) e a própria Embraer possuem exposição significativa ao continente europeu. A Suzano (SUZB3), por exemplo, tem cerca de 26% de suas receitas ligadas à Europa, enquanto PRIO (PRIO3) se aproxima de 30%.Leia também“El Niño Godzilla” coloca Brasil no centro do risco climático para os mercadosA iminente consolidação do fenômeno climático deve gerar impactos econômicos profundamente desiguais na América LatinaEsse movimento reflete, em grande parte, o posicionamento global de empresas brasileiras exportadoras, especialmente nos segmentos de papel e celulose, petróleo e materiais básicos.Estrutura global também aparece nos custosO relatório do Morgan Stanley destaca que a internacionalização não se limita à receita — ela também está presente na estrutura de custos. Empresas brasileiras como a MBRF (MBRF3) pela Marfrig, Klabin (KLBN11) e Bradesco (BBDC4) possuem parte relevante de seus custos atrelados a mercados externos, principalmente Estados Unidos e Europa.No caso da Marfrig, entre 76% e 100% dos custos estão expostos à América do Norte, o que reforça a dependência de variáveis como câmbio, preços internacionais e dinâmica do setor de proteínas global.Já no setor financeiro e de serviços, instituições como Itaú (ITUB4) e BB Seguridade (BBSE3) também apresentam alguma exposição a cadeias globais, ainda que menor. Na avaliação do Morgan Stanley, o alto grau de internacionalização torna o mercado acionário brasileiro mais sensível a fatores globais do que tradicionalmente se imaginava. Em muitos casos, o desempenho das ações depende mais de variáveis externas — como crescimento dos EUA, demanda chinesa e preços de commodities — do que de fatores domésticos.Isso ajuda a explicar, por exemplo, movimentos recentes da bolsa brasileira em linha com tendências globais, mesmo em momentos de relativa estabilidade econômica interna.Por outro lado, o relatório indica que essa característica também pode ser positiva em cenários de recuperação global, já que empresas brasileiras com forte presença internacional podem se beneficiar de ciclos externos mais favoráveis.The post Empresas brasileiras ampliam exposição ao exterior; veja as principais da B3 appeared first on InfoMoney.
